PF confirma que Valdevan orientou depoimentos

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Publicada em 11/12/2018 às 07:04:00

 

Gabriel Damásio
A Polícia Federal confir-
mou ontem que pediu 
a prisão preventiva do deputado federal eleito José Valdevan de Jesus Santos, o 'Valdevan 90' (PSC), porque constatou que ele e seu assessor pessoal, Evilázio Ribeiro da Cruz, presos desde sexta-feira na Cadeia Pública de Estância, teriam orientado testemunhas a darem falsas informações dentro do inquérito policial que investiga possíveis fraudes na prestação de contas de sua campanha eleitoral. A informação foi confirmada em entrevista coletiva, depois da divulgação da transcrição de uma escuta telefônica autorizada pela Justiça. 
Nela, o sindicalista aparece dando uma bronca em Evilázio porque duas testemunhas teriam prestado depoimento ao Ministério Público Eleitoral sem conversar com eles. "Ah é, mas você tem que conversar com esse pessoal aí. Você, Denise, como tá aqui. Esse pessoal que tá sendo atacado aí. (...) Não, mas antes aí você tava falando o meu nome, eu não quero saber detalhes, o que você vai falar, você vai falar detalhes agora? Porra, Evilázio! Acorda aí, seu telefone tá lá na sala do pessoal. O seu telefone está na sala do pessoal! Sabe o que é isso, não?", teria dito Valdevan, neste trecho divulgado no último domingo pelo site da rádio Fan FM. A PF confirmou ao JORNAL DO DIA que a transcrição consta no despacho da juíza Soraia Gonçalves de Melo, que decretou as prisões. 
A principal suspeita recai no registro de 86 doações individuais de R$ 1.050 cada, que teriam sido repassadas por pessoas físicas das cidades de Estância e Arauá, redutos eleitorais do deputado. A PF apurou que estas doações foram feitas em sequência e fora dos prazos e valores definidos pela legislação eleitoral. Ou seja, entre os dias 19 e 25 de outubro - após a votação do primeiro turno das eleições - e abaixo do limite de R$ 1.064,10. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é de que a maioria dos doadores, cujos dados foram registrados na prestação de contas de Valdevan, é de pessoas de baixa renda, incluindo 28 beneficiários do Bolsa-Família. 
Alguns doadores registrados foram chamados para prestar depoimento e deram poucas informações sobre a origem do dinheiro doado. De acordo com o delegado Antônio José Carvalho, do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da Superintendência da PF em Sergipe, a versão de que os doadores economizaram recursos para contribuir com a campanha não convence. "Eu, quando pergunto aos doadores já ouvidos sobre a origem do dinheiro, eles dizem que foram economias. Quando eles dizem que esse dinheiro foi sacado de alguma conta, eles dizem que não, que o dinheiro estava guardado em casa. Só que elas são pessoas muito pobres. Acho difícil uma pessoa viver naquela situação e juntar R$ 1.050 em casa, deixando de comprar leite ou arroz, pra doar a um candidato", duvida o delegado. 
Carvalho disse ainda que imagens de câmeras de segurança de agências bancárias da região mostraram que os doadores não estiveram fisicamente nos bancos para fazerem os depósitos do dinheiro na conta bancária da campanha de Valdevan. E que boa parte desses depósitos foram executados por Evilázio. Listas de eleitores e fotos de títulos eleitorais também foram encontrados pelos investigadores com pessoas ligadas ao deputado eleito. 
Parte dos doadores registrados ainda não atendeu à convocação da PF para prestar depoimento e podem ser alvos de mandados de condução coercitiva, isto é, podem ser obrigadas a dar depoimento. Já os que compareceram teriam combinado estas versões com o deputado e os assessores, como suspeitam os policiais que trabalham no caso. "Fica evidente que eles foram orientados para darem o mesmo discurso nos depoimentos, dificultando a instrução do processo", afirma Antônio, que outros crimes atribuídos a Valdevan e a seus eleitores estão sendo investigados, como falso testemunho, organização criminosa e até lavagem de dinheiro. "Verificamos que ele colocava em risco a instrução processual, porque estava instruindo os doadores a falsearem a verdade a respeito dos fatos. Esse fato é mjito grave. A ordem pública fica abalada diante de um candidato que tem um vasto poder econômico e exerce um domínio moral sob os doadores", afirmou o delegado. 
'Valdevan 90', é presidente licenciado do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo (Sindimotoristas/SP) e radicado há 31 anos na capital paulista, mas mudou-se há pouco tempo para Sergipe e foi eleito com cerca de 45 mil votos no estado. Segundo a própria PF, ele poderá ser diplomado na semana que vem, uma vez que o caso ainda não foi julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SE). 
A defesa do candidato eleito entrou ontem com um pedido de habeas-corpus no TRE, com base no argumento de que a pena aplicada ao crime alegado não permite a prisão preventiva. "O artigo 350 do Código Eleitoral diz que a pena no caso de falso documento particular é de no máximo três anos, ou seja, com pena inferior a quatro anos. Sendo assim, a prisão só deve ser decretada após o julgamento total do processo. Não vemos motivos para manutenção da prisão dele, mas respeito qualquer decisão contrária", disse ontem o criminalista Evaldo Campos, que atua na defesa do sindicalista.

A Polícia Federal confir- mou ontem que pediu  a prisão preventiva do deputado federal eleito José Valdevan de Jesus Santos, o 'Valdevan 90' (PSC), porque constatou que ele e seu assessor pessoal, Evilázio Ribeiro da Cruz, presos desde sexta-feira na Cadeia Pública de Estância, teriam orientado testemunhas a darem falsas informações dentro do inquérito policial que investiga possíveis fraudes na prestação de contas de sua campanha eleitoral. A informação foi confirmada em entrevista coletiva, depois da divulgação da transcrição de uma escuta telefônica autorizada pela Justiça. 
Nela, o sindicalista aparece dando uma bronca em Evilázio porque duas testemunhas teriam prestado depoimento ao Ministério Público Eleitoral sem conversar com eles. "Ah é, mas você tem que conversar com esse pessoal aí. Você, Denise, como tá aqui. Esse pessoal que tá sendo atacado aí. (...) Não, mas antes aí você tava falando o meu nome, eu não quero saber detalhes, o que você vai falar, você vai falar detalhes agora? Porra, Evilázio! Acorda aí, seu telefone tá lá na sala do pessoal. O seu telefone está na sala do pessoal! Sabe o que é isso, não?", teria dito Valdevan, neste trecho divulgado no último domingo pelo site da rádio Fan FM. A PF confirmou ao JORNAL DO DIA que a transcrição consta no despacho da juíza Soraia Gonçalves de Melo, que decretou as prisões. 
A principal suspeita recai no registro de 86 doações individuais de R$ 1.050 cada, que teriam sido repassadas por pessoas físicas das cidades de Estância e Arauá, redutos eleitorais do deputado. A PF apurou que estas doações foram feitas em sequência e fora dos prazos e valores definidos pela legislação eleitoral. Ou seja, entre os dias 19 e 25 de outubro - após a votação do primeiro turno das eleições - e abaixo do limite de R$ 1.064,10. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é de que a maioria dos doadores, cujos dados foram registrados na prestação de contas de Valdevan, é de pessoas de baixa renda, incluindo 28 beneficiários do Bolsa-Família. 
Alguns doadores registrados foram chamados para prestar depoimento e deram poucas informações sobre a origem do dinheiro doado. De acordo com o delegado Antônio José Carvalho, do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da Superintendência da PF em Sergipe, a versão de que os doadores economizaram recursos para contribuir com a campanha não convence. "Eu, quando pergunto aos doadores já ouvidos sobre a origem do dinheiro, eles dizem que foram economias. Quando eles dizem que esse dinheiro foi sacado de alguma conta, eles dizem que não, que o dinheiro estava guardado em casa. Só que elas são pessoas muito pobres. Acho difícil uma pessoa viver naquela situação e juntar R$ 1.050 em casa, deixando de comprar leite ou arroz, pra doar a um candidato", duvida o delegado. 
Carvalho disse ainda que imagens de câmeras de segurança de agências bancárias da região mostraram que os doadores não estiveram fisicamente nos bancos para fazerem os depósitos do dinheiro na conta bancária da campanha de Valdevan. E que boa parte desses depósitos foram executados por Evilázio. Listas de eleitores e fotos de títulos eleitorais também foram encontrados pelos investigadores com pessoas ligadas ao deputado eleito. 
Parte dos doadores registrados ainda não atendeu à convocação da PF para prestar depoimento e podem ser alvos de mandados de condução coercitiva, isto é, podem ser obrigadas a dar depoimento. Já os que compareceram teriam combinado estas versões com o deputado e os assessores, como suspeitam os policiais que trabalham no caso. "Fica evidente que eles foram orientados para darem o mesmo discurso nos depoimentos, dificultando a instrução do processo", afirma Antônio, que outros crimes atribuídos a Valdevan e a seus eleitores estão sendo investigados, como falso testemunho, organização criminosa e até lavagem de dinheiro. "Verificamos que ele colocava em risco a instrução processual, porque estava instruindo os doadores a falsearem a verdade a respeito dos fatos. Esse fato é mjito grave. A ordem pública fica abalada diante de um candidato que tem um vasto poder econômico e exerce um domínio moral sob os doadores", afirmou o delegado. 
'Valdevan 90', é presidente licenciado do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo (Sindimotoristas/SP) e radicado há 31 anos na capital paulista, mas mudou-se há pouco tempo para Sergipe e foi eleito com cerca de 45 mil votos no estado. Segundo a própria PF, ele poderá ser diplomado na semana que vem, uma vez que o caso ainda não foi julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SE). 
A defesa do candidato eleito entrou ontem com um pedido de habeas-corpus no TRE, com base no argumento de que a pena aplicada ao crime alegado não permite a prisão preventiva. "O artigo 350 do Código Eleitoral diz que a pena no caso de falso documento particular é de no máximo três anos, ou seja, com pena inferior a quatro anos. Sendo assim, a prisão só deve ser decretada após o julgamento total do processo. Não vemos motivos para manutenção da prisão dele, mas respeito qualquer decisão contrária", disse ontem o criminalista Evaldo Campos, que atua na defesa do sindicalista.