O estatuto precisa sair do papel

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Publicada em 13/12/2018 às 05:00:00

 

A fé cega e declarada no poder 
da bala depõe contra a inteli-
gência do futuro presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Eleito com a promessa de dar um basta na violência, ele precisa cotejar as suas teorias e convicções individuais com os dados da realidade. Em nenhum lugar do mundo, o acesso facilitado às armas de fogo produziu estatísticas desejáveis.
A bem da verdade, o problema do Brasil não é excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo. É justo o contrário. O caso do atirador de Campinas, um celerado capaz de disparar a esmo, sem motivação aparente, com saldo de pelo menos cinco mortos, sugere que o Estatuto do Desarmamento não precisa ser revogado, como defende Bolsonaro, mas sair do papel.
Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a exploração criminalidade. Não há urgência, portanto, em armar as pessoas. Mas sim em fazer valer a norma e assumir a responsabilidade sobre a segurança dos cidadãos de bem.
Enquanto o presidente faz pose de durão, um rigor de caras e bocas e palavras inflamadas, os crimes violentos se multiplicam de norte a sul do País, indiferente ao privilégio histórico das grandes capitais. Hoje, mesmo em cidades de pequeno e médio porte, tradicionalmente pacatas, a exemplo dos municípios sergipanos, a violência faz vítimas todos os dias. Muitas vezes, como ocorreu em Campinas, vítimas fatais.

A fé cega e declarada no poder  da bala depõe contra a inteli- gência do futuro presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Eleito com a promessa de dar um basta na violência, ele precisa cotejar as suas teorias e convicções individuais com os dados da realidade. Em nenhum lugar do mundo, o acesso facilitado às armas de fogo produziu estatísticas desejáveis.
A bem da verdade, o problema do Brasil não é excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo. É justo o contrário. O caso do atirador de Campinas, um celerado capaz de disparar a esmo, sem motivação aparente, com saldo de pelo menos cinco mortos, sugere que o Estatuto do Desarmamento não precisa ser revogado, como defende Bolsonaro, mas sair do papel.
Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a exploração criminalidade. Não há urgência, portanto, em armar as pessoas. Mas sim em fazer valer a norma e assumir a responsabilidade sobre a segurança dos cidadãos de bem.
Enquanto o presidente faz pose de durão, um rigor de caras e bocas e palavras inflamadas, os crimes violentos se multiplicam de norte a sul do País, indiferente ao privilégio histórico das grandes capitais. Hoje, mesmo em cidades de pequeno e médio porte, tradicionalmente pacatas, a exemplo dos municípios sergipanos, a violência faz vítimas todos os dias. Muitas vezes, como ocorreu em Campinas, vítimas fatais.