Vamos empurrar com a barriga...

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Publicada em 15/12/2018 às 06:03:00

 

* Antonio Samarone
Encontrei um velho cacique da políti-
ca sergipana, na festa de lançamen-
to da biografia de Wellington Mangueira. Sem assunto, perguntei-lhe por formalidade: o que o senhor espera do futuro governo de Belivaldo? Ele foi sucinto: o estado está falido, vamos continuar empurrando com a barriga. Fiquei com isso na cabeça...
Os indicadores socioeconômicos são evidentes: Sergipe caiu no atoleiro. Perdemos o rumo nos últimos dez anos. Vivemos de improvisos. Nenhum diagnóstico consistente, nem um projeto, nenhuma ideia. Qual o nosso destino econômico, qual a nossa vocação desenvolvimentista?
Apostar que a nossa saída é produção de energia suja, poluidora, não sustentável, é apostar no atraso. Receber empreendimentos rejeitados, não é a solução. O mundo anda em outra direção.
A chegada da Petrobrás na década de 1960, e de outras estatais dos minérios, impulsionaram o desenvolvimento de Sergipe por 40 anos. Aracaju cresceu junto. Essa fase acabou, é só prestar a atenção ao que diz Paulo Guedes, futuro super ministro de Bolsonaro.
Estamos saindo de uma disputa política onde nenhum candidato apresentou propostas consistentes para o desenvolvimento de Sergipe. Existe um deserto de ideias, reina a indigência intelectual. Só generalidades, frases feitas, lugares comuns, marketing e lorotas. Só falta alguém dizer que o mercado resolve, e que o estado, o poder público perdeu o protagonismo.
Eu até concordo que o estado está falido. Sergipe é um bom exemplo, de que o estado perdeu a condição de investidor. Mas continua com o papel dirigente, de prover a infraestrutura, de cuidar do ensino, de apontar caminhos. Sem um rumo, sem a uma definição de prioridades, objetivos e metas, para onde vamos? Precisamos de estadistas, que pensem no futuro. O estado virou uma máquina voltada para a manutenção no poder dos seus ocupantes.
A sucessão de 2022 em Sergipe, já começou. O debate já é público. Mas é um debate pessoal: fulano é forte, beltrano também. Claro, as pretensões são legítimas, mas insuficientes. Sergipe precisa que os pleiteantes apresentem propostas, projetos de desenvolvimento para o estado. Informar a sociedade por que pretendem governar o estado.
O curioso é que o novo mandato de Belivaldo ainda nem começou, mas já é visto como cumprido. Nos próximos 4 anos basta que Belivaldo cumpra a tabela, deixe o tempo passar. Faça o feijão com arroz. Se conseguir pagar os vencimentos dos funcionários já está bom. A sociedade perdeu a esperança, ninguém cobra nada. A única questão que importa é, se ele será ou não candidato ao Senado, e se a vice assumindo, será ou não candidata ao governo. Os mais realistas já se conformaram: Sergipe não tem mais jeito!
Vamos continuar empurrando com a barriga?
* Antonio Samarone é médico e professor da UFS (https://blogdesamarone.blogspot.com)

* Antonio Samarone

Encontrei um velho cacique da políti- ca sergipana, na festa de lançamen- to da biografia de Wellington Mangueira. Sem assunto, perguntei-lhe por formalidade: o que o senhor espera do futuro governo de Belivaldo? Ele foi sucinto: o estado está falido, vamos continuar empurrando com a barriga. Fiquei com isso na cabeça...
Os indicadores socioeconômicos são evidentes: Sergipe caiu no atoleiro. Perdemos o rumo nos últimos dez anos. Vivemos de improvisos. Nenhum diagnóstico consistente, nem um projeto, nenhuma ideia. Qual o nosso destino econômico, qual a nossa vocação desenvolvimentista?
Apostar que a nossa saída é produção de energia suja, poluidora, não sustentável, é apostar no atraso. Receber empreendimentos rejeitados, não é a solução. O mundo anda em outra direção.
A chegada da Petrobrás na década de 1960, e de outras estatais dos minérios, impulsionaram o desenvolvimento de Sergipe por 40 anos. Aracaju cresceu junto. Essa fase acabou, é só prestar a atenção ao que diz Paulo Guedes, futuro super ministro de Bolsonaro.
Estamos saindo de uma disputa política onde nenhum candidato apresentou propostas consistentes para o desenvolvimento de Sergipe. Existe um deserto de ideias, reina a indigência intelectual. Só generalidades, frases feitas, lugares comuns, marketing e lorotas. Só falta alguém dizer que o mercado resolve, e que o estado, o poder público perdeu o protagonismo.
Eu até concordo que o estado está falido. Sergipe é um bom exemplo, de que o estado perdeu a condição de investidor. Mas continua com o papel dirigente, de prover a infraestrutura, de cuidar do ensino, de apontar caminhos. Sem um rumo, sem a uma definição de prioridades, objetivos e metas, para onde vamos? Precisamos de estadistas, que pensem no futuro. O estado virou uma máquina voltada para a manutenção no poder dos seus ocupantes.
A sucessão de 2022 em Sergipe, já começou. O debate já é público. Mas é um debate pessoal: fulano é forte, beltrano também. Claro, as pretensões são legítimas, mas insuficientes. Sergipe precisa que os pleiteantes apresentem propostas, projetos de desenvolvimento para o estado. Informar a sociedade por que pretendem governar o estado.
O curioso é que o novo mandato de Belivaldo ainda nem começou, mas já é visto como cumprido. Nos próximos 4 anos basta que Belivaldo cumpra a tabela, deixe o tempo passar. Faça o feijão com arroz. Se conseguir pagar os vencimentos dos funcionários já está bom. A sociedade perdeu a esperança, ninguém cobra nada. A única questão que importa é, se ele será ou não candidato ao Senado, e se a vice assumindo, será ou não candidata ao governo. Os mais realistas já se conformaram: Sergipe não tem mais jeito!
Vamos continuar empurrando com a barriga?

* Antonio Samarone é médico e professor da UFS (https://blogdesamarone.blogspot.com)