Novo ciclo na política

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Grafite de Cláudio Gláucio dos Santos
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Publicada em 27/10/2018 às 08:21:00

 

Saindo do
silêncio
O senador Valadares quebrou ontem o silêncio depois das eleições de 7 de outubro, em que foi derrotado nas urnas, para alfinetar o seu hoje desafeto político Belivaldo Chagas sobre o debate na TV Sergipe entre os candidatos a governador Valadares Filho e Belivaldo. Declarou o senador nas redes sociais: "Com péssima aparência, raivoso e envelhecido, Belivaldo gelou e falou fino, entrando em contradição várias vezes, inclusive sem saber explicar a investigação da PF sobre os contratos do transporte dos estudantes assinados por ele na Educação com indícios de superfaturamento".
Direito de
resposta
Também ontem a Justiça Eleitoral concedeu ao candidato Belivaldo Chagas mais dois direitos de resposta para apresentar a verdade dos fatos em relação à notícia falsa de um suposto apoio de André Moura nesse segundo turno das eleições, divulgada, insistentemente, pelo candidato Valadares Filho, como também para se defender da acusação de que o PIB do agronegócio em Sergipe teve o pior desempenho do país. Assinada pelo juiz-relator Fábio Cordeiro de Lima, do TRE, a primeira decisão considerou os argumentos da defesa de Belivaldo, que sustentaram haver, por parte da coligação adversária, "a finalidade de degradar a imagem do candidato Belivaldo, ao mostrar um acordo político já desmentido em nota oficial da assessoria do deputado André Moura".
Dia de pesquisas
Neste sábado serão divulgadas quatro pesquisas de intenções de voto para governador: Ibope, Dataform, França e Dataplan, que foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no último dia 21 de outubro. O Ibope, que faz a segunda pesquisa no segundo turno em Sergipe, divulgará o resultado no jornal da noite da TV Sergipe. O instituto ouviu 812 eleitores entre os dias 21 e 27. O Dataform ouviu 1.200 eleitores entre os dias 24 e 26; o França ouviu entre os dias 24 e 27 um total de 1.500 eleitores; e o Dataplan  entrevistou 1.200 eleitores entre os dias 23 e 25.

A não ser que ocorra algo imponderável, o governador Belivaldo Chagas (PSD) deverá ser reeleito neste domingo sem maiores dificuldades. No primeiro turno ele obteve 403.252 votos contra 212.169 votos de Valadares Filho (PSB), uma diferença de quase 200 mil votos. Essa mesma diferença é esperada pelo grupo que apoia Belivaldo no segundo turno.

A partir de agora começa um novo ciclo na política sergipana. O eleitorado já havia mandado para casa os ex-governadores João Alves Filho e Albano Franco. No primeiro turno, aposentou também o ex-governador Jackson Barreto e o ainda senador Antonio Carlos Valadares, que já passam dos 70 anos de idade e mais de 50 anos de política, e muito provavelmente o senador Eduardo Amorim. Eles ditam a política em Sergipe desde o final dos anos 1970 do século passado - em 1966 Valadares já era prefeito de Simão Dias e em 1974 presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, sempre pela Arena, partido de sustentação do regime militar.

Confirmada a reeleição, Belivaldo terá que iniciar um vigoroso trabalho para reunir o grupo e definir o papel de cada partido e/ou liderança. Apesar de no poder desde 2006 quando Marcelo Déda foi eleito governador pela primeira vez, esse grupo passa por uma renovação pela força das urnas. Os antigos caciques saem de cena e entram pessoas que exerciam papeis secundários, a começar pelo próprio governador.

A vitória para o senado deu uma grande força a Rogério Carvalho (PT) que vai crescer ainda mais, mesmo que Fernando Haddad não seja eleito presidente neste domingo. Ninguém tem dúvidas de que em caso da vitória de Jair Bolsonaro, ele será uma vigorosa voz da oposição no Congresso Nacional, sem qualquer chance de mudar de barco. A provável vice-governadora Eliane Aquino (PT) também poderá pleitear voos mais altos nas próximas eleições.

O prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) sai fortalecido desta eleição pelo impulso que deu à candidatura de Belivaldo na periferia de Aracaju. O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), campeão de votos, manteve a sua postura de lealdade e elegeu uma irmã para a Assembleia Legislativa. Há outros líderes importantes, como o deputado federal Fábio Reis (MDB) e o deputado estadual Luciano Bispo (MDB).

E como fica a oposição? Confirmada mesmo a derrota de Valadares Filho, estará destroçada e levará um bom tempo para se reagrupar. Está se configurando uma das maiores derrotas dos últimos anos.

É preciso ver também a força desse grupo em torno do senador Delegado Alessandro (Rede) com os seus 474 mil votos. Neste segundo turno, ele e a delegada Danielle Garcia se transformaram no motor da campanha de Valadares Filho, mas em caso mesmo de derrota, o afastamento será natural. A votação do novo senador foi impulsionada pela onda liderada a nível nacional por Bolsonaro, que possibilitou a eleição de militares e policiais em praticamente todos os estados brasileiros, sempre com grandes votações. A importância também passa pelo seu comportamento no Senado a partir do novo governo. Se confirmada a vitória de Bolsonaro, vai se integrar a bancada governista?

O primeiro teste será nas eleições municipais de 2020, quando já há pelo menos três interessados na disputa pela Prefeitura de Aracaju - o prefeito Edvaldo Nogueira, a vereadora Emília Correia (Patriota) que alcançou 53 mil votos como candidata a deputado federal e o deputado estadual Gilmar Carvalho (PSC), o mais votado na capital.

Em qualquer cenário, ocorrerão mudanças expressivas na política sergipana a partir de agora.

Tendência de queda

Os diretores do Datafolha Mauro Paulino e Alessandro Janoni afirmam que o presidenciável Jair Bolsonaro apresenta tendência de queda em quase todos os segmentos socioeconômicos e demográficos. Eles ressaltam que, apesar de cair em maior proporção entre os jovens, o deputado também desabou em estratos onde costumava ter desempenho positivo como no Sul, entre os homens, entre os mais escolarizados e, surpreendentemente, entre os mais ricos. Paulino e Janoni ainda destacam que o 'viés ditatorial' do candidato foi 'descoberto' pelo eleitor nessa reta final e que há chances consideráveis de a tendência de queda em sua candidatura se prolongar até o dia da votação.

A análise dos diretores do instituto, publicada no jornal Folha de S. Paulo, destaca que "a diminuição da diferença de Jair Bolsonaro (PSL) para Fernando Haddad (PT), de 18 para 12 pontos percentuais em curto espaço de tempo (uma semana), é acentuada em função da dicotomia que caracteriza o cálculo dos votos válidos nas disputas em segundo turno. São apenas dois candidatos - quando um ganha, o outro perde na mesma proporção".

Janoni e Paulino acrescentam: "com isso, ganha importância o contingente de eleitores sem candidato, isto é, aqueles que pretendem votar em branco, anular o voto ou se mostram ainda indecisos. A taxa (14%) é recorde para este período da disputa - em segundos turnos de eleições anteriores chegou no máximo a 10%. Caso parcela pretenda praticar voto útil, resta saber em que direção a atitude se dará".

Eles ainda lembram o estrago feito na candidatura do ex-militar pela reportagem de Patrícia Campos Mello: "a suspeita de caixa dois na contratação de serviços de WhatsApp, revelada por esta Folha, por exemplo, chegou ao conhecimento da maioria dos brasileiros, mas especialmente junto aos que mais têm recursos para consumir informação -os mais escolarizados e mais ricos, nichos dominados pelo capitão reformado desde o início da corrida presidencial".

E, finalmente, os pesquisadores apontam o autoritarismo como um elemento erosivo na campanha de Bolsonaro: "o outro vetor, talvez o principal, refere-se às turbulências que atingiram "a velocidade de cruzeiro" da candidatura do PSL desde a última pesquisa há sete dias - episódios que sugerem intervenções autoritárias em instituições nacionais, protagonizados por Bolsonaro, por seu filho Eduardo e aliados acabaram por corroborar a campanha do PT, que o vinha classificando de antidemocrático e violento". (Com 247)

Nem um nem outro

Ontem, nas várias entrevistas que concedeu a imprensa,  o deputado federal André Moura (PSC) reafirmou que não apoia Belivaldo Chagas (PSD) nem Valadares Filho (PSB) para o governo no segundo turno das eleições.  Disse que Belivaldo representa a mesmice, o atraso a continuidade do pior governador da história de Sergipe: Jackson Barreto, e Valadares Filho representa uma candidatura que não tem vida própria, é uma marionete, pau mandado do pai e não tem altivez. "Seu projeto de governo é tão medíocre e pequeno como ele."

Segundo o deputado, quando os Valadares faziam parte do governo Michel Temer e havia votações importantes no Congresso ele [André] procurava o líder do PSB na Câmara sobre o voto de Valadares Filho e ele [líder do PSB] pedia que os ministros ligassem para o pai, o senador Valadares, por ser ele quem mandava no voto do deputado.

Guerra judicial

A coligação do candidato Valadares Filho recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para anular os efeitos da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que o condenou a perda do direito de veicular todas as inserções de sua coligação que iriam ao ar ontem e em ação cautelar o ministro Ademar Gonzaga (TSE) reformou a decisão da Justiça Eleitoral em Sergipe decidindo suspender apenas a punição da perda do direito a veicular as inserções. Ao aprovar, apenas em parte, o pedido feito pela coligação de Valadares Filho, o TSE manteve as demais decisões do acórdão aprovado por unanimidade pelos membros do TRE, que, além de terem aplicado a punição ao candidato Valadares Filho, "pela reiteração das condutas ilícitas ", concederam direito de resposta de dois minutos a Belivaldo no último programa eleitoral.

Saindo dosilêncio
O senador Valadares quebrou ontem o silêncio depois das eleições de 7 de outubro, em que foi derrotado nas urnas, para alfinetar o seu hoje desafeto político Belivaldo Chagas sobre o debate na TV Sergipe entre os candidatos a governador Valadares Filho e Belivaldo. Declarou o senador nas redes sociais: "Com péssima aparência, raivoso e envelhecido, Belivaldo gelou e falou fino, entrando em contradição várias vezes, inclusive sem saber explicar a investigação da PF sobre os contratos do transporte dos estudantes assinados por ele na Educação com indícios de superfaturamento".

Direito deresposta
Também ontem a Justiça Eleitoral concedeu ao candidato Belivaldo Chagas mais dois direitos de resposta para apresentar a verdade dos fatos em relação à notícia falsa de um suposto apoio de André Moura nesse segundo turno das eleições, divulgada, insistentemente, pelo candidato Valadares Filho, como também para se defender da acusação de que o PIB do agronegócio em Sergipe teve o pior desempenho do país. Assinada pelo juiz-relator Fábio Cordeiro de Lima, do TRE, a primeira decisão considerou os argumentos da defesa de Belivaldo, que sustentaram haver, por parte da coligação adversária, "a finalidade de degradar a imagem do candidato Belivaldo, ao mostrar um acordo político já desmentido em nota oficial da assessoria do deputado André Moura".

Dia de pesquisas
Neste sábado serão divulgadas quatro pesquisas de intenções de voto para governador: Ibope, Dataform, França e Dataplan, que foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no último dia 21 de outubro. O Ibope, que faz a segunda pesquisa no segundo turno em Sergipe, divulgará o resultado no jornal da noite da TV Sergipe. O instituto ouviu 812 eleitores entre os dias 21 e 27. O Dataform ouviu 1.200 eleitores entre os dias 24 e 26; o França ouviu entre os dias 24 e 27 um total de 1.500 eleitores; e o Dataplan  entrevistou 1.200 eleitores entre os dias 23 e 25.