Precisamos falar sobre a Secult

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Neu Fontes fez o artista sergipano comer o pão que o diabo amassou
Neu Fontes fez o artista sergipano comer o pão que o diabo amassou

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Publicada em 06/11/2018 às 23:49:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A reforma administra-
tiva anunciada pelo 
governador Belivaldo Chagas, tendo em vista a urgência de um ajuste fiscal, oferece oportunidade de ouro para uma reflexão sobre a gestão da sensibilidade nativa. Nos últimos anos, a Secretaria de Estado da Cultura pouco fez, além de distribuir certificados em cerimônias cafonas, confinadas entre quatro paredes. Ninguém sabe se faltou dinheiro, competência ou disposição para pintar o sete. O certo é que a turma de Neu Fontes fez o artista sergipano comer o pão que o diabo amassou.
Em primeiro lugar, é preciso admitir o óbvio: João Augusto Gama jamais assumiu a Secult de fato. O arranjo tornado público com a sua nomeação faz pensar na secretaria como uma espécie de cabide político, com o fim de oferecer o consolo de uma posição bem remunerada a aliados de pouco prestígio, desprovido de qualquer função estratégica na administração estadual.
Mas a Secult pode fazer muito mais. Basta adotar a missão de aproximar os agentes da cultura local de sua própria gente, em acerto de contas tardio. Desse modo, as praças estariam cheias de animação, os muros do centro histórico de Aracaju estariam cobertos de cores, o interior do estado seria de novo o berço das tradições locais. 
Medidas simples, como a elaboração de uma agenda em proveito da ocupação artística do Centro de Criatividade, por exemplo, não exigem o aporte de grandes somas, como é o caso dos chamados grandes eventos, e têm o benefício de transformar a percepção coletiva sobre o verdadeiro espírito do lugar Serigy.
Precisamos falar sobre a Secult. Do modo acanhado como funciona hoje, a secretaria não deixaria saudades em ninguém. Pergunte-se nas alturas da Caixa D'água, cume de sensibilidade; Investigue-se nas lonjuras da Mussuca. O aparelho cultural do estado é mantido a pão e água, sem a alegria de um sopro de vida. E foi nesse balança mas não cai, um edital cala boca aqui, outro ali, que os tambores nativos perderam a voz, a ponto de hoje soarem estranhos a sua própria gente.

A reforma administra- tiva anunciada pelo  governador Belivaldo Chagas, tendo em vista a urgência de um ajuste fiscal, oferece oportunidade de ouro para uma reflexão sobre a gestão da sensibilidade nativa. Nos últimos anos, a Secretaria de Estado da Cultura pouco fez, além de distribuir certificados em cerimônias cafonas, confinadas entre quatro paredes. Ninguém sabe se faltou dinheiro, competência ou disposição para pintar o sete. O certo é que a turma de Neu Fontes fez o artista sergipano comer o pão que o diabo amassou.
Em primeiro lugar, é preciso admitir o óbvio: João Augusto Gama jamais assumiu a Secult de fato. O arranjo tornado público com a sua nomeação faz pensar na secretaria como uma espécie de cabide político, com o fim de oferecer o consolo de uma posição bem remunerada a aliados de pouco prestígio, desprovido de qualquer função estratégica na administração estadual.
Mas a Secult pode fazer muito mais. Basta adotar a missão de aproximar os agentes da cultura local de sua própria gente, em acerto de contas tardio. Desse modo, as praças estariam cheias de animação, os muros do centro histórico de Aracaju estariam cobertos de cores, o interior do estado seria de novo o berço das tradições locais. 
Medidas simples, como a elaboração de uma agenda em proveito da ocupação artística do Centro de Criatividade, por exemplo, não exigem o aporte de grandes somas, como é o caso dos chamados grandes eventos, e têm o benefício de transformar a percepção coletiva sobre o verdadeiro espírito do lugar Serigy.
Precisamos falar sobre a Secult. Do modo acanhado como funciona hoje, a secretaria não deixaria saudades em ninguém. Pergunte-se nas alturas da Caixa D'água, cume de sensibilidade; Investigue-se nas lonjuras da Mussuca. O aparelho cultural do estado é mantido a pão e água, sem a alegria de um sopro de vida. E foi nesse balança mas não cai, um edital cala boca aqui, outro ali, que os tambores nativos perderam a voz, a ponto de hoje soarem estranhos a sua própria gente.