Educação "Uber"

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Publicada em 21/11/2018 às 06:09:00

 

As mudanças em curso na educa
ção brasileira são exemplares de 
uma incongruência flagrante: propostas e implementadas pelo governo Michel Temer, reprovado pela maioria esmagadora da população, com redundância e tudo, têm a bênção do presidente eleito Jair Bolsonaro, consagrado por voto popular no pleito de outubro. À primeira vista, não faz o menor sentido.
As diretrizes homologadas ontem pelo Ministério da Educação oferecem uma resposta simples para um problema muito complexo, confundindo o necessário investimento na formação dos brasileiros com simples custo. Trata-se, em suma, de "uberizar" o ensino médio, para usar uma expressão corrente, autorizando o ensino a distância, por intermédio do computador.
De acordo com o texto aprovado no início de novembro, em cursos diurnos de ensino médio o aluno poderá cumprir até 20% da carga horária a distância. No noturno, o percentual chega a 30%. Na modalidade de EJA (Educação para Jovens e Adultos), focada naqueles que não se formaram em idade escolar, até 80% das aulas podem agora ser tomadas de forma não presencial.
Curiosamente, embora tenha sido eleito com a promessa de se opor a tudo e todos, capitalizando uma justificável ojeriza ao exercício político, o presidente eleito Jair Bolsonaro já defendeu a ideia de levar a educação a distância para alunos ainda mais novos como forma de "combater o marxismo". Aparentemente, improviso e parolagem à parte, a sua política é de continuidade, essencialmente afinada com o governo mais impopular da história do Brasil.

As mudanças em curso na educa ção brasileira são exemplares de  uma incongruência flagrante: propostas e implementadas pelo governo Michel Temer, reprovado pela maioria esmagadora da população, com redundância e tudo, têm a bênção do presidente eleito Jair Bolsonaro, consagrado por voto popular no pleito de outubro. À primeira vista, não faz o menor sentido.
As diretrizes homologadas ontem pelo Ministério da Educação oferecem uma resposta simples para um problema muito complexo, confundindo o necessário investimento na formação dos brasileiros com simples custo. Trata-se, em suma, de "uberizar" o ensino médio, para usar uma expressão corrente, autorizando o ensino a distância, por intermédio do computador.
De acordo com o texto aprovado no início de novembro, em cursos diurnos de ensino médio o aluno poderá cumprir até 20% da carga horária a distância. No noturno, o percentual chega a 30%. Na modalidade de EJA (Educação para Jovens e Adultos), focada naqueles que não se formaram em idade escolar, até 80% das aulas podem agora ser tomadas de forma não presencial.
Curiosamente, embora tenha sido eleito com a promessa de se opor a tudo e todos, capitalizando uma justificável ojeriza ao exercício político, o presidente eleito Jair Bolsonaro já defendeu a ideia de levar a educação a distância para alunos ainda mais novos como forma de "combater o marxismo". Aparentemente, improviso e parolagem à parte, a sua política é de continuidade, essencialmente afinada com o governo mais impopular da história do Brasil.