IRRIGAÇÃO E PRODUTIVIDADE DA TERRA (I)

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Publicada em 24/11/2018 às 05:57:00

 

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo
Nas três últimas décadas a produção 
agrícola brasileira cresceu mais do 
que a média mundial. O Brasil se consolidou como uma potência mundial na produção e exportação de alimentos. Um modo de produzir, lastreado na ciência, tecnologia, fomento, sustentabilidade e empreendedorismo dos produtores rurais. Entre 1997 a 2015 a produtividade total dos fatores de produção da agricultura brasileira cresceu 4,28 % ao ano, mais que o dobro da americana. 
O aumento da produtividade da agricultura poupou o uso da terra e acolheu as restrições ambientais e da sustentabilidade. Isso, explica a produtividade do capital, da mão de obra e a estabilidade da produtividade da terra. No período de 1990 a 2014, a emissão de gases do efeito estufa decorrente da produção da carne bovina caiu pela metade, ou seja, em um quarto de século praticamente dobrou a produção de carne bovina por unidade de emissão desse gás. Alterações semelhantes foram verificadas nas produções de cana de açúcar, grãos, algodão e soja, entre outros cultivos. Tendência que deve acentuar com a difusão de programas com vieses ambientais, a exemplo da agricultura de baixo carbono.
O Brasil conta com uma fronteira agropecuária de 60 milhões de hectares, possíveis de serem incorporados no processo produtivo, e reduzir a pressão por desmatamentos de novas áreas. Estratégia dependente da capacidade de inovação e dotação de infraestrutura. Uma nova trajetória tecnológica para a agricultura tropical do Brasil que priorize, não apenas a produtividade da mão-de-obra, mas também a produtividade da terra, com destaque para o uso da irrigação. Possuímos, um manancial de águas superficiais e subterrâneas, estratégico e abundante. Indispensável para a vida na dimensão animal e vegetal. 
A irrigação para a agricultura, além de mitigar o risco de produção, em áreas de estiagem e irregularidade pluviométrica, possibilita ocupar a terra por um tempo maior, colher várias safras, e diversificar os cultivos com espécies de maior valor agregado, a exemplo das hortaliças. A área de agricultura irrigada no País cresceu mais de 5% ao ano na última década. Embora corresponda a menos de 10% da área cultivada com grãos, cerca de 2% da área agrícola total. Estima-se existir a possibilidade de crescer em dez vezes a área irrigada no Brasil. Considerando as áreas com melhor aptidão de solo e relevo, o potencial de irrigação ultrapassa 18 milhões de hectares. 
No senso comum, se diz que nas regiões áridas como o Nordeste brasileiro, o "pedaço de terra é fértil e generoso", o mesmo não acontece com o "pedaço do céu, seco e quente". Também não se sustenta, o histórico mantra de que "aqui plantando, tudo dá". Isso não é verdade, num tempo de progresso tecnológico e acirrada competição num mundo globalizado. Esses determinismos, entre outros entraves, a exemplo da baixa escolaridade e da migração para o meio urbano, contribuíram para retardar o desenvolvimento no campo, e a incorporação de inovações tecnológicos no processo produtivo em uso na agropecuária. 
Essas restrições, vendo sendo superadas, por duas vertentes.  A primeira, pelo caminho da sobrevivência. A convivência com a seca, a pluriatividade, e as adaptações das agriculturas às potencialidades locais, que transformam dificuldades em vantagens no processo produtivo. A segunda, pela irrigação, fator de produção que alavanca a produtividade da terra, tal qual os exemplos de Israel e de áreas áridas do estado americano do Texas. Não existe, nesse novo tempo, espaço para o fatalismo religioso, em castigar ou proteger os territórios áridos e excluir as pessoas do progresso civilizatório.  
Travas burocráticas, estrutura precária das organizações públicas ambientais, fomento, assistência técnica, disponibilidade e distribuição de energia, associadas ao monitoramento dos riscos indiscriminados dos recursos naturais, inviabilizam a gestão dos recursos hídricos na direção do responsável e adequado uso da irrigação nos sistemas produtivos agropecuários, para alavancar a produtividade da terra, como um estratégico fator de produção.
* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são Engenheiros Agrônomos

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Nas três últimas décadas a produção  agrícola brasileira cresceu mais do  que a média mundial. O Brasil se consolidou como uma potência mundial na produção e exportação de alimentos. Um modo de produzir, lastreado na ciência, tecnologia, fomento, sustentabilidade e empreendedorismo dos produtores rurais. Entre 1997 a 2015 a produtividade total dos fatores de produção da agricultura brasileira cresceu 4,28 % ao ano, mais que o dobro da americana. 
O aumento da produtividade da agricultura poupou o uso da terra e acolheu as restrições ambientais e da sustentabilidade. Isso, explica a produtividade do capital, da mão de obra e a estabilidade da produtividade da terra. No período de 1990 a 2014, a emissão de gases do efeito estufa decorrente da produção da carne bovina caiu pela metade, ou seja, em um quarto de século praticamente dobrou a produção de carne bovina por unidade de emissão desse gás. Alterações semelhantes foram verificadas nas produções de cana de açúcar, grãos, algodão e soja, entre outros cultivos. Tendência que deve acentuar com a difusão de programas com vieses ambientais, a exemplo da agricultura de baixo carbono.
O Brasil conta com uma fronteira agropecuária de 60 milhões de hectares, possíveis de serem incorporados no processo produtivo, e reduzir a pressão por desmatamentos de novas áreas. Estratégia dependente da capacidade de inovação e dotação de infraestrutura. Uma nova trajetória tecnológica para a agricultura tropical do Brasil que priorize, não apenas a produtividade da mão-de-obra, mas também a produtividade da terra, com destaque para o uso da irrigação. Possuímos, um manancial de águas superficiais e subterrâneas, estratégico e abundante. Indispensável para a vida na dimensão animal e vegetal. 
A irrigação para a agricultura, além de mitigar o risco de produção, em áreas de estiagem e irregularidade pluviométrica, possibilita ocupar a terra por um tempo maior, colher várias safras, e diversificar os cultivos com espécies de maior valor agregado, a exemplo das hortaliças. A área de agricultura irrigada no País cresceu mais de 5% ao ano na última década. Embora corresponda a menos de 10% da área cultivada com grãos, cerca de 2% da área agrícola total. Estima-se existir a possibilidade de crescer em dez vezes a área irrigada no Brasil. Considerando as áreas com melhor aptidão de solo e relevo, o potencial de irrigação ultrapassa 18 milhões de hectares. 
No senso comum, se diz que nas regiões áridas como o Nordeste brasileiro, o "pedaço de terra é fértil e generoso", o mesmo não acontece com o "pedaço do céu, seco e quente". Também não se sustenta, o histórico mantra de que "aqui plantando, tudo dá". Isso não é verdade, num tempo de progresso tecnológico e acirrada competição num mundo globalizado. Esses determinismos, entre outros entraves, a exemplo da baixa escolaridade e da migração para o meio urbano, contribuíram para retardar o desenvolvimento no campo, e a incorporação de inovações tecnológicos no processo produtivo em uso na agropecuária. 
Essas restrições, vendo sendo superadas, por duas vertentes.  A primeira, pelo caminho da sobrevivência. A convivência com a seca, a pluriatividade, e as adaptações das agriculturas às potencialidades locais, que transformam dificuldades em vantagens no processo produtivo. A segunda, pela irrigação, fator de produção que alavanca a produtividade da terra, tal qual os exemplos de Israel e de áreas áridas do estado americano do Texas. Não existe, nesse novo tempo, espaço para o fatalismo religioso, em castigar ou proteger os territórios áridos e excluir as pessoas do progresso civilizatório.  
Travas burocráticas, estrutura precária das organizações públicas ambientais, fomento, assistência técnica, disponibilidade e distribuição de energia, associadas ao monitoramento dos riscos indiscriminados dos recursos naturais, inviabilizam a gestão dos recursos hídricos na direção do responsável e adequado uso da irrigação nos sistemas produtivos agropecuários, para alavancar a produtividade da terra, como um estratégico fator de produção.
* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são Engenheiros Agrônomos