O preço de um mandato

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Publicada em 18/12/2018 às 05:16:00

 

Aparentemente, o uso da máqui-
na pública e o abuso do poder 
econômico ainda são comuns nas campanhas eleitorais. Criminosa, a esperteza de candidatos com trânsito fácil nos gabinetes da República resiste a tudo, inclusive à vigilância crescente das autoridades e da sociedade.
Uma ação movida pelo Ministério Público Federal em Sergipe, acusando o prefeito de Arauá, José Ranulfo dos Santos, de aplicar os recursos municipais em favor do então candidato à Câmara Federal Valdelvan Noventa, é exemplar da força da grana. Soberana, a vontade popular é muitas vezes ludibriada pelo brilho falso de alguns tostões furados.
Valdelvan Noventa é deputado federal eleito, mas teve a diplomação suspensa em função de sua prisão. De acordo com a acusação, os seus assessores aliciaram 86 moradores dos municípios de Estância e Arauá com o fim de simular doações em favor da campanha eleitoral do então candidato. Valdelvan Noventa e o assessor Evilázio Cruz estão presos desde o dia 7 de dezembro, após terem sido flagrados coagindo testemunhas.
Se for como afirmam os agentes públicos, resta provado que o fim do financiamento de empresas privadas a campanhas políticas não oferece nenhuma garantia de que doações ilegais continuem sustentando projetos de poder inconfessáveis. Era preciso sim mudar as regras do jogo. Mas sem a vigilância e o engajamento da população, não tem canetada que dê jeito.
Essa é mais uma questão de cultura. Para por freio aos abusos de uns e outros há o rigor da Lei. Estrago maior, no entanto, a corrupção faz na percepção coletiva sobre o exercício da política. O costumeiro excesso de influência econômica sobre o resultado apurado nas urnas nivela todos os candidatos por baixo. Diz-se que é preciso tantos milhões para fazer um deputado estadual, mais tantos para um federal, e por aí vai. Assim, na ótica do eleitor, persiste a impressão de que os candidatos são tudo farinha do mesmo saco.

Aparentemente, o uso da máqui- na pública e o abuso do poder  econômico ainda são comuns nas campanhas eleitorais. Criminosa, a esperteza de candidatos com trânsito fácil nos gabinetes da República resiste a tudo, inclusive à vigilância crescente das autoridades e da sociedade.
Uma ação movida pelo Ministério Público Federal em Sergipe, acusando o prefeito de Arauá, José Ranulfo dos Santos, de aplicar os recursos municipais em favor do então candidato à Câmara Federal Valdelvan Noventa, é exemplar da força da grana. Soberana, a vontade popular é muitas vezes ludibriada pelo brilho falso de alguns tostões furados.
Valdelvan Noventa é deputado federal eleito, mas teve a diplomação suspensa em função de sua prisão. De acordo com a acusação, os seus assessores aliciaram 86 moradores dos municípios de Estância e Arauá com o fim de simular doações em favor da campanha eleitoral do então candidato. Valdelvan Noventa e o assessor Evilázio Cruz estão presos desde o dia 7 de dezembro, após terem sido flagrados coagindo testemunhas.
Se for como afirmam os agentes públicos, resta provado que o fim do financiamento de empresas privadas a campanhas políticas não oferece nenhuma garantia de que doações ilegais continuem sustentando projetos de poder inconfessáveis. Era preciso sim mudar as regras do jogo. Mas sem a vigilância e o engajamento da população, não tem canetada que dê jeito.
Essa é mais uma questão de cultura. Para por freio aos abusos de uns e outros há o rigor da Lei. Estrago maior, no entanto, a corrupção faz na percepção coletiva sobre o exercício da política. O costumeiro excesso de influência econômica sobre o resultado apurado nas urnas nivela todos os candidatos por baixo. Diz-se que é preciso tantos milhões para fazer um deputado estadual, mais tantos para um federal, e por aí vai. Assim, na ótica do eleitor, persiste a impressão de que os candidatos são tudo farinha do mesmo saco.