A Morte

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 01/11/2018 às 08:38:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
Amanhã, 2 de novembro, é o dia que, 
em comunhão com Deus e com toda 
a Igreja, rezamos pelos nossos falecidos. No linguajar cotidiano é o chamado "dia de finados".
Certamente o chamado "amigo leitor" achou estranho o título de nosso artigo de hoje. É o temor generalizado da morte e o pavor que o nome já inspira. E, no entanto, diariamente, os que rezamos a Ave Maria, concluímos com a expressão "agora e na hora de nossa morte". E em uma das jaculatórias mais conhecidas, nós imploramos à Sagrada Família (Jesus, José e Maria) duas graças: "Assisti-me na última agonia" e "expire em paz entre vós a minha alma". E assim, em muitas de nossas orações diárias, nós pedimos ao Pai uma boa morte.
Aos seus jovens alunos adolescentes, Dom Bosco inculcava fazer todos os meses o que ele denominava "o exercício da boa morte". Consistia essencialmente em fazer uma preparação para o chamado de Deus. Terminava com uma breve oração "pelo primeiro que morrer dentre nós". E nem por isso, os jovens alunos do Oratório de Turim foram menos alegres, irrequietos, amantes dos esportes e cheios de vivacidade.
O cristão vive para morrer. Entenda-se: a morte é o termo final de nossa existência e o instante último e decisivo do nosso "peregrinar terrestre", como gosta de dizer a liturgia. Na verdade, o cristão deve viver como se nunca devesse morrer, isto é, em contínua atividade, sempre com novos planos, projetos e sonhos. E, ao mesmo tempo, deve viver como se devesse morrer a qualquer momento, isto é, estar preparado para ser recebido pelo Pai. Não é "ter medo da morte", mas é saber viver como se ela não existisse e, ao mesmo tempo, estar sempre preparado para ela, que só exige uma condição para acontecer: isto é, estar vivo.
Sebastian Politi, em seu livro "Una musica infinita", analisa com profundidade de doutrina e riqueza de argumentos esse temor da morte. Cita trechos de um teólogo alemão Joseph Ratzinger (Você hoje sabe bem quem é…) que diz: "O mundo burguês oculta a morte. Num famoso jornal americano não se pode escrever a palavra 'morte'. Nas funerárias e nos hospitais oculta-se cuidadosamente o fato da morte". O teólogo brasileiro Pe. Libânio acrescenta: "Tudo se transforma em matéria de consumo: a morte como imagem e a morte como silêncio". A morte perde sua densidade. A sociedade moderna não tem um lugar para a morte.
O livro de Politi recebeu em português um subtítulo que revela melhor seu conteúdo: "A Escatologia Cristã". A escatologia cristã distingue-se essencialmente das esperanças humanas, limitadas e falíveis. Deus é nossa única e segura esperança. A morte redentora de Cristo é a resposta final e a explicação convincente de todos os sofrimentos humanos e de nossa própria morte.  
 
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.org.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

Amanhã, 2 de novembro, é o dia que,  em comunhão com Deus e com toda  a Igreja, rezamos pelos nossos falecidos. No linguajar cotidiano é o chamado "dia de finados".
Certamente o chamado "amigo leitor" achou estranho o título de nosso artigo de hoje. É o temor generalizado da morte e o pavor que o nome já inspira. E, no entanto, diariamente, os que rezamos a Ave Maria, concluímos com a expressão "agora e na hora de nossa morte". E em uma das jaculatórias mais conhecidas, nós imploramos à Sagrada Família (Jesus, José e Maria) duas graças: "Assisti-me na última agonia" e "expire em paz entre vós a minha alma". E assim, em muitas de nossas orações diárias, nós pedimos ao Pai uma boa morte.
Aos seus jovens alunos adolescentes, Dom Bosco inculcava fazer todos os meses o que ele denominava "o exercício da boa morte". Consistia essencialmente em fazer uma preparação para o chamado de Deus. Terminava com uma breve oração "pelo primeiro que morrer dentre nós". E nem por isso, os jovens alunos do Oratório de Turim foram menos alegres, irrequietos, amantes dos esportes e cheios de vivacidade.
O cristão vive para morrer. Entenda-se: a morte é o termo final de nossa existência e o instante último e decisivo do nosso "peregrinar terrestre", como gosta de dizer a liturgia. Na verdade, o cristão deve viver como se nunca devesse morrer, isto é, em contínua atividade, sempre com novos planos, projetos e sonhos. E, ao mesmo tempo, deve viver como se devesse morrer a qualquer momento, isto é, estar preparado para ser recebido pelo Pai. Não é "ter medo da morte", mas é saber viver como se ela não existisse e, ao mesmo tempo, estar sempre preparado para ela, que só exige uma condição para acontecer: isto é, estar vivo.
Sebastian Politi, em seu livro "Una musica infinita", analisa com profundidade de doutrina e riqueza de argumentos esse temor da morte. Cita trechos de um teólogo alemão Joseph Ratzinger (Você hoje sabe bem quem é…) que diz: "O mundo burguês oculta a morte. Num famoso jornal americano não se pode escrever a palavra 'morte'. Nas funerárias e nos hospitais oculta-se cuidadosamente o fato da morte". O teólogo brasileiro Pe. Libânio acrescenta: "Tudo se transforma em matéria de consumo: a morte como imagem e a morte como silêncio". A morte perde sua densidade. A sociedade moderna não tem um lugar para a morte.
O livro de Politi recebeu em português um subtítulo que revela melhor seu conteúdo: "A Escatologia Cristã". A escatologia cristã distingue-se essencialmente das esperanças humanas, limitadas e falíveis. Deus é nossa única e segura esperança. A morte redentora de Cristo é a resposta final e a explicação convincente de todos os sofrimentos humanos e de nossa própria morte.   * Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.org.br