O PT sobreviveu

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Publicada em 02/11/2018 às 11:35:00

 

Marcos Cardoso
marcoscardosojornalista@gmail.com
"Vamos banir os vermelhos", "vamos fuzilar a petralhada"... Se o presidente eleito Jair Bolsonaro recorreu apenas a figuras de linguagem para dizer que ia acabar com o PT, ele não conseguiu. O PT, o partido mais orgânico e de maior apelo popular do Brasil, acaba de dar uma demonstração de resistência. Está ferido, mas sobreviveu.
Mesmo com todo o desgaste da onda antipetista que ganhou corpo há quatro anos e que, inclusive, contribuiu com a vitória consagradora da direita de Bolsonaro, o PT não só sobreviveu, como proporcionou a um candidato a presidente quase desconhecido obter 47 milhões de votos, e ainda sair da eleição ostentando a posição de maior partido político nacional.
Em 2019, o PT vai se manter como o partido de maior bancada na Câmara Federal, 56 deputados eleitos, apesar de ter perdido 13 cadeiras em relação ao número de eleitos em 2014. O seu tradicional rival PSDB perdeu 25 vagas, elegendo 29 deputados federais agora. E o sempre bem nutrido MDB dessa vez emagreceu 32 deputados, elegendo 34.
Quem se deu muito bem foi o quase desconhecido PSL, o partido do presidente eleito, que saltou de um para 52 representantes na Câmara Federal, aparecendo com a segunda maior bancada na casa.
O PT fez o maior número de governadores, quatro: Rui Costa, na Bahia, Wellington Dias, no Piauí, Camilo Santana, no Ceará, e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte. E também fez quatro senadores: Rogério Carvalho (SE) terá a experiente companhia de Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE) e Paulo Paim (RS), além dos dois do partido que permanecem mais quatro anos no Senado, Paulo Rocha (PA) e Regina Sousa (PI), perfazendo uma bancada de seis senadores.
Mas o PSL não ficou atrás, elegendo três governadores: Comandante Moisés, em Santa Catarina, Coronel Marcos Rocha, em Rondônia, e Antonio Denarium, em Roraima. E uma bancada de quatro senadores: Juíza Selma Arruda (MT), Soraya Thronicke (MS), Flávio Bolsonaro (RJ) e Major Olímpio (SP), este um campeão de votos, com 9 milhões de eleitores.
O PSL, como partido do governo eleito, lembra aquele PRN de Fernando Collor, que se tornou na eleição de 1990, no primeiro ano do governo do presidente alagoano, um dos maiores partidos nacionais. Desinchou da mesma forma de inchou: era o Partido da Juventude, rebatizado, que Collor transformou na quinta maior força do Congresso, com 40 deputados e dois senadores, um deles o ex-deputado federal Albano Franco. Hoje é um modesto PTC, com apenas 2 deputados federais eleitos.
É esperado que o PT, ao lado do PSB, PDT e PCdoB, além do PSOL e da Rede, e talvez o PROS, façam uma oposição dura e barulhenta, mas esses partidos, juntos, terão 144 deputados (se é que todos trabalharão realmente unidos), mas isso é bem menos do que os 171 necessários para formar um terço da Câmara.
Portanto, o PSL e os mais de 20 partidos que deverão estar aliados terão ampla vantagem na aprovação dos seus projetos na Câmara. No Senado a situação será parecida: o PT e aliados terão 18 votos dos 81 do plenário - contando os 5 da REDE mais um do PROS. A maioria dos governadores também estará ao lado dele.
Então a vontade de atropelar vai ser grande, diante da fome de poder dos que chegaram para comandar o país. Será uma tarefa árdua e exigirá muito do PT, que terá a oportunidade de se reconstruir, porque não está morto. 

Marcos Cardoso

"Vamos banir os vermelhos", "vamos fuzilar a petralhada"... Se o presidente eleito Jair Bolsonaro recorreu apenas a figuras de linguagem para dizer que ia acabar com o PT, ele não conseguiu. O PT, o partido mais orgânico e de maior apelo popular do Brasil, acaba de dar uma demonstração de resistência. Está ferido, mas sobreviveu.
Mesmo com todo o desgaste da onda antipetista que ganhou corpo há quatro anos e que, inclusive, contribuiu com a vitória consagradora da direita de Bolsonaro, o PT não só sobreviveu, como proporcionou a um candidato a presidente quase desconhecido obter 47 milhões de votos, e ainda sair da eleição ostentando a posição de maior partido político nacional.
Em 2019, o PT vai se manter como o partido de maior bancada na Câmara Federal, 56 deputados eleitos, apesar de ter perdido 13 cadeiras em relação ao número de eleitos em 2014. O seu tradicional rival PSDB perdeu 25 vagas, elegendo 29 deputados federais agora. E o sempre bem nutrido MDB dessa vez emagreceu 32 deputados, elegendo 34.
Quem se deu muito bem foi o quase desconhecido PSL, o partido do presidente eleito, que saltou de um para 52 representantes na Câmara Federal, aparecendo com a segunda maior bancada na casa.
O PT fez o maior número de governadores, quatro: Rui Costa, na Bahia, Wellington Dias, no Piauí, Camilo Santana, no Ceará, e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte. E também fez quatro senadores: Rogério Carvalho (SE) terá a experiente companhia de Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE) e Paulo Paim (RS), além dos dois do partido que permanecem mais quatro anos no Senado, Paulo Rocha (PA) e Regina Sousa (PI), perfazendo uma bancada de seis senadores.
Mas o PSL não ficou atrás, elegendo três governadores: Comandante Moisés, em Santa Catarina, Coronel Marcos Rocha, em Rondônia, e Antonio Denarium, em Roraima. E uma bancada de quatro senadores: Juíza Selma Arruda (MT), Soraya Thronicke (MS), Flávio Bolsonaro (RJ) e Major Olímpio (SP), este um campeão de votos, com 9 milhões de eleitores.
O PSL, como partido do governo eleito, lembra aquele PRN de Fernando Collor, que se tornou na eleição de 1990, no primeiro ano do governo do presidente alagoano, um dos maiores partidos nacionais. Desinchou da mesma forma de inchou: era o Partido da Juventude, rebatizado, que Collor transformou na quinta maior força do Congresso, com 40 deputados e dois senadores, um deles o ex-deputado federal Albano Franco. Hoje é um modesto PTC, com apenas 2 deputados federais eleitos.
É esperado que o PT, ao lado do PSB, PDT e PCdoB, além do PSOL e da Rede, e talvez o PROS, façam uma oposição dura e barulhenta, mas esses partidos, juntos, terão 144 deputados (se é que todos trabalharão realmente unidos), mas isso é bem menos do que os 171 necessários para formar um terço da Câmara.
Portanto, o PSL e os mais de 20 partidos que deverão estar aliados terão ampla vantagem na aprovação dos seus projetos na Câmara. No Senado a situação será parecida: o PT e aliados terão 18 votos dos 81 do plenário - contando os 5 da REDE mais um do PROS. A maioria dos governadores também estará ao lado dele.
Então a vontade de atropelar vai ser grande, diante da fome de poder dos que chegaram para comandar o país. Será uma tarefa árdua e exigirá muito do PT, que terá a oportunidade de se reconstruir, porque não está morto.