Juventude abandonada

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 04/12/2018 às 07:38:00

 

A falta de oportunidades no ho-
rizonte dos jovens brasileiros 
acaba de ser traduzida em um dado dramático: 23% destes não estudam e não têm trabalho remunerado. Sem nenhuma chance de provar o próprio valor, espanta que não transformem, todos, as próprias cabeças em oficina do diabo.
Não é assim por livre e espontânea vontade. De acordo com a pesquisa Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, embora os números possam induzir a uma conclusão apressada, à ideia de que os jovens nascidos aqui são ociosos e improdutivos, não demonstram interesse pela hora do Brasil, é preciso analisar o quadro com muito cuidado. É sabido, por exemplo, que 31% dos jovens sem ocupação procuram trabalho.
O perfil do jovem de cara pra cima na rua da amargura reproduz um quadro mais abrangente, de desigualdades econômicas e sociais históricas, a pesquisa indica. Não por acaso, a mulher de baixa renda é maioria entre os jovens sem acesso à educação formal e o mercado de trabalho.
Não está fácil pra ninguém. Os especialistas são unânimes ao afirmar que somente o crescimento econômico tem o potencial de gerar oportunidades e emprego. Com a economia estacionada, em ponto morto e compasso de espera, somente o desalento e a subutilização da força de trabalho prosperam. Mas o levantamento do Ipea toca em um ponto ainda mais delicado: uma parcela expressiva das crianças e adolescentes nascidos no Brasil parece ter sido abandonada à própria sorte.

A falta de oportunidades no ho- rizonte dos jovens brasileiros  acaba de ser traduzida em um dado dramático: 23% destes não estudam e não têm trabalho remunerado. Sem nenhuma chance de provar o próprio valor, espanta que não transformem, todos, as próprias cabeças em oficina do diabo.
Não é assim por livre e espontânea vontade. De acordo com a pesquisa Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, embora os números possam induzir a uma conclusão apressada, à ideia de que os jovens nascidos aqui são ociosos e improdutivos, não demonstram interesse pela hora do Brasil, é preciso analisar o quadro com muito cuidado. É sabido, por exemplo, que 31% dos jovens sem ocupação procuram trabalho.
O perfil do jovem de cara pra cima na rua da amargura reproduz um quadro mais abrangente, de desigualdades econômicas e sociais históricas, a pesquisa indica. Não por acaso, a mulher de baixa renda é maioria entre os jovens sem acesso à educação formal e o mercado de trabalho.
Não está fácil pra ninguém. Os especialistas são unânimes ao afirmar que somente o crescimento econômico tem o potencial de gerar oportunidades e emprego. Com a economia estacionada, em ponto morto e compasso de espera, somente o desalento e a subutilização da força de trabalho prosperam. Mas o levantamento do Ipea toca em um ponto ainda mais delicado: uma parcela expressiva das crianças e adolescentes nascidos no Brasil parece ter sido abandonada à própria sorte.