Edvaldo perdeu o tempo da bola

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Publicada em 13/11/2018 às 06:01:00

 

* Rômulo Rodrigues
Na política, existe uma lógica que é a de, quando necessário e se tem competência, falar o que se tem receio de dizer, pela boca de outrem, assim como foi falado numa análise jornalística quinta-feira, com todas as pegadas deixadas, sem muita questão de disfarçar.
Essa é a ciência do jogo político. Já a arte, é fazer e não deixar tão exposta a encomenda. Antes de entrar no mérito de externar minha opinião no que ficou exposto no "Risco de oposição entre aliados"; vale recorrer ao sábio Aristóteles:
1 - para um homenageado, o importante não é receber a comenda; é merecê-la. 2-  o valor ético de construção da felicidade; reconhecendo e retribuindo aos que estão ao redor, tornando-se uma pessoa virtuosa, reconhecida e não arrogante. Ou seja; não cultivar o viver bem, só para si.
Assim sendo, o homenageado, ao receber por três vezes, pelas mãos do Partido dos Trabalhadores, a Prefeitura Municipal de Aracaju; faz questão de ofuscar o merecimento.
Até o dia 25 de Junho de 2000, Edvaldo Nogueira, era reconhecidamente um bom quadro político porém, totalmente alijado do grande debate na sociedade; não tinha grande expressão.
No dia anterior, 24, na casa de Zé Eduardo, ao constatar que o PT só tinha como aliados o PCB e o PSTU, o pré-candidato Marcelo Deda fez um apelo republicano para que as portas fossem abertas ao PC do B, de namoro firme com Almeida Lima, oferecendo-lhe a vaga de vice na chapa, construindo, a partir daí, uma aliança de convivência em contraposição à velha prática de aliança de conveniência.
Na eleição seguinte; houve um movimento forte para que a vice fosse dada ao PT, porque era imperativo que Deda renunciaria em 2006, deixando um mandato de 33 meses de governo para o sucessor.
O PT foi sacudido por uma crise muito forte, que só foi resolvida no início do mês de Junho, num almoço no Bairro Industrial, que pode ser catalogado como: "O dia em que Deda chorou", quando foi alertado que ele entregaria todo um legado para alguém que; pacientemente, agiria para tirar o PT do protagonismo político do Estado.
Veio a eleição de 2006, para Governador, Deda ganhou e, no primeiro ato público, no Palácio Inácio Barbosa, início de Fevereiro de 2007; disse em tom de quem mandava e sabia ser obedecido: meu candidato a prefeito de Aracaju, em 2008, será Edvaldo Nogueira e, quem for contra ele, estará sendo contra mim.
Edvaldo presente, não ficou de semblante carregado, nem disse depois que tinha que cuidar primeiro de Aracaju como está dizendo agora. Pode isso, Dr. Aristóteles?
A reeleição de Edvaldo, com um vice do PT, em 2008, foi um passeio, muito em virtude do planejamento montado por Deda num moderno e ambicioso projeto "Aracaju + 10".
A partir daí, Edvaldo foi montando seu xadrez de se construir como futuro condutor do grupo progressista, tendo como foco, tirar o PT do seu caminho.
Quando sentiu a fragilidade física do nosso grande líder, desenvolveu sua tese de que só seria competitivo se, ao deixar o comando da Capital, o campo progressista tivesse perdido a eleição para João Alves e ele retornasse após a catástrofe; como o nome ideal para retornar o projeto que dera certo.
Já nas manifestações de Junho de 2013, ficou calado e não se manifestou, assim como fez em todo o processo do Impeachment onde, inclusive a militância do seu partido cumpriu um papel de vanguarda, na defesa da Democracia.
Edvaldo tal e qual, agentes do mercado financeiro, ficou de atalaia, observando o sobe e desce das ações, para fazer seu lance.
Chegou a oportunidade em 2016 e, conforme esperava, era a alternativa do grupo e as arestas foram aparadas com ele, bom ator, calçando as sandálias da humildade e jurando que havia mudado e não cometeria os erros da arrogância e da petulância, colocando em prática o que ensinou Aristóteles sobre a bondade como sentido da ética.
Na eleição de agora, no afã de excluir Rogério dos projetos futuros, focou na sua derrota, com uma análise simplificada de que, derrotando-o, tirava o PT do seu caminho. E aí, cometeu seu segundo erro, trocando o apoio em Valadares Filho em 2012 pelo apoio a André Moura em 2018. A Metodologia foi a mesma só que, não tem mais a desculpa de outrora de que tudo foi feito com a aquiescência de Marcelo Deda.
Perdeu e, perdeu feio; seus candidatos proporcionais tiveram votações bem abaixo do esperado, seu Senador de direita perdeu e ainda deixou a impressão de não ter apoiado Haddad, que tinha uma vice do seu partido.
O seu dilema hoje, é que o PC do B não atingiu a cláusula de barreira, deixando uma pista cheia de obstáculo para as futuras maratonas.
Enquanto isso, Rogério Carvalho, alvo escolhido para lançamentos de seus mísseis teleguiados; até pelos ataques sofridos durante os últimos seis anos, mostrou uma Resiliência que nenhum outro político em Sergipe tem.
Edvaldo pode até não perder mais que suas amarras, mas, quem tem um mundo a ganhar, é Rogério.
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

Na política, existe uma lógica que é a de, quando necessário e se tem competência, falar o que se tem receio de dizer, pela boca de outrem, assim como foi falado numa análise jornalística quinta-feira, com todas as pegadas deixadas, sem muita questão de disfarçar.
Essa é a ciência do jogo político. Já a arte, é fazer e não deixar tão exposta a encomenda. Antes de entrar no mérito de externar minha opinião no que ficou exposto no "Risco de oposição entre aliados"; vale recorrer ao sábio Aristóteles:
1 - para um homenageado, o importante não é receber a comenda; é merecê-la. 2-  o valor ético de construção da felicidade; reconhecendo e retribuindo aos que estão ao redor, tornando-se uma pessoa virtuosa, reconhecida e não arrogante. Ou seja; não cultivar o viver bem, só para si.
Assim sendo, o homenageado, ao receber por três vezes, pelas mãos do Partido dos Trabalhadores, a Prefeitura Municipal de Aracaju; faz questão de ofuscar o merecimento.
Até o dia 25 de Junho de 2000, Edvaldo Nogueira, era reconhecidamente um bom quadro político porém, totalmente alijado do grande debate na sociedade; não tinha grande expressão.
No dia anterior, 24, na casa de Zé Eduardo, ao constatar que o PT só tinha como aliados o PCB e o PSTU, o pré-candidato Marcelo Deda fez um apelo republicano para que as portas fossem abertas ao PC do B, de namoro firme com Almeida Lima, oferecendo-lhe a vaga de vice na chapa, construindo, a partir daí, uma aliança de convivência em contraposição à velha prática de aliança de conveniência.
Na eleição seguinte; houve um movimento forte para que a vice fosse dada ao PT, porque era imperativo que Deda renunciaria em 2006, deixando um mandato de 33 meses de governo para o sucessor.
O PT foi sacudido por uma crise muito forte, que só foi resolvida no início do mês de Junho, num almoço no Bairro Industrial, que pode ser catalogado como: "O dia em que Deda chorou", quando foi alertado que ele entregaria todo um legado para alguém que; pacientemente, agiria para tirar o PT do protagonismo político do Estado.
Veio a eleição de 2006, para Governador, Deda ganhou e, no primeiro ato público, no Palácio Inácio Barbosa, início de Fevereiro de 2007; disse em tom de quem mandava e sabia ser obedecido: meu candidato a prefeito de Aracaju, em 2008, será Edvaldo Nogueira e, quem for contra ele, estará sendo contra mim.
Edvaldo presente, não ficou de semblante carregado, nem disse depois que tinha que cuidar primeiro de Aracaju como está dizendo agora. Pode isso, Dr. Aristóteles?
A reeleição de Edvaldo, com um vice do PT, em 2008, foi um passeio, muito em virtude do planejamento montado por Deda num moderno e ambicioso projeto "Aracaju + 10".
A partir daí, Edvaldo foi montando seu xadrez de se construir como futuro condutor do grupo progressista, tendo como foco, tirar o PT do seu caminho.
Quando sentiu a fragilidade física do nosso grande líder, desenvolveu sua tese de que só seria competitivo se, ao deixar o comando da Capital, o campo progressista tivesse perdido a eleição para João Alves e ele retornasse após a catástrofe; como o nome ideal para retornar o projeto que dera certo.
Já nas manifestações de Junho de 2013, ficou calado e não se manifestou, assim como fez em todo o processo do Impeachment onde, inclusive a militância do seu partido cumpriu um papel de vanguarda, na defesa da Democracia.
Edvaldo tal e qual, agentes do mercado financeiro, ficou de atalaia, observando o sobe e desce das ações, para fazer seu lance.
Chegou a oportunidade em 2016 e, conforme esperava, era a alternativa do grupo e as arestas foram aparadas com ele, bom ator, calçando as sandálias da humildade e jurando que havia mudado e não cometeria os erros da arrogância e da petulância, colocando em prática o que ensinou Aristóteles sobre a bondade como sentido da ética.
Na eleição de agora, no afã de excluir Rogério dos projetos futuros, focou na sua derrota, com uma análise simplificada de que, derrotando-o, tirava o PT do seu caminho. E aí, cometeu seu segundo erro, trocando o apoio em Valadares Filho em 2012 pelo apoio a André Moura em 2018. A Metodologia foi a mesma só que, não tem mais a desculpa de outrora de que tudo foi feito com a aquiescência de Marcelo Deda.
Perdeu e, perdeu feio; seus candidatos proporcionais tiveram votações bem abaixo do esperado, seu Senador de direita perdeu e ainda deixou a impressão de não ter apoiado Haddad, que tinha uma vice do seu partido.
O seu dilema hoje, é que o PC do B não atingiu a cláusula de barreira, deixando uma pista cheia de obstáculo para as futuras maratonas.
Enquanto isso, Rogério Carvalho, alvo escolhido para lançamentos de seus mísseis teleguiados; até pelos ataques sofridos durante os últimos seis anos, mostrou uma Resiliência que nenhum outro político em Sergipe tem.
Edvaldo pode até não perder mais que suas amarras, mas, quem tem um mundo a ganhar, é Rogério.

* Rômulo Rodrigues é militante político