O tropel dos cascos enfeitados

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50 anos de sucesso
50 anos de sucesso

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Publicada em 06/11/2018 às 05:31:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ninguém jamais sa-
berá de um elogio- 
meu ao trabalho de Adauto Machado. Nada pessoal. Simples questão de sensibilidade. O sucesso do pintor, conquistado no lombo majestoso de incontáveis cavalos, o tropel dos cascos enfeitados, recolheu o provinciano gosto local a uma espécie de estábulo. Belas como um poema parnasiano, as telas assinadas pelo artista reduzem toda intenção a mera paisagem.
A ilusão da forma perfeita é capaz de cegar, implacável como o sol de meio dia. A julgar pela trajetória bem sucedida de Adauto Machado, por exemplo, não há animal, habitação ou canoa encalhada à beira mar cujo fim seja outro, além de lhe servir de modelo. Em sua pintura, não há janela aberta a sugestões, acidentes, nenhuma experiência proposta. Para ele, o mundo inteiro é feito natureza morta, a onda quebra estática.
Também pudera. Adauto pinta para pessoas de bom gosto, gente fina, educada, sem nenhuma razão para se admirar com linhas tortas, cores berrantes, perspectivas deformadas. Não à toa, a Galeria de Arte J Inácio foi inaugurada com uma mostra individual do artista, sem qualquer espécie de concorrência pública. Na ocasião, foi reafirmado um padrão estético: Nestas praias, admite-se o belo e o folclore. Todo o resto é ocupação sem proveito, própria dos degenerados.
Longe de mim, a ousadia de apontar o motivo adequado às paredes de uma galeria, as telas dignas do acervo público, à altura das coleções particulares. Impossível negar, contudo, certa indisposição na apreciação dos valores artísticos emergentes. De outro modo, os traços harmoniosos de um casario o mais singelo não cansariam ainda hoje a vista gasta dos colunáveis locais. Mesmo depois de 50 anos, caindo de velho, idealizado.

Ninguém jamais sa- berá de um elogio-  meu ao trabalho de Adauto Machado. Nada pessoal. Simples questão de sensibilidade. O sucesso do pintor, conquistado no lombo majestoso de incontáveis cavalos, o tropel dos cascos enfeitados, recolheu o provinciano gosto local a uma espécie de estábulo. Belas como um poema parnasiano, as telas assinadas pelo artista reduzem toda intenção a mera paisagem.
A ilusão da forma perfeita é capaz de cegar, implacável como o sol de meio dia. A julgar pela trajetória bem sucedida de Adauto Machado, por exemplo, não há animal, habitação ou canoa encalhada à beira mar cujo fim seja outro, além de lhe servir de modelo. Em sua pintura, não há janela aberta a sugestões, acidentes, nenhuma experiência proposta. Para ele, o mundo inteiro é feito natureza morta, a onda quebra estática.
Também pudera. Adauto pinta para pessoas de bom gosto, gente fina, educada, sem nenhuma razão para se admirar com linhas tortas, cores berrantes, perspectivas deformadas. Não à toa, a Galeria de Arte J Inácio foi inaugurada com uma mostra individual do artista, sem qualquer espécie de concorrência pública. Na ocasião, foi reafirmado um padrão estético: Nestas praias, admite-se o belo e o folclore. Todo o resto é ocupação sem proveito, própria dos degenerados.
Longe de mim, a ousadia de apontar o motivo adequado às paredes de uma galeria, as telas dignas do acervo público, à altura das coleções particulares. Impossível negar, contudo, certa indisposição na apreciação dos valores artísticos emergentes. De outro modo, os traços harmoniosos de um casario o mais singelo não cansariam ainda hoje a vista gasta dos colunáveis locais. Mesmo depois de 50 anos, caindo de velho, idealizado.