Polícia indicia três diretores da Deso por queda em Dores

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Publicada em 27/11/2018 às 06:45:00

 

Gabriel Damásio
A Polícia Civil indiciou 
três dirigentes da 
Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e os apontou como responsáveis pela queda de uma caixa d'água que destruiu a Escola Municipal Professor Osman dos Santos Oliveira, em Nossa Senhora das Dores (Sertão), no dia 6 de novembro de 2017. Esta foi a conclusão do inquérito policial conduzido pelo delegado Marcos Garcia, responsável pela delegacia local, e entregue na última sexta-feira ao juízo da comarca da cidade. Entre os indiciados, estão o engenheiro Carlos Fernandes de Melo Neto, que era presidente da estatal na época; o ex-diretor de operações Juarez Carvalho Filho; e o atual diretor de engenharia José Edson Leite Barreto, que já estava no cargo.
Eles irão responder a processo por homicídio culposo e lesão corporal culposa, pois o acidente provocou a morte de duas crianças que estudavam na escola, além de deixar 20 pessoas feridas. Segundo o delegado Jonathas Evangelista, coordenador de Polícia do Interior, foram ouvidos os depoimentos de cerca de 70 testemunhas, entre vítimas e seus parentes, moradores do povoado Campo Grande (onde a escola ficava), funcionários e dirigentes da Deso e da Prefeitura de Dores. Além disso, foram anexados documentos do Ministério Público relacionados ao caso e dois laudos periciais foram realizados pela Defesa Civil Estadual e pelo Instituto de Criminalística, que analisaram a estrutura e os materiais que sustentavam o reservatório. 
Os laudos e os depoimentos confirmaram que a estrutura desabou por causa de falhas no projeto, falta de manutenção e corrosão avançada das bases de ferro e metal. "A primeira falha foi no projeto, pois o aço que a estrutura metálica possuía era um SAE 1012, sendo que as normas técnicas recomendam o uso do aço 1020. Outro ponto foi a falha na execução, aonde elementos de sustentação e fixação da base daquela estrutura estavam dispostos de forma errônea. Isso contribuiu para o acúmulo de água, gerando umidade excessiva naquele ponto e a corrosão que ocasiona perda de massa e diminuiu a resistência do material", disse o perito criminal André Feitosa, um dos responsáveis pelo laudo da Criminalística.
O inquérito apontou ainda que Melo e os dois diretores da Deso tinham conhecimento dos problemas existentes no reservatório, que já foram alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2009 pela Promotoria da Comarca de Dores, a pedidos da comunidade do povoado, para que a caixa d'água fosse mudada de local ou reformada. Na ocasião, as aulas na Escola Municipal chegaram a ser suspensas por alguns dias, devido ao risco de queda da estrutura. No entanto, nenhuma providência foi tomada e nem mesmo perícias ou serviços de manutenção eram realizados com constância pela companhia. Para a polícia, o problema foi negligenciado, mesmo com alertas realizados até mesmo pela Prefeitura de Dores e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água e Serviços de Esgotos de Sergipe (Sindisan). 
A Deso informou que só vai se manifestar sobre o caso depois que sua assessoria jurídica for notificada oficialmente sobre a conclusão do inquérito. O caso está agora sob análise da Promotoria de Dores, que decidirá se oferece ou não a denúncia criminal contra os indiciados. 

A Polícia Civil indiciou  três dirigentes da  Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e os apontou como responsáveis pela queda de uma caixa d'água que destruiu a Escola Municipal Professor Osman dos Santos Oliveira, em Nossa Senhora das Dores (Sertão), no dia 6 de novembro de 2017. Esta foi a conclusão do inquérito policial conduzido pelo delegado Marcos Garcia, responsável pela delegacia local, e entregue na última sexta-feira ao juízo da comarca da cidade. Entre os indiciados, estão o engenheiro Carlos Fernandes de Melo Neto, que era presidente da estatal na época; o ex-diretor de operações Juarez Carvalho Filho; e o atual diretor de engenharia José Edson Leite Barreto, que já estava no cargo.
Eles irão responder a processo por homicídio culposo e lesão corporal culposa, pois o acidente provocou a morte de duas crianças que estudavam na escola, além de deixar 20 pessoas feridas. Segundo o delegado Jonathas Evangelista, coordenador de Polícia do Interior, foram ouvidos os depoimentos de cerca de 70 testemunhas, entre vítimas e seus parentes, moradores do povoado Campo Grande (onde a escola ficava), funcionários e dirigentes da Deso e da Prefeitura de Dores. Além disso, foram anexados documentos do Ministério Público relacionados ao caso e dois laudos periciais foram realizados pela Defesa Civil Estadual e pelo Instituto de Criminalística, que analisaram a estrutura e os materiais que sustentavam o reservatório. 
Os laudos e os depoimentos confirmaram que a estrutura desabou por causa de falhas no projeto, falta de manutenção e corrosão avançada das bases de ferro e metal. "A primeira falha foi no projeto, pois o aço que a estrutura metálica possuía era um SAE 1012, sendo que as normas técnicas recomendam o uso do aço 1020. Outro ponto foi a falha na execução, aonde elementos de sustentação e fixação da base daquela estrutura estavam dispostos de forma errônea. Isso contribuiu para o acúmulo de água, gerando umidade excessiva naquele ponto e a corrosão que ocasiona perda de massa e diminuiu a resistência do material", disse o perito criminal André Feitosa, um dos responsáveis pelo laudo da Criminalística.
O inquérito apontou ainda que Melo e os dois diretores da Deso tinham conhecimento dos problemas existentes no reservatório, que já foram alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2009 pela Promotoria da Comarca de Dores, a pedidos da comunidade do povoado, para que a caixa d'água fosse mudada de local ou reformada. Na ocasião, as aulas na Escola Municipal chegaram a ser suspensas por alguns dias, devido ao risco de queda da estrutura. No entanto, nenhuma providência foi tomada e nem mesmo perícias ou serviços de manutenção eram realizados com constância pela companhia. Para a polícia, o problema foi negligenciado, mesmo com alertas realizados até mesmo pela Prefeitura de Dores e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água e Serviços de Esgotos de Sergipe (Sindisan). 
A Deso informou que só vai se manifestar sobre o caso depois que sua assessoria jurídica for notificada oficialmente sobre a conclusão do inquérito. O caso está agora sob análise da Promotoria de Dores, que decidirá se oferece ou não a denúncia criminal contra os indiciados.