O verão nascendo…

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Paraísos possíveis
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Publicada em 23/11/2018 às 06:33:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Para todos os efeitos, 
o verão não demora. 
Quando o sol atingir o solstício de dezembro, o calendário vai se desfolhar em festa de muita luz. Em Aracaju, no entanto, o céu grita o azul mais claro o ano inteiro. E, assim, todos os dias, despe o horizonte comprido nas retinas deslumbradas de quem vaga à beira-mar.
'Litorâneos', reunião dos versos praieiros de Ronaldson, foi lançado há um bom par de anos, mas é ainda o maior depoimento já realizado em forma de verso sobre a "louca ventarola de ondas e areais" nas bordas do mar Serigy. Todo o livro proclama uma alegria tropical, com os pés metidos em Havaianas. Aqui, o poeta está em férias, passeia alheio a qualquer gravidade, remediando o calor com uma cerveja gelada, de sunga e óculos ray-ban.
Talvez por isso, boa parte de 'Litorâneos' é puro relato visual. Se pensar é estar doente dos olhos, como provou Alberto Caeiro, Ronaldson enxerga longe. Nos paraísos possíveis da Aruana, Croa do Goré, Atalaia Nova, Pirambu e Abaís, ele percebe todo o universo à primeira vista - cor, textura, temperatura e gosto, com a ponta dos dedos e a língua em matéria palpável de fruta.
Impressionante, a ponto de receber a bênção de gigantes como os poetas Ferreira Gullar e Maria Lúcia Dal Farra, o maior feito de Ronaldson talvez consista em mudar a geografia em sujeito. Há, nestas orlas, pulsão e desejo explícito ('O mar comendo a praia' e 'Sex Pirambu', por exemplo), literatices e alguma filosofia. Em cada onda que quebra a ação é também o próprio sentido.
Fundo e frugal, observador e adivinho, o poeta de 'Litorâneos' jamais inventa. Ele vê e também vislumbra. Deduz e muitas vezes até conclui. Mais do que tudo, contudo, mareado, o poeta entende.

Para todos os efeitos,  o verão não demora.  Quando o sol atingir o solstício de dezembro, o calendário vai se desfolhar em festa de muita luz. Em Aracaju, no entanto, o céu grita o azul mais claro o ano inteiro. E, assim, todos os dias, despe o horizonte comprido nas retinas deslumbradas de quem vaga à beira-mar.
'Litorâneos', reunião dos versos praieiros de Ronaldson, foi lançado há um bom par de anos, mas é ainda o maior depoimento já realizado em forma de verso sobre a "louca ventarola de ondas e areais" nas bordas do mar Serigy. Todo o livro proclama uma alegria tropical, com os pés metidos em Havaianas. Aqui, o poeta está em férias, passeia alheio a qualquer gravidade, remediando o calor com uma cerveja gelada, de sunga e óculos ray-ban.
Talvez por isso, boa parte de 'Litorâneos' é puro relato visual. Se pensar é estar doente dos olhos, como provou Alberto Caeiro, Ronaldson enxerga longe. Nos paraísos possíveis da Aruana, Croa do Goré, Atalaia Nova, Pirambu e Abaís, ele percebe todo o universo à primeira vista - cor, textura, temperatura e gosto, com a ponta dos dedos e a língua em matéria palpável de fruta.
Impressionante, a ponto de receber a bênção de gigantes como os poetas Ferreira Gullar e Maria Lúcia Dal Farra, o maior feito de Ronaldson talvez consista em mudar a geografia em sujeito. Há, nestas orlas, pulsão e desejo explícito ('O mar comendo a praia' e 'Sex Pirambu', por exemplo), literatices e alguma filosofia. Em cada onda que quebra a ação é também o próprio sentido.
Fundo e frugal, observador e adivinho, o poeta de 'Litorâneos' jamais inventa. Ele vê e também vislumbra. Deduz e muitas vezes até conclui. Mais do que tudo, contudo, mareado, o poeta entende.