Sergipe ficará sem 96 médicos cubanos

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 17/11/2018 às 06:54:00

 

Milton Alves Júnior
O fim do Programa 
Mais Médicos anun
ciado oficialmente essa semana pelo Governo de Cuba e pelo presidente eleito Jair Messias Bolsonaro tem gerado impaciência aos usuários do Sistema Único de Saúde em todas as regiões do Estado de Sergipe. A aflição coletiva ocorre em virtude da redução de 96 profissionais da medicina que há mais de dois anos realizavam diariamente consultas em unidades básicas de saúde. Diante do impasse administrativo entre os países, o governo cubano solicitou que todos os médicos cadastrados neste programa suspendam as atividades e retornem ao país de origem no máximo até o Natal, dia 25 de dezembro.
Para a população mais carente, diante do fim do Mais Médicos, a perspectiva para os próximos anos é de dificuldade na hora de buscar assistência médica. Uma contabilidade apresentada pelo Governo do Estado de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mostra que ao menos 600 mil sergipanos sejam prejudicados diretamente com a medida adotada por Bolsonaro antes mesmo de assumir o poder executivo federal. Dos 75 municípios sergipanos, 35 são beneficiados diretamente pelo programa criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Por se tratar de um sistema público, essas cidades recebem moradores de outros municípios, os quais buscam atendimento.
Se mostrando preocupado com o assunto, na manhã de ontem o governador Belivaldo Chagas se reuniu com o secretário de estado da saúde, o médico Valberto de Oliveira Lima, com a proposta de acompanhar com riqueza de detalhes o impacto social a ser aplicado aos pacientes do SUS com o fim do programa nacional. Apesar do cenário de transição de governo, o presidente Michel Temer já de 'malas prontas' para deixar o comando administrativo da nação, anunciou na última quarta-feira, 24, que pretende anunciar um edital em caráter extraordinário com o objetivo de recompor imediatamente as vagas dos médicos cubanos.
 "Nós possuímos municípios que contam hoje com oito equipes de atendimento às famílias; cada uma dessas equipes possuem pelo menos um médico com formação acadêmica em Cuba e que vêm realizando um trabalho extraordinário. O anúncio do fim do Mais Médicos não gera preocupação apenas aos usuários do SUS, mas também ao Governo de Sergipe que busca dia e noite qualificar a assistência básica em todos os municípios do Estado. A reunião dessa sexta-feira também ocorreu para estudar essa situação", declarou ao Jornal do Dia o coordenador de comunicação da SES, André Carvalho.
Aos que acreditam em uma reviravolta de cenários, é preciso redobrar a fé, já que, desde a manhã da última quinta-feira, 15, dezenas de profissionais começaram a atender ao pedido do governo cubano e deixaram o Brasil. O início do conflito ocorreu após Cuba lamentar que Bolsonaro e a respectiva equipe tenham posto em questão a preparação profissional dos médicos cubanos. Em nota o governo do país caribenho informou: "Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos. Os povos da nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais".
Ainda em comunicado oficial o Ministério da Saúde Pública de Cuba lamentou: "o povo brasileiro, que fez do programa Mais Médicos uma conquista social, que teve confiança desde o início nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que eles o atenderam, e será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade naquele país". Apesar de o programa acabar esta semana, o conflito entre Cuba e Bolsonaro se arrasta desde o início do período eleitoral quando o então presidenciável líder do PSC declarou:
 "Vamos expulsar com o Revalida os cubanos do Brasil. Nós não podemos botar gente de Cuba aqui sem o mínimo de comprovação de que eles realmente saibam o exercício da profissão. Você não pode, só porque o pobre que é atendido por eles, botar pessoas que talvez não tenham qualificação para tal". De volta ao cenário local, a Secretaria de Saúde afirmou que o momento requer paciência para descobrir quais medidas serão adotadas pelo Governo Federal. "Estamos acompanhando os desdobramentos na esperança de não deixar faltar médico aos sergipanos. A saída de 96 - repito: excelentes profissionais, do nosso quadro funcional, representará uma baixa mais que preocupante para todos os dependentes do SUS", pontuou André Carvalho.

O fim do Programa  Mais Médicos anun ciado oficialmente essa semana pelo Governo de Cuba e pelo presidente eleito Jair Messias Bolsonaro tem gerado impaciência aos usuários do Sistema Único de Saúde em todas as regiões do Estado de Sergipe. A aflição coletiva ocorre em virtude da redução de 96 profissionais da medicina que há mais de dois anos realizavam diariamente consultas em unidades básicas de saúde. Diante do impasse administrativo entre os países, o governo cubano solicitou que todos os médicos cadastrados neste programa suspendam as atividades e retornem ao país de origem no máximo até o Natal, dia 25 de dezembro.
Para a população mais carente, diante do fim do Mais Médicos, a perspectiva para os próximos anos é de dificuldade na hora de buscar assistência médica. Uma contabilidade apresentada pelo Governo do Estado de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mostra que ao menos 600 mil sergipanos sejam prejudicados diretamente com a medida adotada por Bolsonaro antes mesmo de assumir o poder executivo federal. Dos 75 municípios sergipanos, 35 são beneficiados diretamente pelo programa criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Por se tratar de um sistema público, essas cidades recebem moradores de outros municípios, os quais buscam atendimento.
Se mostrando preocupado com o assunto, na manhã de ontem o governador Belivaldo Chagas se reuniu com o secretário de estado da saúde, o médico Valberto de Oliveira Lima, com a proposta de acompanhar com riqueza de detalhes o impacto social a ser aplicado aos pacientes do SUS com o fim do programa nacional. Apesar do cenário de transição de governo, o presidente Michel Temer já de 'malas prontas' para deixar o comando administrativo da nação, anunciou na última quarta-feira, 24, que pretende anunciar um edital em caráter extraordinário com o objetivo de recompor imediatamente as vagas dos médicos cubanos.
 "Nós possuímos municípios que contam hoje com oito equipes de atendimento às famílias; cada uma dessas equipes possuem pelo menos um médico com formação acadêmica em Cuba e que vêm realizando um trabalho extraordinário. O anúncio do fim do Mais Médicos não gera preocupação apenas aos usuários do SUS, mas também ao Governo de Sergipe que busca dia e noite qualificar a assistência básica em todos os municípios do Estado. A reunião dessa sexta-feira também ocorreu para estudar essa situação", declarou ao Jornal do Dia o coordenador de comunicação da SES, André Carvalho.
Aos que acreditam em uma reviravolta de cenários, é preciso redobrar a fé, já que, desde a manhã da última quinta-feira, 15, dezenas de profissionais começaram a atender ao pedido do governo cubano e deixaram o Brasil. O início do conflito ocorreu após Cuba lamentar que Bolsonaro e a respectiva equipe tenham posto em questão a preparação profissional dos médicos cubanos. Em nota o governo do país caribenho informou: "Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos. Os povos da nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais".
Ainda em comunicado oficial o Ministério da Saúde Pública de Cuba lamentou: "o povo brasileiro, que fez do programa Mais Médicos uma conquista social, que teve confiança desde o início nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que eles o atenderam, e será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade naquele país". Apesar de o programa acabar esta semana, o conflito entre Cuba e Bolsonaro se arrasta desde o início do período eleitoral quando o então presidenciável líder do PSC declarou:
 "Vamos expulsar com o Revalida os cubanos do Brasil. Nós não podemos botar gente de Cuba aqui sem o mínimo de comprovação de que eles realmente saibam o exercício da profissão. Você não pode, só porque o pobre que é atendido por eles, botar pessoas que talvez não tenham qualificação para tal". De volta ao cenário local, a Secretaria de Saúde afirmou que o momento requer paciência para descobrir quais medidas serão adotadas pelo Governo Federal. "Estamos acompanhando os desdobramentos na esperança de não deixar faltar médico aos sergipanos. A saída de 96 - repito: excelentes profissionais, do nosso quadro funcional, representará uma baixa mais que preocupante para todos os dependentes do SUS", pontuou André Carvalho.