Em que estágio se encontra o painel da Igreja Católica de Porto da Folha?

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 23/11/2018 às 06:12:00

 

* José Paulino da Silva
  Há alguns meses atrás, na calada da noite, como costumam agir os seres humanos de alma doentia, o painel da Igreja matriz de Porto da Folha/SE sofreu um atentado, sendo destruído parcialmente. Poucos dias depois, foi destruído completamente, em meio aos protestos da comunidade. É evidente que os fiéis daquela Igreja ficaram revoltados com a depredação. A quem interessava cometer um crime contra aquela obra de arte? Por que o painel permaneceu naquela parede desde 1970 e somente agora fora destruído? São indagações que todos temos interesse em desvendar.
Onde estará o processo que apura esse crime contra a cultura e história da arte sacra de Porto da Folha? Até quando teremos de esperar pela resposta e punição dos culpados?
O painel representava cenas da vida do trabalho cotidiano do povo ribeirinho sertanejo, tendo ao centro figuras simbolizando o Espírito Santo e Jesus com um grande coração. Seu autor foi o Frei Juvenal Vieira Bomfim que trabalhou muitos anos naquela freguesia, tornando-se uma pessoa muito querida. O Frei fundamentou sua obra de arte na mensagem cristã das Comunidades Eclesiais de Base. As chamadas CEBs que foram uma das células mais atuantes da pastoral dos direitos dos oprimidos  defendidos pela ala progressista da Igreja Católica na América Latina, que  após o Concílio Vaticano Segundo fizera a opção preferencial pelos pobres.
O painel em questão, representa a época de muita luta da Diocese de Propriá em defesa do povo de Deus, contra os poderosos que não queriam deixar os ribeirinhos cultivarem arroz nas lagoas às margens do baixo São Francisco. O painel tem portanto, um profundo sentido histórico para os fiéis de Porto da Folha. Quando aquelas cenas do cotidiano do povo foram pintadas na parede da Igreja matriz, teve o aval e aplauso do então bispo de Propriá, Dom José Brandão, um dos membros mais respeitados da CNBB.
Mas o que teria motivado a polêmica sobre o painel? É que, segundo se sabe, o padre que foi designado pároco da Igreja vem fazendo uma reforma interna naquele templo. E, além do mais, o mesmo já confessou publicamente não gostar da mensagem representada no painel e que ele teria de ser retirado dali. Provavelmente achou que a tal reforma poderia servir de pretexto para retirar de vez aquelas cenas que nada tem a ver com o "sagrado". Ou mesmo, substituí-las por uma representação mais condizente com a "piedade" cristã. Quis agir à revelia da comunidade cristã da cidade. A reação foi grande. Imaginem se o Papa Francisco não gostasse de algum painel da Capela Sistina, mandasse raspá-lo! 
Neste ínterim, houve a destruição da obra de arte. Justo numa noite em que o padre estava ausente da cidade. A polêmica chegou até ao atual bispo de Propriá no sentido de que ele intervisse a favor da permanência do painel. Mas o Bispo se declarou favorável à destruição do painel. 
Tanto o prelado de Propriá quanto o atual pároco de Porto da Folha, sabem que sua passagem por estas freguesias, serão passageiras. Eles não são obrigados a gostar do painel. Entretanto ambos têm obrigação de preservar aquela obra de arte e respeitar seu significado histórico e artístico. E sobretudo, tem obrigação moral de respeitar a memória dos fiéis da paróquia, dos franciscanos que por ali passaram e, em especial, a memória do ex- titular da diocese de Propriá Dom José Brandão de Castro cujo centenário natalício se comemora este ano quando deveria ser homenageado e não desrespeitado em sua memória como foi o caso.
* José Paulino da Silva é professor emérito da UFS

* José Paulino da Silva

Há alguns meses atrás, na calada da noite, como costumam agir os seres humanos de alma doentia, o painel da Igreja matriz de Porto da Folha/SE sofreu um atentado, sendo destruído parcialmente. Poucos dias depois, foi destruído completamente, em meio aos protestos da comunidade. É evidente que os fiéis daquela Igreja ficaram revoltados com a depredação. A quem interessava cometer um crime contra aquela obra de arte? Por que o painel permaneceu naquela parede desde 1970 e somente agora fora destruído? São indagações que todos temos interesse em desvendar.
Onde estará o processo que apura esse crime contra a cultura e história da arte sacra de Porto da Folha? Até quando teremos de esperar pela resposta e punição dos culpados?
O painel representava cenas da vida do trabalho cotidiano do povo ribeirinho sertanejo, tendo ao centro figuras simbolizando o Espírito Santo e Jesus com um grande coração. Seu autor foi o Frei Juvenal Vieira Bomfim que trabalhou muitos anos naquela freguesia, tornando-se uma pessoa muito querida. O Frei fundamentou sua obra de arte na mensagem cristã das Comunidades Eclesiais de Base. As chamadas CEBs que foram uma das células mais atuantes da pastoral dos direitos dos oprimidos  defendidos pela ala progressista da Igreja Católica na América Latina, que  após o Concílio Vaticano Segundo fizera a opção preferencial pelos pobres.
O painel em questão, representa a época de muita luta da Diocese de Propriá em defesa do povo de Deus, contra os poderosos que não queriam deixar os ribeirinhos cultivarem arroz nas lagoas às margens do baixo São Francisco. O painel tem portanto, um profundo sentido histórico para os fiéis de Porto da Folha. Quando aquelas cenas do cotidiano do povo foram pintadas na parede da Igreja matriz, teve o aval e aplauso do então bispo de Propriá, Dom José Brandão, um dos membros mais respeitados da CNBB.
Mas o que teria motivado a polêmica sobre o painel? É que, segundo se sabe, o padre que foi designado pároco da Igreja vem fazendo uma reforma interna naquele templo. E, além do mais, o mesmo já confessou publicamente não gostar da mensagem representada no painel e que ele teria de ser retirado dali. Provavelmente achou que a tal reforma poderia servir de pretexto para retirar de vez aquelas cenas que nada tem a ver com o "sagrado". Ou mesmo, substituí-las por uma representação mais condizente com a "piedade" cristã. Quis agir à revelia da comunidade cristã da cidade. A reação foi grande. Imaginem se o Papa Francisco não gostasse de algum painel da Capela Sistina, mandasse raspá-lo! 
Neste ínterim, houve a destruição da obra de arte. Justo numa noite em que o padre estava ausente da cidade. A polêmica chegou até ao atual bispo de Propriá no sentido de que ele intervisse a favor da permanência do painel. Mas o Bispo se declarou favorável à destruição do painel. 
Tanto o prelado de Propriá quanto o atual pároco de Porto da Folha, sabem que sua passagem por estas freguesias, serão passageiras. Eles não são obrigados a gostar do painel. Entretanto ambos têm obrigação de preservar aquela obra de arte e respeitar seu significado histórico e artístico. E sobretudo, tem obrigação moral de respeitar a memória dos fiéis da paróquia, dos franciscanos que por ali passaram e, em especial, a memória do ex- titular da diocese de Propriá Dom José Brandão de Castro cujo centenário natalício se comemora este ano quando deveria ser homenageado e não desrespeitado em sua memória como foi o caso.

* José Paulino da Silva é professor emérito da UFS