DE ONIX LOREZONI A LULA DA SILVA E A ¨JURISPRUDÊNCIA¨ DO EX-JUIZ

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Publicada em 25/11/2018 às 06:40:00

 

Na quase praiana São Cristovão e na sertaneja Nossa Senhora da Glória, podem existir Matadouros para  o abate dos bois. Se existiam ou ainda existem, os prefeitos Marcos Santana e Francisco Nascimento, Chico do Correio, deles devem ter guardado uma asséptica distância, e assim, sabendo ser prevenidos em relação a deletérias consequências. São Cristovão era, até pouco tempo, um município infelicitado pelos desmandos que muito trabalho deu a um atento e indobrável Juiz, Manoel Costa Neto.
Nossa Senhora da Gloria não tinha essa  ¨tradição¨ comprometedora, precisava, tão somente, de um prefeito moderno e pragmático que soubesse aparelhar,  no bom sentido o município, para que se tornasse parceiro e indutor do desenvolvimento.  A iniciativa privada já o fizera nascer, demonstrando  vocação para o empreendedorismo em maior escala, transmitida pelos feirantes, que ali instalaram o maior mercado a céu aberto da região sertaneja. A antiga Boca da Mata, infelizmente perdeu a característica ecológica do seu nome, porque da sua área quase desapareceram as vastas caatingas, mas, acomodando-se ao regaço da Padroeira Nossa Senhora da Glória, viu expandir-se o seu comércio, surgirem as indústrias, tornar-se a capital do leite, juntar a isso a força da pecuária, e até produzindo muito milho quando as chuvas substituem as secas, agora extremas.  Dois grupos locais lá tanto se destacam, o Natville  o Avelan, e outros que chegaram, como o itabaianense Peixoto, e muitos mais. Glória é agora um polo dinâmico de desenvolvimento.
Em Glória se expande o campus de ciências agronômicas da UFS, e começa agora uma Escola Técnica  Profissionalizante,  iniciativa do deputado Laércio Oliveira, presidente da Federação do Comércio de Sergipe. É importante contribuição para  dar sustentabilidade ao crescimento econômico.
Chico do Correio faz uma marcante gestão, acompanha a modernidade, mantém as finanças em equilíbrio. Fez, há uma semana um concurso publico para umas duzentas vagas, e houve mais de vinte mil pessoas na disputa.  A empresa privada que organizou o concurso, distribuiu os participantes, tanto em Gloria como em cidades mais próximas. Em Canindé foram quase três mil, que movimentaram restaurantes, pousadas, hotéis, postos de gasolina, o mesmo acontecendo no entorno da Boca da Mata, onde Véio, o notável escultor, dá formas incríveis ao que modela com sensibilidade e invenção, a partir da maciez da nobre madeira da Umburana.
Em São Cristóvão, o economiário Marcos Santana, em tempo curto alcançou resultados surpreendentes. O sucesso que teria como político e administrador seus irmãos da Maçonaria já antecipavam, pela vocação que revela no desbastar da pedra bruta. E São Cristóvão era uma ¨pedra bruta¨ de impurezas, não exatamente geológicas, mas de degenerescência da máquina administrativa, tantas vezes conspurcada pelo instinto saqueador.
Neste novembro, quando em Gloria alcançava pleno sucesso uma Exposição Agropecuária, que se torna a mais importante de Sergipe, em São Cristóvão renascia, com ímpeto, o Festival de Artes. Uma iniciativa do então Reitor  da UFS na década dos setenta, Clodoaldo de Alencar Filho. O Festival alcançou destaque nacional. Recebeu o apoio de sucessivos governadores, do prestigiado senador Lourival Baptista, da influencia que tinha Dom Luciano Duarte no Ministério da Educação e Cultura, o suporte  decisivo que lhe deu o ministro Jarbas Passarinho, militar e intelectual, destituído das mesquinharias do preconceito. Marcos Santana fez a Festa reviver, levou turistas à quarta cidade mais velha do Brasil, levou o êxtase da arte, iluminou a Praça Patrimônio da Humanidade, os seus casarões barrocos. 
São Cristóvão está buscando retomar o caminho promissor do turismo. Para isso, Marcos Santana foi trabalhar parcerias com a iniciativa privada, e Luciano Franco Barreto, líder de um grupo empresarial forte, e de categorias empresariais, construtores, e hoteleiros, já estimula um projeto abrangente, capaz de dar sequencia e garantia a um fluxo turístico que se pretende fortalecer na terra onde não mais se esperam os estampidos dos foguetes de João Bebe Água anunciando o retorno da capital, desistindo dos miasmas dos mangues do sitio do Aracaju. São Cristóvão, sede do campus da UFS, faz parte orgulhosa da Grande Aracaju.

O deputado Onix Lorenzzoni investigado por ter recebido ¨doações¨ da Odebrecht via  Caixa-2, comportamento tão criminalizado pelos integrantes da Lava Jato, foi, ao que parece, até agora  o único denunciado a articular um tímido pedido de desculpas. 

Hoje,  Onix é colega do ex-Juiz Sérgio Moro na equipe dos ministeriáveis do presidente Bolsonaro, e poderia gerar constrangimentos ao magistrado que comandou as ações rigorosas  contra os envolvidos no assalto à PETROBRÁS. Ingressando inopinadamente na política,  Moro decidiu encerrar uma carreira que o levou ao ápice da fama  como implacável algoz de corruptos. Mudou o tom, diante das novas circunstancias, e minimizou o crime de Onix, alegando que ele já pedira desculpas. Se magistrado ainda fosse, Moro estaria inovando, e criando uma ¨jurisprudência especial ¨para  aqueles que pedem vênias pelos deslizes que admitem tê-los cometido.

Os principais envolvidos que comandaram o saque, tornaram-se delatores, não foram perdoados, mas, tiveram as penas atenuadas, e trocaram a cadeia pelas tornozeleiras ,  que usam no conforto das suas moradas luxuosas. Nenhum chegou a pedir perdão ao povo brasileiro. Aliás, o habito de pedir perdão é atitude inédita entre brasileiros ocupando cargos públicos, e denunciados por práticas ilícitas. 

Quem teria noticia de que um Paulo Maluf, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha,  Geddel,  Dirceu, todos condenados e cumprindo penas, tivessem, em alguma ocasião, pedido desculpas públicas,  ou até perdão pelos erros cometidos?

Esse tipo de comportamento chega a ser comum em diversos países, quando homens públicos geram escândalos e vão parar nas prisões.

No fundo todos naturalizam os crimes que praticaram, atitudes recorrentes, sempre cometidas  ao longo da nossa história, variando, apenas, na escala em que ocorriam, Che.gando, enfim, ao descalabro registrado. Por isso, até se definem como  ¨vítimas do sistema¨

Ao ex-presidente Lula que está preso,  faltou exatamente a sensibilidade para entender o tamanho da tempestade política que se formava, no instante em que começou a operação Lava Jato,  e logo depois multidões indo às ruas, na  mais numerosa sequencia de protestos populares ocorridos no país. Se  tinham por trás deles a instigação de grupos interessados, o pato amarelo da FIESP, as manobras comandadas na Câmara por um seboso, aliado a outro, ocupando o Palácio do Jaburú , nem por isso, tudo seria minimizado na palavra tola que encontraram para definir os manifestantes: ¨coxinhas ¨.  A presidente, que nunca foi presidenta, nem coisa nenhuma, desabava por inércia, ou total inaptidão para o cargo, onde Lula resolveu erradamente colocá-la, quando   deslizava fácil numa popularidade de quase  80 por cento.

A euforia do sucesso, a sensação inebriante do poder que ele e a companheirada desfrutavam, talvez o tenham levado a perder  a sintonia com o Brasil real.

Preso, aos 73 anos de idade, e ainda apesar de tudo conservando uma liderança forte sobre considerável parcela de brasileiros, Lula se viu diante daquele raro e crucial momento em que o condutor de uma Nação,  como ele fora, deveria  assumir a responsabilidade diante do seu país, do seu povo.

Teria então de reconhecer, numa carta dirigida aos brasileiros, os erros que ele próprio e o seu partido haviam cometido,  e pediria desculpas à Nação, deixando claro que não o fazia para obter algum beneficio pessoal,  e iria mais além, declarando que sua carreira política estava encerrada, que não seria mais candidato, mesmo se fosse solto, e  aconselharia  o seu partido a não lançar candidato à presidência da República.

Poderia defender a sua inocência, a sua honestidade pessoal,  até denunciar a injustiça de estar preso, não sendo dono nem do tríplex no Guarujá, nem do sítio em Atibaia, mas, reconhecendo que falhou ao formar um governo de coalizão   atendendo à ânsia patrimonialista dos  que foram cooptados. E essa falha ou calamidade, pode ser vista com as digitais bem claras, de todos os que participaram do assalto organizado aos cofres da PETROBRAS. Lula iria mais longe, faria um apelo pela pacificação política, e diria que o seu gesto representaria a contribuição pessoal para que o clima de ódio fosse amenizado.  Faria isso, e, recolhido à sua cela, se reservaria porém, como cidadão, ao direito de exercer o protagonismo possível, nos momentos em que a sua palavra pudesse servir aos interesses maiores do povo brasileiro.

O clima de ferocidade política começaria a dissipar-se,  e os extremismos se  aquietariam.

Mas aqui, apenas devaneamos, não se pode exigir que a mediocridade se  transforme, de repente, em sabedoria e discernimento. Raros os seres humanos, e entre eles os mais poderosos, que se revelam   personagens providenciais, influenciadores e condutores da busca pela razão. Dai porque, em todo o mundo, no século passado, não chegamos a ter uns dez grandes estadistas. 

O general Charles de Gaulle sem duvidas terá lugar entre eles.

Houve tempo em que o ¨Grand Charles ¨confundia-se com a própria França, tal o carisma, o poder, e a autoconfiança que tinha.

Líder da resistência francesa, salvou a honra da nação, e entrou em Paris junto com as forças aliadas no dia da libertação em 1944, após o exilio em Londres desde 1940, quando a França capitulou.

 Em 1968, num terceiro mandato, governava um país outra vez em tumulto. Em maio, as ruas de Paris encheram-se de manifestantes, que depois se espalharam por todas as cidades maiores. Queriam o impossível, pregavam a derrubada de todas as instituições, e o inicio do poder popular. Eram comunistas, anarquistas, niilistas, bagunceiros, idealistas puros ? Ninguém sabia ao certo. Mas a França desintegrava-se.

De Gaulle sumiu do Palácio  Eliseu.  Viajou secretamente . Foi entender-se com os generais da extrema direita, que até haviam organizado atentados contra ele durante a guerra da Argélia. Eles comandavam as tropas de ocupação francesas na Alemanha. Assegurou a lealdade de todos. Regressou a Paris, fez o que era necessário. Controlou as ruas, devolveu a paz aos franceses. Compreendeu, porém, que o seu tempo passara, que os acontecimentos exigiam dele um ato de grandeza.

Recolheu-se à sua propriedade familiar em Colombey-les-Deux-Églises, onde nascera, e  viveu ali  os seus últimos anos. Mais uma vez, com grandeza de alma, salvara a França. 

E escreveu nas suas Memórias:¨Velho homem, extenuado por provações , desligado dos empreendimentos, sentindo vir o frio eterno, mas nunca cansado de espiar , na sombra, o clarão da esperança ! ¨

A CIDADE INTELIGENTE QUE ARACAJU PRETENDE SER

O prefeito Edvaldo Nogueira tem arejado a administração municipal com ações inteligentes. Seria essa a característica que quer dar ao seu mandato, com o objetivo ainda maior, de fazer da capital uma cidade da qualidade de vida. Há etapas ainda a vencer no trajeto, talvez, uma das mais urgentes seja livrar Aracaju da fedentina que acompanha sua orla do Sergipe, do Poxim, toda a extensão dos seus canais, calamitosamente poluídos.  É, exatamente essa calamidade, que afeta desde os bairros mais pobres da periferia, chegando ao recanto que seria dourado, onde vivem os de alta renda, que também tapam os narizes, mas não pisam na lama como os pobres dos bairros  distantes. Questões no âmbito social sobre as quais  passa o seu olhar compreensivo a vice prefeita Eliane Aquino, preparando-se para a transição até a vice - governança.

 A fedentina não é uma tarefa somente a caber nas prerrogativas do prefeito. É imprescindível que se modele um conjunto de parcerias, onde estariam, além de Aracaju, o governo do estado, os ministérios públicos  estadual e federal, as prefeituras da Barra, São Cristovão, Socorro, Itaporanga, Santo Amaro e Laranjeiras, o IBAMA o ICM-Bio e a sociedade civil.

O desafio do planejamento da cidade para o hoje e o futuro, a necessidade de dar agilidade e eficiência à administração,  constam da agenda de Augusto Fábio Oliveira, um previdenciário que foi convocado pelo governo do estado e agora integra a equipe de Edvaldo. Ele faz um papel no plano da administração publica comparável ao que conseguiu montar,  no plano federal o ministro Hélio Beltrão, que desburocratizou o Brasil. Depois, o Brasil ainda no período militar reburocratizou - se. Para evitar esse retrocesso que poderia acontecer no futuro, Augusto Fábio trata de blindar todas as possíveis vulnerabilidades, e o essencial, no seu entender, é a completa profissionalização do serviço, com as atividades de carreira sendo fortalecidas. A economia alcançada com o digitalização, o uso racional de todas as ferramentas, está liberando recursos para financiar o próprio processo de transformação. Um exemplo: a prefeitura de Aracaju  realiza leilões mensais de bens descartáveis.

UMA VISÃO REALISTA SOBRE A AGRICULTURA SERGIPANA

O agrônomo Etélio Prado deixou o serviço publico faz algum tempo, e dedica-se agora à atividade de empresário rural e consultor de empresas. Mas não deixa de acompanhar o mover-se, no setor primário, da engrenagem do estado, aliás, a seu ver muito ineficiente . Ele revela preocupações com a cultura do milho, uma conquista quase exclusiva do agronegócio. Sem alarmismo,  entende que a produtividade tende a cair, tornando difícil a manutenção da atividade, caso não se comece a rotação de culturas, o binômio milho -soja. Uma prática já adotada aqui perto em Alagoas, com sucesso, embora a produção de milho ali seja bem inferior à sergipana. No MATOPIBA  a florescente nova fronteira agrícola abrangendo  Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, milho e soja também se revezam, e o solo bem nitrogenado agradece, exibindo portentosas safras. O agrônomo Manoel Moacir, quando dirigia a EMBRAPA em Sergipe, sugeriu uma parceria para o plantio da soja alternando-se com o milho, colocando à disposição do estado a experiência em Carira e Frei Paulo, desenvolvida pela sua empresa, com  resultados considerados excelentes.

Na citricultura, Etelio adverte para uma continua degradação dos laranjais, com ameaças até à sobrevivência das fábricas de sucos. Ele enxerga como muito positiva a anunciada ação de Belivaldo para dinamizar a Biofábrica, que, ao seu vêr,  é um instrumento forte com que conta Sergipe para tecnificar a sua agricultura. Para Etélio o plantio de mudas entre as linhas do velho laranjal, daria resultado em poucos anos, e seria a melhor das ações para reativar a nossa outrora pujante citricultura. Ételio considera que a Biofábrica deverá estar à frente dessas iniciativas, e faz elogios à competência dos seus dirigentes e técnicos.

Um outro ponto que Etélio identifica como prioritário, seria a reformulação completa do Projeto  Dom Távora, cujo aporte de recursos está em discrepância com os resultados alcançados. É dinheiro do FIDA, que Sergipe terá de pagar ao longo de anos, e que deve ter um custo - benéfico compatível. A capilarização do Dom Távora em mini-projetos, segundo Etélio,   gera benefícios irrisórios.

Etélio concorda com as ações anunciadas para o semiárido, principalmente no tocante ao plantio da palma, e o foco na pecuária leiteira, todavia, entende que  ainda se pode traçar novas alternativas.

A COSTELA DE ADÃO DENTRO DAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS

O presidente eleito Jair Bolsonaro, esteve bem próximo de fazer de um respeitado professor brasileiro, o próximo ministro da educação. Mozart Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, ex- Secretário da Educação daquele estado, teria  um diálogo mais fácil com todos os setores acadêmicos, com o mundo que forma a educação pública brasileira. O nome do quase indicado foi bem recebido, por se tratar de alguém com vasta experiência, e demonstrar sensatez e equilíbrio ao longo de todos os períodos em que exerceu cargos públicos. Demonstrou muita eficiência, capacidade de gerenciamento e visão modernizadora como executivo do Instituto Ayrton Senna, que tem sido  importante ferramenta de apoio para a eficiência e modernização do sistema educacional brasileiro.

O que assusta é o desfecho do episódio, com a interferência de forma grosseira da liderança do grupo que se intitula  ¨bancada evangélica ¨, embora não chegue a representar a totalidade das igrejas Luteranas,  mormente aquelas mais antigas, que se apuram na formação não só teológica dos seus pastores, mas, deles exigem um lastro intelectual consistente, um procedimento não comprometido com  ações patrimonialistas, que lançam duvidas sobre a missão elevada que deveriam desempenhar. Essas correntes Luteranas pioneiras, não se caracterizam pela ostensiva presença politico - eleitoral, com o objetivo claro de formar suporte político para ter influencia sempre maior sobre os poderes da República.

O evangelho e a catequese, terminam por misturar-se  com o profano de um cotidiano voltado prioritariamente à conquista de votos, e recursos financeiros. 

Assim, a ênfase que dão a aspectos dos costumes, tem um viés de dominação das mentes,  por um processo  que tanto é eficaz para o afastamento das drogas, como pelo despertar da capacidade empreendedora de cada fiel,  da mesma forma, a criação de um elo, um sentimento  da presença de Deus em suas vidas, o que mais fortemente entre as camadas menos escolarizadas da população, faz com que desperte  um sentimento  de proteção e confiança, e uma obediência às orientações dos pastores, inclusive, traçando a escolha dos merecedores do voto da comunidade.

Deve-se reconhecer, todavia, que a participação dessas confissões religiosas  do ponto de vista  social, resulta benéfica. Enquanto a sua posição no Congresso Nacional, particularmente na Câmara dos Deputados, algumas vezes chega a ser peçonhenta, tal a carga de preconceitos e desconexão com a realidade, que chegam a demonstrar.

A invasão que fez a chamada bancada evangélica sobre a prerrogativa de independência que o presidente eleito tanto acentuou, marcou uma preponderância nada republicana, que teria de ser evitada, e , em última análise, é desgastante para um candidato que se elegeu dando a garantia de que não faria barganhas de natureza partidária.

Em alguns aspectos a característica da bancada é nitidamente  obscurantista, quando nega  a evidencia científica, e insiste em levar à Escola Pública o pensamento Criacionista, aquele que toma como verdade bíblica inquestionável a existência de Adão e Eva , da Serpente, da Maçã, e da retirada da costela de Adão para que dela  Deus criasse a mulher, ou seja, a própria metáfora da inferioridade a que submetem o sexo feminino.

No século passado, ainda na década dos quarenta, um cientista que era Padre, Pierre Teilhard de Chardin, publicou O Fenômeno Humano,  livro cujas constatações sobre a pré - vida, a vida, o pensamento, a sobrevida, e o fenômeno cristão, aproximariam  o pensamento católico à essência da teoria da  evolução das espécies, formuladas por Charles Darwin. 

O colombiano Ricardo Velez Rodrigues,   indicado  para o Ministério da Educação tem muitos títulos, uma vasta bagagem de conhecimentos ,  e reduzida presença acadêmica, até porque lhe repugna conviver com aqueles dos quais diverge ideologicamente.  

 Em A invenção do Saber, livro seminal, o grande intelectual brasileiro Gerardo de Melo Mourão,  ironiza a presunção dos que identificam o saber que possuem com a própria expressão única da Verdade. E esse é o caso típico de Don Velez Rodrigues, que anuncia para a Educação brasileira um tempo tumultuado de patrulhamento ideológico, sugerindo uma espécie de policiamento dos discentes e docentes, ou seja, o dedo- durismo nas Universidades e escolas. Tanto falamos mal  da ditadura cubana, e agora terminamos por importar o seu pior exemplo, aqueles out-doors imensos, talvez agora não mais existentes, mas que estavam por todos os cantos do país, exibindo a frase aterradora : ¨Sea los ojos e los oídos de la Revolucion. ¨ Em suma, denuncie, o seu colega, o seu vizinho, o seu pai,  o irmão, a própria mãe, caso eles não sejam ¨fieis à Revolução¨.

Don Velez Rodrigues, que deve detestar seu grande e imortal patrício, Gabriel Garcia Marquez, parece, ele mesmo, a expressão antiga, decadente, soturna e triste da própria vida que  Gabo, tão bem caracterizou em O  Outono do Patriarca.

Depois da conquista do Ministério da Educação, os padrinhos de Don Velez, um filósofo,   Olavo de Carvalho, e um Pastor,   Silas Malafaia , vão querer levar à escola, um Tratado de Intolerância e um Evangelho da Mesquinhez. 

OS GENERAIS FALAM E LEMBRAM DA SENSATEZ

O general Mourão, retraiu-se um pouco da nova cena do poder que se desenha. Não parece, contudo, distante dos acontecimentos, e, com a sua característica de franqueza, que às vezes é vista como ameaçadora, expõe, sem reservas, as suas opiniões.

Ele , sem fazer referências às ideias descompassadas de uma diplomacia sem resultados,  reveladas na falas do anunciado novo Chanceler, deixou bem claro que o Brasil não poderá ser parceiro na arriscada aventura de Donald Trump, que transferiu a sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, botando combustível na fogueira crepitante do médio oriente. Mas Trump é poderoso, tem o dólar e os botões do apocalipse, carregado nas ogivas nucleares de seus dez mil mísseis. O Brasil, se o imitasse, quebraria uma tradicional  posição da diplomacia admirada exercitada pelo Itamaraty, e não teria sequer efetivas condições militares para garantir a segurança da sua Embaixada.  Entraria em conflito com o mundo árabe, um dos nossos principais parceiros comerciais. Temos, na visão do general Mourão, de trabalhar diplomaticamente também, para assegurar nossas metas de comércio e nossa visão geopolítica, sem comprometimentos que nos causem prejuízos. Assim, ele vê como importante a presença brasileira cada vez mais destacada no MERCOSUL e nos BRICS. 

O general tem clareza de pensamento, já o chanceler, que alías é visto com imensas reservas entre os seus próprios colegas, anuncia uma série de ações, evidentemente desastrosas.

Um outro  general, que comanda agora a segurança no devastado estado do Rio de Janeiro, permaneceu calado ao longo de todo o inquérito para apurar a estupidez da morte da vereadora Mariele Franco. Agora, o general Richard veio a público para retirar uma cortina de silencio propositalmente baixada, visando proteger as investigações, e revela, com disposição e objetividade, que o crime não foi de ódio, ocorreu, na verdade, sob o comando de milicianos, uma outra facção de bandidos até fardados, que controlam partes dos morros em estrita ligação com políticos fluminenses, que se consideravam certamente afetados pelas ações da vereadora.

Quando a defunta vereadora e o defunto motorista ainda estavam quentes, começou, nas redes sociais uma estúpida e desumana campanha de difamação e degradação moral de Mariele. O clima pesado de confrontações políticas que se exacerbavam naquele instante, favoreceu o espalhar das sementes destrutivas do ódio.

Chegou-se até ao ato diabólico da comemoração do assassinato.

Mais um episódio daquela perda da sensatez que nos contamina.

N.S. DA GLORIA E SÃO CRISTÓVÃO ONDE NÃO HÁ MATADOUROS

Na quase praiana São Cristovão e na sertaneja Nossa Senhora da Glória, podem existir Matadouros para  o abate dos bois. Se existiam ou ainda existem, os prefeitos Marcos Santana e Francisco Nascimento, Chico do Correio, deles devem ter guardado uma asséptica distância, e assim, sabendo ser prevenidos em relação a deletérias consequências. São Cristovão era, até pouco tempo, um município infelicitado pelos desmandos que muito trabalho deu a um atento e indobrável Juiz, Manoel Costa Neto.
Nossa Senhora da Gloria não tinha essa  ¨tradição¨ comprometedora, precisava, tão somente, de um prefeito moderno e pragmático que soubesse aparelhar,  no bom sentido o município, para que se tornasse parceiro e indutor do desenvolvimento.  A iniciativa privada já o fizera nascer, demonstrando  vocação para o empreendedorismo em maior escala, transmitida pelos feirantes, que ali instalaram o maior mercado a céu aberto da região sertaneja. A antiga Boca da Mata, infelizmente perdeu a característica ecológica do seu nome, porque da sua área quase desapareceram as vastas caatingas, mas, acomodando-se ao regaço da Padroeira Nossa Senhora da Glória, viu expandir-se o seu comércio, surgirem as indústrias, tornar-se a capital do leite, juntar a isso a força da pecuária, e até produzindo muito milho quando as chuvas substituem as secas, agora extremas.  Dois grupos locais lá tanto se destacam, o Natville  o Avelan, e outros que chegaram, como o itabaianense Peixoto, e muitos mais. Glória é agora um polo dinâmico de desenvolvimento.
Em Glória se expande o campus de ciências agronômicas da UFS, e começa agora uma Escola Técnica  Profissionalizante,  iniciativa do deputado Laércio Oliveira, presidente da Federação do Comércio de Sergipe. É importante contribuição para  dar sustentabilidade ao crescimento econômico.
Chico do Correio faz uma marcante gestão, acompanha a modernidade, mantém as finanças em equilíbrio. Fez, há uma semana um concurso publico para umas duzentas vagas, e houve mais de vinte mil pessoas na disputa.  A empresa privada que organizou o concurso, distribuiu os participantes, tanto em Gloria como em cidades mais próximas. Em Canindé foram quase três mil, que movimentaram restaurantes, pousadas, hotéis, postos de gasolina, o mesmo acontecendo no entorno da Boca da Mata, onde Véio, o notável escultor, dá formas incríveis ao que modela com sensibilidade e invenção, a partir da maciez da nobre madeira da Umburana.
Em São Cristóvão, o economiário Marcos Santana, em tempo curto alcançou resultados surpreendentes. O sucesso que teria como político e administrador seus irmãos da Maçonaria já antecipavam, pela vocação que revela no desbastar da pedra bruta. E São Cristóvão era uma ¨pedra bruta¨ de impurezas, não exatamente geológicas, mas de degenerescência da máquina administrativa, tantas vezes conspurcada pelo instinto saqueador.
Neste novembro, quando em Gloria alcançava pleno sucesso uma Exposição Agropecuária, que se torna a mais importante de Sergipe, em São Cristóvão renascia, com ímpeto, o Festival de Artes. Uma iniciativa do então Reitor  da UFS na década dos setenta, Clodoaldo de Alencar Filho. O Festival alcançou destaque nacional. Recebeu o apoio de sucessivos governadores, do prestigiado senador Lourival Baptista, da influencia que tinha Dom Luciano Duarte no Ministério da Educação e Cultura, o suporte  decisivo que lhe deu o ministro Jarbas Passarinho, militar e intelectual, destituído das mesquinharias do preconceito. Marcos Santana fez a Festa reviver, levou turistas à quarta cidade mais velha do Brasil, levou o êxtase da arte, iluminou a Praça Patrimônio da Humanidade, os seus casarões barrocos. 
São Cristóvão está buscando retomar o caminho promissor do turismo. Para isso, Marcos Santana foi trabalhar parcerias com a iniciativa privada, e Luciano Franco Barreto, líder de um grupo empresarial forte, e de categorias empresariais, construtores, e hoteleiros, já estimula um projeto abrangente, capaz de dar sequencia e garantia a um fluxo turístico que se pretende fortalecer na terra onde não mais se esperam os estampidos dos foguetes de João Bebe Água anunciando o retorno da capital, desistindo dos miasmas dos mangues do sitio do Aracaju. São Cristóvão, sede do campus da UFS, faz parte orgulhosa da Grande Aracaju.