Para ver as meninas...

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\"Silêncio, por favor...\"
\"Silêncio, por favor...\"

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Publicada em 01/12/2018 às 06:50:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
No que me diz respei-
to, 2018 termina 
hoje, quando coloco os pés pra cima, em ansioso gozo de férias. Quero sombra e água fresca. Eu mereço.
O exercício da profissão exige o impossível dos meus nervos. Dou a cara tapa, boto o meu na reta, assumo o risco da opinião. Todo santo dia. Faça chuva ou faça sol. Em dezembro, ao contrário, não digo uma vírgula sobre coisa nenhuma, não quero saber de seu ninguém.
A concorrência vai ter de me desculpar, mas não há periódico que dedique atenção aos papocos da cultura Serigy, como faz o Jornal do Dia. Graças a estas páginas, as bancas florescem com notícia de gente virada no diabo, capaz de tirar leite de pedra e dar nó em pingo d'água para fazer vibrar o arame lasso da sensibilidade nativa. E cabe a mim, um jornalista nascido com a bunda virada pra lua, a grata tarefa de assinar o resumo da ópera - Uma história de muito murro em ponta de faca.
Lá se vai um ano difícil, de muitos óbices e perdas inestimáveis. Nos arquivos deste diário, no entanto, fica preservada a memória de feitos e promessas animadoras, registradas em letra de imprensa. Não alcançamos o fim do mundo, nem chegamos ao fundo do poço. Produzimos feito doidos, apesar de todos os pesares. O discurso paralisante do apocalipse não há de vingar nunca nas praias daqui.
Hoje eu quero apenas a voz mansa de Paulinho da Viola dando voltas numa vitrola velha, ver as meninas, uma pausa de mil compassos. Esvaziar os copos, encher as amizades, obediente ao conselho entorpecido de Reinaldo Moraes. Tanto faz. Contra todo o alarme, 2019 acena da esquina e reclama coragem.

No que me diz respei- to, 2018 termina  hoje, quando coloco os pés pra cima, em ansioso gozo de férias. Quero sombra e água fresca. Eu mereço.
O exercício da profissão exige o impossível dos meus nervos. Dou a cara tapa, boto o meu na reta, assumo o risco da opinião. Todo santo dia. Faça chuva ou faça sol. Em dezembro, ao contrário, não digo uma vírgula sobre coisa nenhuma, não quero saber de seu ninguém.
A concorrência vai ter de me desculpar, mas não há periódico que dedique atenção aos papocos da cultura Serigy, como faz o Jornal do Dia. Graças a estas páginas, as bancas florescem com notícia de gente virada no diabo, capaz de tirar leite de pedra e dar nó em pingo d'água para fazer vibrar o arame lasso da sensibilidade nativa. E cabe a mim, um jornalista nascido com a bunda virada pra lua, a grata tarefa de assinar o resumo da ópera - Uma história de muito murro em ponta de faca.
Lá se vai um ano difícil, de muitos óbices e perdas inestimáveis. Nos arquivos deste diário, no entanto, fica preservada a memória de feitos e promessas animadoras, registradas em letra de imprensa. Não alcançamos o fim do mundo, nem chegamos ao fundo do poço. Produzimos feito doidos, apesar de todos os pesares. O discurso paralisante do apocalipse não há de vingar nunca nas praias daqui.
Hoje eu quero apenas a voz mansa de Paulinho da Viola dando voltas numa vitrola velha, ver as meninas, uma pausa de mil compassos. Esvaziar os copos, encher as amizades, obediente ao conselho entorpecido de Reinaldo Moraes. Tanto faz. Contra todo o alarme, 2019 acena da esquina e reclama coragem.