MPF vai pedir reprovação das contas de Valdevan 90

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 12/12/2018 às 06:53:00

 

Gabriel Damásio
A procuradora eleitoral 
Eunice Dantas Carva-
lho, do Ministério Público Federal (MPF), confirmou ontem que vai pedir a reprovação das contas de campanha do deputado federal eleito Valdevan de Jesus Santos, o 'Valdevan 90' (PSC), preso desde a semana passada e acusado de fraudar doações de campanha. O MPF já investigava a origem das 86 doações registradas no relatório, que também são alvo de um inquérito pela Polícia Federal e levantam suspeitas quanto à origem dos recursos arrecadados. Ao todo, eles somaram R$ 90,3 mil e, a depender da ação judicial a ser movida, terão que ser devolvidos pelo candidato.
A prisão do candidato, que é sergipano radicado há 31 anos em São Paulo e foi eleito em outubro com cerca de 45 mil votos, foi decretada pela Justiça Eleitoral depois que escutas telefônicas da PF flagraram '90' dando ordens a assessores para orientarem testemunhas que fossem convocadas para prestar depoimento. Segundo a PF, houve interferência indevida de Valdevan para condicionar as testemunhas e atrapalhar as investigações sobre a origem e a legalidade dos recursos que ele usou na campanha eleitoral. 
Ao falar sobre as investigações contra Valdevan, em entrevista coletiva, Eunice disse que chegou praticamente às mesmas conclusões iniciais da PF quanto ao perfil dos doadores que tiveram seus dados registrados na prestação de contas como autores dos depósitos bancários de R$ 1.050,00 cada, feitos nas contas da campanha do sindicalista. Para ela, está claro que os supostos doadores foram, na verdade, usados como 'laranjas' pelo candidato eleito. "Fiz diligências preliminares, peguei os CPFs delas, colocamos o endereço na internet, e verificamos que essas pessoas eram extremamente pobres, muitas delas estão desempregadas, outras ganham menos que um salário mínimo. É impossível eles resolverem se juntar depois da eleição e irem ao mesmo tempo no banco para depositar um mesmo valor", desconfiou.
De acordo com a procuradora, os R$ 90,3 mil depositados foram conseguidos por Valdevan para possivelmente fechar as contas de campanha e pagar dívidas que estavam pendentes. No entanto, os depósitos foram feitos de forma ilegal, fora do prazo determinado e abaixo do limite para doações com transações bancárias. "Ele tinha que fechar o caixa, e alguém teve essa ideia de fechar o caixa burlando a legislação eleitoral", resumiu, destacando que algumas pessoas que prestaram depoimento admitiram ter "emprestado" o CPF a assessores de Valdevan para a execução dos depósitos; ou disseram ter trabalhado na campanha, mas caíram em contradições quanto a atividades executadas ou valores recebidos. 
Eunice Dantas afirma que está aguardando a autorização da Justiça para ter acesso ao inquérito da Polícia Federal, apesar de já contar com algumas provas. Ela adiantou que pensa em duas estratégias jurídicas: uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral ou uma ação para pedir a cassação do registro, com base no crime de captação ilícita de sufrágio (corrupção eleitoral). 
Preso - 'Valdevan 90' e seu assessor, o suplente de vereador Evilázio Ribeiro da Cruz, continuam presos na Cadeia Pública de Estância e cumprem prisão preventiva. Eles aguardam o julgamento do pedido de habeas-corpus que foi pedido pelo advogado de defesa, Evaldo Campos. A defesa nega as irregularidades e afirma que ele nunca foi chamado para prestar esclarecimentos sobre as doações. 

A procuradora eleitoral  Eunice Dantas Carva- lho, do Ministério Público Federal (MPF), confirmou ontem que vai pedir a reprovação das contas de campanha do deputado federal eleito Valdevan de Jesus Santos, o 'Valdevan 90' (PSC), preso desde a semana passada e acusado de fraudar doações de campanha. O MPF já investigava a origem das 86 doações registradas no relatório, que também são alvo de um inquérito pela Polícia Federal e levantam suspeitas quanto à origem dos recursos arrecadados. Ao todo, eles somaram R$ 90,3 mil e, a depender da ação judicial a ser movida, terão que ser devolvidos pelo candidato.
A prisão do candidato, que é sergipano radicado há 31 anos em São Paulo e foi eleito em outubro com cerca de 45 mil votos, foi decretada pela Justiça Eleitoral depois que escutas telefônicas da PF flagraram '90' dando ordens a assessores para orientarem testemunhas que fossem convocadas para prestar depoimento. Segundo a PF, houve interferência indevida de Valdevan para condicionar as testemunhas e atrapalhar as investigações sobre a origem e a legalidade dos recursos que ele usou na campanha eleitoral. 
Ao falar sobre as investigações contra Valdevan, em entrevista coletiva, Eunice disse que chegou praticamente às mesmas conclusões iniciais da PF quanto ao perfil dos doadores que tiveram seus dados registrados na prestação de contas como autores dos depósitos bancários de R$ 1.050,00 cada, feitos nas contas da campanha do sindicalista. Para ela, está claro que os supostos doadores foram, na verdade, usados como 'laranjas' pelo candidato eleito. "Fiz diligências preliminares, peguei os CPFs delas, colocamos o endereço na internet, e verificamos que essas pessoas eram extremamente pobres, muitas delas estão desempregadas, outras ganham menos que um salário mínimo. É impossível eles resolverem se juntar depois da eleição e irem ao mesmo tempo no banco para depositar um mesmo valor", desconfiou.
De acordo com a procuradora, os R$ 90,3 mil depositados foram conseguidos por Valdevan para possivelmente fechar as contas de campanha e pagar dívidas que estavam pendentes. No entanto, os depósitos foram feitos de forma ilegal, fora do prazo determinado e abaixo do limite para doações com transações bancárias. "Ele tinha que fechar o caixa, e alguém teve essa ideia de fechar o caixa burlando a legislação eleitoral", resumiu, destacando que algumas pessoas que prestaram depoimento admitiram ter "emprestado" o CPF a assessores de Valdevan para a execução dos depósitos; ou disseram ter trabalhado na campanha, mas caíram em contradições quanto a atividades executadas ou valores recebidos. 
Eunice Dantas afirma que está aguardando a autorização da Justiça para ter acesso ao inquérito da Polícia Federal, apesar de já contar com algumas provas. Ela adiantou que pensa em duas estratégias jurídicas: uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral ou uma ação para pedir a cassação do registro, com base no crime de captação ilícita de sufrágio (corrupção eleitoral). 

Preso - 'Valdevan 90' e seu assessor, o suplente de vereador Evilázio Ribeiro da Cruz, continuam presos na Cadeia Pública de Estância e cumprem prisão preventiva. Eles aguardam o julgamento do pedido de habeas-corpus que foi pedido pelo advogado de defesa, Evaldo Campos. A defesa nega as irregularidades e afirma que ele nunca foi chamado para prestar esclarecimentos sobre as doações.