BRASIL, DE GETÚLIO A JAIR BOLSONARO

Luiz Eduardo Costa

 

Segunda feira. dia dez, na AEASE será um dia inteiramente dedicado à análise das atividades produtivas no campo sergipano. É uma iniciativa de agrônomos, todavia, aberta á todos que desejem participar. Existe até o anuncio de que haverá almoço para que os participantes não se dispersem e permaneçam todo o tempo envolvidos nas palestras e discussões.
A agropecuária, a agroindústria, o agronegócio e agricultura familiar são atividades produtivas, que como tal devem ser tratadas, e sem um norte de técnica,  modernização, e sustentabilidade não haverá uma perspectiva favorável para o futuro.

Houve no Brasil 3 presidentes que ousaram montar um projeto de país lastreado em objetivos nacionais perma nentes.  Seus nomes: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck e Ernesto Geisel.

Lula e Fernando Henrique poderiam estar entre eles.

O primeiro reviveu a esquecida realidade de que havia milhões de brasileiros passando fome.  Foi buscar uma ideia já em execução no governo passado, deu-lhe maior conteúdo e abrangência, e dele fez o carro chefe de uma ambição virtuosa, que seria   um país onde o direito fundamental à sobrevivência estaria assegurado.

Lula, contudo,  não foi ao ponto fundamental, que continua sendo a extrema dependência da nossa economia aos fatores externos.  Armou a sua rede de nordestino vencedor em dois cabides, um, em São Bernardo do Campo, outro,  na Avenida Paulista , no endereço da FEBRABAN.

Num dos cabides, a companheirada em festa começou a labuzar-se com mel,  e adorou o gosto, compartilhando com novos aliados há muito  lambuzados.

No outro cabide os donos do cassino financeiro  continuaram a fazer as mesmas apostas.

Nenhum dos pendurados nos dois cabides apostou seriamente no Brasil. 

FHC cometeu o erro de imaginar que o Plano Real seria a base para uma economia sólida, atrelando a moeda sem lastro ao suposto amparo do dólar. A crise de 1999 o fez sair, mal arriara as malas, da casa na Praia  do Saco, do  governador e anfitrião Albano Franco, onde iria descansar por 4 dias. 

Retornou à Brasilia , depois foi  a Washington abrigar-se sob a condescendência do amigo Bill Clinton, que orientou o FMI para nos socorrer na emergência. FHC constatava: país periférico, no modelo atual, não pode alimentar a ilusão de ter moeda forte.

Um fato a ser observado nos governos de Getúlio, JK e Geisel: todos tentaram quebrar o  alinhamento automático que mantínhamos com os Estados Unidos, em face da polarização entre capitalismo e comunismo.

Getúlio, produto da década dos anos 30, não revelava gosto pela política externa. Homem da fronteira, tinha a característica  atávica dos  que vivem olhando para o outro lado como terreno inimigo. Mas, teve em Osvaldo Aranha um chanceler brilhante, e no tenente João Alberto a ousadia do revolucionário indo além da morosidade diplomática.

 Getúlio era pragmático, tirou proveito comercial do confronto entre as democracias e o nazi-fascismo. Fez quase juras de amor ao totalitarismo hitlerista, que acabara de subjugar a França, mas, comprava a bom preço os nossos produtos primários. Todavia, correu a dar solidariedade aos Estados Unidos, rompendo com o Eixo, ( Alemanha- Japão- Itália) quando houve o ataque à base de Peral Harbor.

Manhosamente, resistiu enquanto pode para atender aos americanos que  queriam montar no  nordeste  a base para a invasão da África do Norte. Cedeu depois, mandou até um numeroso contingente de tropas para lutar, aliás  bravamente, na Itália, uma aventura inimaginável para um país como o Brasil, atrasado, pobre, destituído de recursos bélicos.  Assim,  seduziu Roosevelt, que lhe abriu as portas a créditos, e forneceu-lhe tecnologia para a montagem da Siderúrgica de Volta Redonda.

Getúlio botou no pape  tudo o que restava para  fazer a independência econômica do Brasil. Deposto, Dutra, que o sucedeu,  gastou os créditos que acumuláramos durante a guerra abrindo o mercado para a invasão de quinquilharias americanas.

Retornando pelo voto em 1950, Getúlio prosseguiu no seu intento, criou a PETROBRAS, e o que aconteceu é bem sabido. Está  explicitado na Carta - Testamento.

JK  chegou com gosto de gás. Buscou investimentos na Europa, no Japão, fez politica externa inovadora, mas aquietou a  ¨fera¨ o nosso ¨irmão do norte¨. Levou a Washington a base de uma política para a cooperação,  uma espécie de Plano Marshall   na América Latina. A ideia  surgiu da cabeça prolífica do grande amigo de JK, o poeta e vendedor de secos e molhados, dono da rede de Supermercados Disco. Um autodidata genial,  Augusto Frederico Schmidt, tinha cultura e visão de mundo.  O presidente  Kennedy encantou-se com a ideia, e a transformou na Aliança Para o Progresso. Assim , Juscelino pôde romper com o FMI, fazer Brasília desafiando todo o carrancismo da elite embolorada; derrotou duas rebeliões militares, e teve, no dia da Inauguração da Nova Capital, a presença dos  ¨grandes ¨do mundo, encantados com o Brasil, a Nação tropical um tanto exótica, que vencia a pasmaceira do atraso e surgia com ares de  primeira potencia abaixo da linha do Equador.

O general  Geisel,  homem rigoroso, militar no modelo quase prussiano, sucedeu a três generais sem vocação para estadistas, e  a uma Junta Militar, formada no tumulto improvisado de um tempo de excessos autoritários, e chegou prometendo a distensão: ¨lenta, gradual e segura¨.

Fez mais do que isso, e montou um projeto autônomo de desenvolvimento para o Brasil, sem a supervisão direta de ninguém . Abriu  Embaixada em Pequim, deu ao empresário brasileiro a possibilidade  de alcançar o  que breve seria o maior mercado do mundo.  Rompeu o humilhante acordo militar com os Estados Unidos, foi à Alemanha e assinou um acordo nuclear, até hoje sabotado.

Quando a crise do petróleo nos devastava Geisel criou o Próalcool ,  o mais ambicioso programa de aproveitamento de energia da biomassa do mundo. Foi buscar um engenheiro visionário,  Bautista Vidal, e ele fez   o projeto que em  menos  de dois anos transformou o etanol num sucedâneo melhor do que o petróleo. 

 Bolsonaro, o presidente eleito, reúne  uma  extensa e diversificada base de apoio que nenhum dos três precursores de um caminho de autonomia  tiveram.

 Se ele quiser passar a História como o quarto grande presidente poderá inspirar-se nos outros três, o que o deixaria  longe do Chicago Boy, e do diplomata  que o próprio Itamaraty detesta.

A Escola de Chicago que mais mortes causou não foi a de Al Capone¨.

A frase é do empresário  Severo Gomes,  ex- ministro de Geisel,  que morreu junto com  Ulisses Guimarães no acidente do helicóptero.

Eles  é que precisam de nós e não o contrário. ¨

A frase é do general Andrade Serpa, um cara repleto de brasilidade, advertindo para os perigos de uma política externa e de uma economia  descoladas dos nossos interesses.

JÁ SE MORRE MENOS POR ¨MORTE MATADA¨ EM SERGIPE

Já se mata menos em Sergipe, as estatísticas tétricas dos assassinatos registram uma incentivadora regressão. A violência de um modo geral refluiu, e isso já começa a ser sentido, principalmente em cidades do interior, onde a criminalidade era acentuada e a ousadia das quadrilhas parecia incontrolável. A SSP tem dados que considera confiáveis, demonstrando uma queda em vários  aspectos da criminalidade. Nas estradas os assaltos reduziram-se  consideravelmente, da mesma forma assaltos a bancos e roubo de gado.

O Secretário João Eloy entende que ainda existe um longo trajeto a percorrer, mas, constata com absoluto realismo, que ultrapassamos a pior fase, e Sergipe já se destaca no Brasil como o estado que apresentou melhores resultados na área da segurança pública.

O caso de Tobias Barreto onde há alguns meses não se registra um crime de morte, é, segundo João  Eloy, um paradigma a ser imitado nos outros municípios. Ali, a integração perfeita entre policias Militar e Civil, ao lado do protagonismo da sociedade, agindo de forma a estimular uma cultura de paz  foram os fatores determinantes para o surgimento de um novo e estimulante ambiente de convivência construtiva entre policia e sociedade.

Esses êxitos estão sendo alcançados, registre-se, apesar do clima social e econômico em Sergipe ser desfavorável, e até propicio ao aumento da criminalidade. Temos um elevado numero de desempregados, em consequência da quase paralisação da indústria da construção civil e dos efeitos de uma longa seca, que neste ano quase zerou a produção de milho, e afetou todas as atividades no campo, do leite à citricultura, à agroindústria canavieira. O desemprego em consequência cresceu.

AS MULHERES E  ¨AS ILHAS DE AÇO ¨ 

A Rede Globo vai lançar uma série sobre a atividade petroleira no mar. A vida nas portentosas ilhas de aço, fixadas no fundo, quando raso, ou flutuando sobre quilômetros de mar profundo, para extraírem sob quilômetros  de terra o petróleo, até nas regiões quase abissais dos oceanos.

Até que a PETROBRAS dominasse a técnica das águas profundas as petroleiras pelo mundo a fora não iam além dos mil metros de lamina de água. No golfo de Maracaibo na Venezuela, no Golfo do México, nas águas geladas do Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e a península escandinava, era extraído o grosso do óleo produzido no mar. Mas as grandes profundidades permaneciam como  desafio que exigia a superação das dificuldades, não só através de novas tecnologias, e, mais ainda, através de modelos de operação que mantivessem os custos compatíveis   com  os preços do barril, o que exigia  mais engenho e arte.

A PETROBRAS tinha muito know-how acumulado em muitos anos de atividades no mar. Fizera  a primeira descoberta em Sergipe, no ano que já vai longe de 1968.  As  ¨ilhas de aço ¨montadas sobre pilares   estavam a pouca distancia da praia aracajuana de Atalaia. A profundidade não passava dos vinte metros, mas, quase tudo nas plataformas era feito por estrangeiros ou sob a supervisão deles.

Agora, a PETROBRAS a Exxon e outras empresas vão começar a fixar ¨ilhas de aço ¨, outra vez nas costas sergipanas, mas, desta vez, a distancias entre 80 e 100 quilômetros, em águas profundas,  e onde as reservas são incomparavelmente maiores do que aquelas encontradas nas águas rasas há  meio século, e ainda produzindo.

A série da Globo desenvolve a sua trama numa ¨ilha de aço ¨ fixada nas lonjuras do pré -sal, aquelas reservas exponenciais, só exploradas depois que a PETROBRAS aplicou a sua técnica exclusiva e precursora.

Há no elenco da série televisiva, a presença do ator Cauã Reimond, e de uma atriz  fazendo o papel de  engenheira,   comandando um grupo  de homens,  num ambiente de trabalho antes  só ocupado por eles.  As mulheres começaram também a conquistar esses espaços.

Há uma engenheira sergipana, Selma Araújo, que é uma das pioneiras, no pioneiro campo marítimo sergipano, talvez a primeira a subir na cestinha um tanto precária, que elevava as pessoas dos barcos até a superfície  da plataforma, onde se chegava também em helicópteros operando nos exíguos helipontos, a uma altura de mais de 30 metros sobre o mar, e varridos, no inverno, pelos ventos mais intensos de sudeste, que desafiam a perícia dos pilotos.

Selma, que agora vai exercer a direção da Região de Produção da Bahia,  faz parte da história épica da PETROBRAS, tanto no mar, nos campos sergipanos precursores, como no campo de Urucú , no meio da selva amazônica, os dois, marcos dos grandes desafios vencidos pela petroleira brasileira .

Ela é filha do  advogado Jaime Araújo e da professora Maura, e esposa do delegado da policia civil Jocélio Fróes.

Jaime foi deputado estadual, sabia, parece, que teria a vida curta, e procurava viver intensamente.  Foi cassado pela intolerância do regime autoritário.  Tinha uma história de participação nas lutas geralmente assumidas pela esquerda, mas era filiado a um partido conservador, o Partido Republicano , o PR do ¨Tio Júlio , ¨como ele o chamava, referindo-se ao senador Júlio Leite, um politico no melhor estilo clássico. Jaime participou  da luta pelo petróleo na década dos cinquenta, era ainda estudante.

Em 1963, quando o petróleo jorrou no campo de Carmópolis, pela segunda vez no Brasil, Jaime foi comemorar lambuzando-se no óleo, e ele,  o professor Paulo Novais, o economista Paulo Barbosa, o professor Jaime Santiago, os economistas Juarez Alves Costa, Jacó Charcot Pereira Rios e tantos outros, entre eles o governador Seixas Doria, trocaram melados abraços nacionalistas, naquela cena que representava uma vitória sobre as ladainhas derrotistas,  saídas de uma gente que usa de todos os pretextos para  disfarçar o que de fato sente:  a doentia e c-orrosiva descrença no Brasil.

MATAR O BOI SEM QUE O BOI NOS MATE E O ¨PEIDO DA VACA ¨

O bicho humano é carnívoro por excelência. Desde as cavernas após descer das árvores, onde frutos e folhas lhe bastavam, o bicho homem sentiu o gosto de sangue na boca, talvez aproveitando os restos de um animal que outro matara e saciara a fome deixando sobras. Dai em diante surgia o caçador na busca incessante de quem abater. Animal frágil, facilmente presa de outros bem maiores que ainda deixavam suas pegadas pelo povoado planeta, já aquietando suas desmedidas convulsões geológicas.  O homo - sapiens, destacada espécie na numerosa fauna de bestas fortes,  todavia desinteligentes,  foi substituindo a pedra e  criando armas mais eficientes para caçar, e também matar outros semelhantes, porque se fizera, ao mesmo tempo, caçador e guerreiro.

Quando as selvas já não conseguiam sustentar a caça que o devorador carnívoro necessitava, então, ele foi reforçar a agricultura para se abastecer com os grãos,  as verduras, os legumes.  Domesticou rebanhos e se pôs a engordá-los, ai,  passou a depender deles. Surgiu a imensa contradição: era preciso usar cada vez mais as extensões de terra para alimentar  os numerosos rebanhos. O Brasil, por exemplo, produz milhões de toneladas de milho e soja para que sejam feitas rações e alimentem um  rebanho de mais de 150 milhões de bovinos, e de tantos outros, que, por sua vez,  se transformam em guloseima para os humanos. Agora entra em cena a questão ambiental, e o  ¨peido¨ da vaca, aquela flatulência solta no ar, conduz uma carga de carbono que estaria contribuindo para a calamidade planetária do aquecimento global. Sobre a flatulência vacum, o satírico blogueiro , douto esculápio e sanitarista Antônio Samarone, produziu um texto ferino e preciso.

Belos argumentos, fortalecidos com a nossa irracionalidade, para reforçar os outros argumentos, mais lógicos , todavia insípidos, dos vegetarianos, ou agora radicalmente veganos. Estes, não recebem   a graça quase suprema de uma bisteca florentina,   que até são encontradas  nas imitações sofríveis   das churrascarias de beira de estrada, desde que servidas bem sangrentas.

Essa necessidade que sente o homo sapiens de provocar a sangreira desatada dos milhões de herbívoros abatidos todos os dias, fez, necessariamente, multiplicar os Matadouros, aqueles templos malcheirosos do sacrifício diuturno ao insaciável deus estômago.

A coisa sofisticou-se, surgindo os frigoríficos,  a indústria da morte bem sofisticada, asséptica, ágil , automatizada, com suas extensas linhas de desmontagem dos bichos, nos cortes atraentes que agregam valor à simplicidade da carne sem maiores tratos.

Aqui em Sergipe o matadouro, rústico, fedorento, onde açougueiros com roupas ensanguentadas promovem o ritual  cotidiano da morte e esquartejamento metódico dos corpos,  começou agora a criar problemas.  O Ministério Público além de dar de frente com transgressões ambientais e sanitárias, detectou aqui e ali, algumas espertezas, que teriam levado dois prefeitos a trocarem  compulsoriamente seus gabinetes, por celas que, no caso deles, têm nome de sala.

Matadouro não combina com coisa pública, assim, os prefeitos com mais sensatez, e que tenham matadouros para administrar, estão buscando deles  ficar distantes, fechando  portas ou encontrando quem se disponha a comprá-los ou  a ser concessionário.

Ainda não seria a melhor solução, porque surgiriam  empresas cambaleantes, descapitalizadas, com baixo nível de lucratividade,  sem margem para  reinvestir em modernização.

Se  trocaria o descalabro público pela inviabilidade privada.

A saída estaria na modernização do processo do abate, do transporte,  da fiscalização e do comércio da carne nossa de cada dia.

Para isso já existem frigoríficos montados por grupos com capacidade técnica e financeira. Para eles se deveria transferir o abate, procurando-se o amparo  da manutenção dos empregos dos que hoje são açougueiros espalhados pelos matadouros  fechados. Já existem dois e um em projeto, talvez, com mais um localizado em Nossa Senhora da Gloria, se poderia formar uma rede de atendimento para todo o estado.

A HIGIENIZAÇÃO DA POLITICA FEITA PELA POLICIA FEDERAL

Aquela cena de um deputado federal eleito sendo preso pela Policia Federal, na entrada de um dos mais movimentados restaurantes de Aracaju , poderia ter sido perfeitamente evitada. Isso, se os nossos partidos políticos e uma parte das nossas lideranças politicas tivessem alguma vergonha na cara. Quando o cidadão  com o nome estapafúrdio de Valdelrvan 90 apresentou-se ao mundo político sergipano como pleiteante a uma vaga num partido qualquer para disputar uma cadeira na Câmara Federal, não foram poucos os que colocaram à sua frente tapetes vermelhos para conduzi - lo à filiação. O 90 não vive em Sergipe, mas, seria sergipano, com propriedades no sul do estado e morando faz muito tempo em São Paulo, onde lideraria um setor não formal do transporte publico paulistano. Sobre ele havia suspeitas, e muitas informações preocupantes. O clima de suspeições não impediu 90 de transitar com uma acintosa desenvoltura, alardeando poder e riqueza. Antes de causar  reservas e precauções, a atitude espalhafatosa de 90, atraiu para ele uma grande quantidade de ¨cabos eleitorais ¨,  e ao mesmo tempo a tolerância de lideranças politicas expressivas que lhe facilitaram o transito até o registro da sua candidatura, e o desenrolar da campanha. 

O candidato 90 percorreu o interior sergipano abrindo a sua bolsa para distribuir dinheiro .  Um ¨cabo eleitoral ¨que recebeu dinheiro mas ficou apavorado ao conhecer a fama  que lhe pintaram do candidato, o procurou dizendo que queria devolver o dinheiro, e com isso, também, desfazer o compromisso do voto. Recebeu a resposta: ¨Não quero dinheiro de volta, quero os  votos que você me prometeu e  eu lhe paguei. Vou acompanhar a apuração e se aqui eu não tiver voto você vai saber quem é Valdervan 90 ¨. O homem voltou apavorado ao seu município e não fez outra coisa ate o dia da eleição a não ser implorar voto para o 90. Acompanhou a apuração ao  pé do rádio, e quando os votos de 90 chegaram ao que ele havia prometido, saiu pelos bares ¨enchendo a cara ¨comemorando a vitória do seu candidato, com a sensação de que salvara também a  sua vida.

O sistema eleitoral é perverso, chega a ser um convite permanente à transgressão, tanto por parte do candidato como do eleitor.

Gastando muito dinheiro, qualquer calhorda analfabeto e truculento terá amplas possibilidades de ser eleito  e tornar-se ¨ honorável representante do povo ¨ nas Câmaras, nas Assembleias, nas duas casas do Congresso Nacional.

A escória social representada pelos peculatários , traficantes, assaltantes, falsários, manhosos de toda espécie, se sentiu atraída pelas vantagens e a impunidade na vida publica, e serão ações como esta da PF em Aracaju o mais eficiente recado transmitido aos bandoleiros que se engravatam.

Mas é preciso comedimento , equilíbrio e muita sensatez, para que a ânsia de punir não se desvirtue pelo exagero em certos casos, quando se criminalizam  políticos principalmente,  que não podem ser confundidos com simples meliantes, bastando apenas que se percorra a historia de vida de cada um. Bastaria aqui ciar o caso do deputado presidente da Assembleia Luciano Bispo, como algo que soa como gritante injustiça.

DO MARECHAL RONDON À ¨DESCOBERTA¨ DA MINISTRA

Cândido Mariano Rondon, o Marechal Rondon, é um entre os brasileiros que podem compor com honra o Panteão dos vultos mais importantes da nacionalidade. Esse panteão por sinal não existe, e não deverá existir nunca, porque seria difícil  fazer através de decreto  a sua composição, isso, sem despertar controvérsias e acalorados debates, e até irados protestos, ou, o que seria pior,  a omissão do silêncio encobrindo uma indiferença sepulcral  diante da nossa História,  e dos que a fizeram.

No inicio do século passado veio ao Brasil o ex-presidente americano Theodore Rooesvelt .  Além de político ele era um homem de ciência e  fascinado por explorações. A maior delas foi a que começou em 1908, e ficou conhecida como Expedição Científica Roosevelt - Rondon.

O então coronel Cândido Mariano foi recomendado a Roosevelt pelo Ministro do Exterior brasileiro Lauro Muller.  Roosevelt  chegou subindo o rio Paraguai, desde Assunção, numa canhoneira que o presidente do país colocara ao seu dispor. Em Cáceres ficou a esperar Rondon, que viajava de navio de Manaus ao Rio, para dali seguir por terra ao encontro do americano. Começariam então a fazer a longa e complicada marcha para o norte até Manaus,   cruzando pantanais, rios, selvas e montanhas, regiões por onde Rondon tanto  passara antes, executando o formidável trabalho de  catalogação cientifica do nosso território, e onde ficaram as marcas   da sempre amistosa aproximação com os índios. O lema de Rondon : ¨Morrer se preciso for, matar nunca ¨.  

Rondon foi o nosso grande ¨bandeirante ¨civilizador, movido pelo saber científico,  uma relação fraterna com o índio, e   total dedicação ao Brasil.

Dele, em carta de agradecimento ao governo brasileiro diria o ex-presidente Theodore Roosevelt :  ¨A América  pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas: ao Norte o canal do Panamá; ao Sul as conquistas geográficas de Rondon. ¨

Demorou para que os povos autóctones do Novo Mundo , os índios, fossem  reconhecidos como bichos humanos, de carne  e osso, portadores também de uma alma. E vieram os jesuítas para burilar essa alma, e salvá-la pela a fé, dos padecimentos do inferno.  Coitados dos índios, ingênuos, inocentes, adorando seus deuses anímicos, sol, lua, planta, bicho, a natureza mãe e sagrada, sem saberem que um    outro castigo os aguardava após a morte, além daqueles sofridos em vida do  conquistador branco, que chegava para exterminá-los, ou os transformar em escravos.

O Padre Vieira, num daqueles seus portentosos sermões, proclamou a identidade humana encontrável nos povos das selvas do Novo Mundo. Os sermões de Vieira viriam a enriquecer a literatura lusófona, mas, ao que tudo faz crer, aqueles textos longamente lidos nos púlpitos, não retiravam a sonolência da realeza, dos seus cortesãos,  homens grados, e acólitos, que mal os escutavam,  menos ainda os entendiam.

Mas tudo indica que sobre a natureza humana do índio não parece haver mais nenhuma dúvida, tanto assim que a recém indicada ministra da Família, Direitos Humanos e Índios,  a advogada e pastora Damares Alves, já disse,  bem enfática: ¨índio  também é gente ¨.

AGRICULTURA E DESAFIO  DA  MODERNIZAÇÃO SUSTENTÁVEL

Segunda feira. dia dez, na AEASE será um dia inteiramente dedicado à análise das atividades produtivas no campo sergipano. É uma iniciativa de agrônomos, todavia, aberta á todos que desejem participar. Existe até o anuncio de que haverá almoço para que os participantes não se dispersem e permaneçam todo o tempo envolvidos nas palestras e discussões.
A agropecuária, a agroindústria, o agronegócio e agricultura familiar são atividades produtivas, que como tal devem ser tratadas, e sem um norte de técnica,  modernização, e sustentabilidade não haverá uma perspectiva favorável para o futuro.

 


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