Tom Jobim no olho do furacão

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Rebeca e Ricardo Vieira dedicam um disco inteiro à obra do maestro Tom Jobim
Rebeca e Ricardo Vieira dedicam um disco inteiro à obra do maestro Tom Jobim

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Publicada em 21/11/2018 às 06:27:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O jornalismo não é 
ofício para quem 
gosta de escolher as palavras. Vira e mexe, a urgência dos fatos trai o profissional ocupado nas redações. Bombas explodem todos os dias. Golpes, "revoluções" e presidentes depostos rasgam mapas na América do Sul. Enquanto o repórter corre de um lado pra outro, farejando declarações escandalosas, na cola de todo tipo de gente, a vida acontece no bar da esquina. Mas esta não é nem será nunca a matéria ordinária de um jornal.
A primeira e única concessão à vida em letra de imprensa é ainda a crônica e a crítica cúmplice, tão raras nas ruas de Ará. E, no entanto, para isso existem as páginas de Cultura encartadas nos periódicos. Quando o Duo Vieira resgata o repertório do maestro Tom Jobim, por exemplo, o profissional encarregado do assunto pode parar um pouco e considerar a própria respiração, como fazem os fumantes. Nos cinco minutos de um café, tempo de sobra para se emocionar com uma canção.
Para escrever sobre o exercício artístico é preciso colocar o coração na ponta dos dedos. É preciso perceber a vida latejando nas entrelinhas, localizar o som, o gesto, a cor e o berro no olho do furacão. Agora, mesmo, 'Pérolas para Jobim' me oferece colo e consolo. Se as palavras de ordem ecoando a torto e direito exigem posturas e engajamento nas causas mais justas, Rebeca e Ricardo Vieira respondem a seu modo, com protestos de beleza e imaginação.
Falando nisso... - 'Pérolas para Jobim' é desde já um sucesso. A campanha de financiamento coletivo do disco, encerrada há poucos dias, ultrapassou a meta de arrecadação. Não faltou quem acreditasse no projeto. A expectativa mais razoável foi por fim materializada em um registro impecável, pontuado por rompantes de grande erudição.
Segundo o sete cordas Ricardo Vieira, tudo se resume a uma investigação de natureza lírica. "Nesse projeto, temos o objetivo de expressar, através da nossa fusão, as intenções do compositor, as suas inspirações, desejos e características típicas da música daquele período, bem como o seu apreço pelas belezas naturais da cidade maravilhosa".
Ninguém perde por esperar, portanto. Por obra e graça do Duo Vieira, a paisagem da carioca ganhou contornos de sentidos puros, misturando memória afetiva com a potência de uma música de altura impossível, um depoimento de fé absoluta no amor e na vida, como a dizer: "Minha alma canta!", repetindo os versos imortais do maestro Tom Jobim.
Duo Vieira lança Pérolas para Jobim:
21 de novembro, 19 horas, no Museu da Gente Sergipana.

O jornalismo não é  ofício para quem  gosta de escolher as palavras. Vira e mexe, a urgência dos fatos trai o profissional ocupado nas redações. Bombas explodem todos os dias. Golpes, "revoluções" e presidentes depostos rasgam mapas na América do Sul. Enquanto o repórter corre de um lado pra outro, farejando declarações escandalosas, na cola de todo tipo de gente, a vida acontece no bar da esquina. Mas esta não é nem será nunca a matéria ordinária de um jornal.
A primeira e única concessão à vida em letra de imprensa é ainda a crônica e a crítica cúmplice, tão raras nas ruas de Ará. E, no entanto, para isso existem as páginas de Cultura encartadas nos periódicos. Quando o Duo Vieira resgata o repertório do maestro Tom Jobim, por exemplo, o profissional encarregado do assunto pode parar um pouco e considerar a própria respiração, como fazem os fumantes. Nos cinco minutos de um café, tempo de sobra para se emocionar com uma canção.
Para escrever sobre o exercício artístico é preciso colocar o coração na ponta dos dedos. É preciso perceber a vida latejando nas entrelinhas, localizar o som, o gesto, a cor e o berro no olho do furacão. Agora, mesmo, 'Pérolas para Jobim' me oferece colo e consolo. Se as palavras de ordem ecoando a torto e direito exigem posturas e engajamento nas causas mais justas, Rebeca e Ricardo Vieira respondem a seu modo, com protestos de beleza e imaginação.
Falando nisso... - 'Pérolas para Jobim' é desde já um sucesso. A campanha de financiamento coletivo do disco, encerrada há poucos dias, ultrapassou a meta de arrecadação. Não faltou quem acreditasse no projeto. A expectativa mais razoável foi por fim materializada em um registro impecável, pontuado por rompantes de grande erudição.
Segundo o sete cordas Ricardo Vieira, tudo se resume a uma investigação de natureza lírica. "Nesse projeto, temos o objetivo de expressar, através da nossa fusão, as intenções do compositor, as suas inspirações, desejos e características típicas da música daquele período, bem como o seu apreço pelas belezas naturais da cidade maravilhosa".
Ninguém perde por esperar, portanto. Por obra e graça do Duo Vieira, a paisagem da carioca ganhou contornos de sentidos puros, misturando memória afetiva com a potência de uma música de altura impossível, um depoimento de fé absoluta no amor e na vida, como a dizer: "Minha alma canta!", repetindo os versos imortais do maestro Tom Jobim.
Duo Vieira lança Pérolas para Jobim:
21 de novembro, 19 horas, no Museu da Gente Sergipana.