A víbora manda lembranças

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O maior repórter do Brasil
O maior repórter do Brasil

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Publicada em 14/11/2018 às 09:26:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O maior repórter do 
Brasil foi um sergipa
no. Joel Silveira, o nome da criatura. Apelidado "víbora" pelo todo poderoso dos Diários Associados, o controverso Assis Chateubriand em pessoa, o escriba recompensou a pouca idade com malícia de sobra, fazendo por merecer título e fama. 
As incontáveis crônicas, artigos e matérias assinadas por Joel Silveira surpreenderam o País se equilibrando entre lapsos de vertigens sucessivas. E sugerem que o exercício do jornalismo também consiste em construção narrativa. Por isso a exposição realizada pela galerista e museóloga Sayonara Viana, na biblioteca da Universidade Tirandentes (Campus Farolândia, até 15 de dezembro). Em sua obra, uma manifestação de gênio.
A Unit recebeu o acervo pessoal de Joel Silveira, justamente no ano de seu centenário, uma doação de sua família. Estão lá a biblioteca imensa; bilhetes manuscritos, cheios de afeto, endereçados por gigantes da estatura de Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga e Di Cavalcante; fotografias capturadas em momento de intimidade. Em cada peça, revela-se o homem por trás da lenda, na esperança de despertar a curiosidade dos estudantes.
Que assim seja, portanto. Para quem, como eu, chegou depois de a banda passar, falar de Joel é evocar os seus livros. Joel Silveira, Fernando Sávio, João do Rio... Os melhores amigos, só os conheci por escrito.
Na ponta dos dedos amarelados - Joel Silveira não gostava de Caetano, mas foi numa música do compositor baiano que eu encontrei a melhor definição para o sentimento preservado entre as páginas dos livros, como um trevo desidratado que um dia há de trazer sorte - o amor devotado aos maços de cigarros.
A leitura é, de fato, como nicotina. Não deixa ninguém impune. O leitor se entrega no hálito, na ponta dos dedos amarelados. Mesmo quando se trata de um jornalismo tão bom que nem combina com nossos dias, como no caso dos labirintos iluminados pelas palavras de João do Rio, a leitura escraviza.
É também o efeito provocado pelo trabalho do próprio Joel Silveira. Se eu fosse um estudante de jornalismo entediado, obrigado ao falatório de professores que nunca bateram ponto numa redação, matava aula todos os dias, aos pés de uma árvore, até ler todos os livros da víbora. No fim das contas, um tanto de veneno não faz mal a ninguém.

O maior repórter do  Brasil foi um sergipa no. Joel Silveira, o nome da criatura. Apelidado "víbora" pelo todo poderoso dos Diários Associados, o controverso Assis Chateubriand em pessoa, o escriba recompensou a pouca idade com malícia de sobra, fazendo por merecer título e fama. 
As incontáveis crônicas, artigos e matérias assinadas por Joel Silveira surpreenderam o País se equilibrando entre lapsos de vertigens sucessivas. E sugerem que o exercício do jornalismo também consiste em construção narrativa. Por isso a exposição realizada pela galerista e museóloga Sayonara Viana, na biblioteca da Universidade Tirandentes (Campus Farolândia, até 15 de dezembro). Em sua obra, uma manifestação de gênio.
A Unit recebeu o acervo pessoal de Joel Silveira, justamente no ano de seu centenário, uma doação de sua família. Estão lá a biblioteca imensa; bilhetes manuscritos, cheios de afeto, endereçados por gigantes da estatura de Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga e Di Cavalcante; fotografias capturadas em momento de intimidade. Em cada peça, revela-se o homem por trás da lenda, na esperança de despertar a curiosidade dos estudantes.
Que assim seja, portanto. Para quem, como eu, chegou depois de a banda passar, falar de Joel é evocar os seus livros. Joel Silveira, Fernando Sávio, João do Rio... Os melhores amigos, só os conheci por escrito.
Na ponta dos dedos amarelados - Joel Silveira não gostava de Caetano, mas foi numa música do compositor baiano que eu encontrei a melhor definição para o sentimento preservado entre as páginas dos livros, como um trevo desidratado que um dia há de trazer sorte - o amor devotado aos maços de cigarros.
A leitura é, de fato, como nicotina. Não deixa ninguém impune. O leitor se entrega no hálito, na ponta dos dedos amarelados. Mesmo quando se trata de um jornalismo tão bom que nem combina com nossos dias, como no caso dos labirintos iluminados pelas palavras de João do Rio, a leitura escraviza.
É também o efeito provocado pelo trabalho do próprio Joel Silveira. Se eu fosse um estudante de jornalismo entediado, obrigado ao falatório de professores que nunca bateram ponto numa redação, matava aula todos os dias, aos pés de uma árvore, até ler todos os livros da víbora. No fim das contas, um tanto de veneno não faz mal a ninguém.