Democracia do like

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Publicada em 11/12/2018 às 06:05:00

 

O presidente eleito Jair Bolsonaro 
ainda não pronunciou as palavras 
de um estadista. Depois de se emocionar com a execução do hino nacional, durante a cerimônia de diplomação realizada ontem, no prédio do Superior Tribunal Eleitoral, Bolsonaro adotou um tom conciliatório. Nas entrelinhas do seu discurso, entretanto, ainda é possível identificar sombras indesejáveis. A exaltação das redes sociais, confundidas com um mecanismo de democracia direta, por exemplo, é tão equivocada quanto preocupante.
Nas palavras do presidente eleito, "o poder popular não precisa mais de intermediação". Segundo ele, as novas tecnologias permitiram uma relação "direta" entre o eleitor e seus representantes. Vindo de onde veio, um homem público conhecido por uma indisposição declarada com os veículos de imprensa, a sentença dá muito pano pra manga.
A guerra entre Bolsonaro e a imprensa brasileira foi declarada antes mesmo de o presidente assumir o seu mandato. Ainda durante a campanha, desfavorecido pela vigilância do chamado quarto poder, o então candidato disparou contra o jornal Folha de São Paulo. No que dependesse dele, um dos veículos de informação mais tradicionais e importantes do país não receberia do governo federal nenhum centavo.
Não é difícil entender o apreço de uns e outros pela democracia do "like". Tanto o presidente eleito quanto boa parte da equipe reunida para colaborar no seu futuro governo demonstram escandaloso pendor autoritário. Basta lembrar a declaração infeliz segundo a qual bastaria um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. Sandices como essa podem até animar os apoiadores ocupados em fazer barulho nas redes sociais, prontos a insuflar a moral do projeto vitorioso nas urnas, mantendo a bola cheia. Mas, como a verdadeira imprensa não cansa de lembrar, também depõem contra o sentido de participação política mais ao gosto do presidente Bolsonaro.

O presidente eleito Jair Bolsonaro  ainda não pronunciou as palavras  de um estadista. Depois de se emocionar com a execução do hino nacional, durante a cerimônia de diplomação realizada ontem, no prédio do Superior Tribunal Eleitoral, Bolsonaro adotou um tom conciliatório. Nas entrelinhas do seu discurso, entretanto, ainda é possível identificar sombras indesejáveis. A exaltação das redes sociais, confundidas com um mecanismo de democracia direta, por exemplo, é tão equivocada quanto preocupante.
Nas palavras do presidente eleito, "o poder popular não precisa mais de intermediação". Segundo ele, as novas tecnologias permitiram uma relação "direta" entre o eleitor e seus representantes. Vindo de onde veio, um homem público conhecido por uma indisposição declarada com os veículos de imprensa, a sentença dá muito pano pra manga.
A guerra entre Bolsonaro e a imprensa brasileira foi declarada antes mesmo de o presidente assumir o seu mandato. Ainda durante a campanha, desfavorecido pela vigilância do chamado quarto poder, o então candidato disparou contra o jornal Folha de São Paulo. No que dependesse dele, um dos veículos de informação mais tradicionais e importantes do país não receberia do governo federal nenhum centavo.
Não é difícil entender o apreço de uns e outros pela democracia do "like". Tanto o presidente eleito quanto boa parte da equipe reunida para colaborar no seu futuro governo demonstram escandaloso pendor autoritário. Basta lembrar a declaração infeliz segundo a qual bastaria um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. Sandices como essa podem até animar os apoiadores ocupados em fazer barulho nas redes sociais, prontos a insuflar a moral do projeto vitorioso nas urnas, mantendo a bola cheia. Mas, como a verdadeira imprensa não cansa de lembrar, também depõem contra o sentido de participação política mais ao gosto do presidente Bolsonaro.