Os privilégios da toga

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Publicada em 19/12/2018 às 09:04:00

 

Ainda que seja apresentado sob 
a máscara falsa de um esforço 
moralizador, o pagamento de auxílio-moradia para juízes e membros do Ministério Público é ainda um escárnio com a imensa maioria dos trabalhadores brasileiros, obrigados a suar de sol a sol para sustentar uma família inteira com um salário mínimo. Não bastasse o reajuste escandaloso sancionado há pouco pelo presidente Michel Temer, os privilegiados da toga advogam mais uma vez em causa própria. Às favas, a República e o populacho.
Ontem, resolução do Conselho Nacional de Justiça regulamentou o benefício. Ao invés da verdadeira farra bancada pelo tesouro público, a partir de janeiro a concessão do benefício atenderá a parâmetros mínimos, tais como uma imprescindível restrição aos magistrados e procuradores que forem designados para trabalhar em locais distintos de sua atuação original por demanda do Poder Judiciário. De todo modo, em face do arrocho imposto ao conjunto do funcionalismo, em face da crise orçamentária, é ainda um ultraje.
Convém lembrar que o mais recente reajuste do judiciário produz um impacto calculado em cerca de R$ 4 bilhões nos cofres do estado, considerando a repercussão imediata em estados e municípios. Só na União, o custo adicional com a folha do funcionalismo pode ser de R$ 1,4 bilhão, incluindo os três poderes.
Segundo estimativa do CNJ, cerca de 1% dos 18.168 magistrados na ativa em todo o país terão direito a receber o benefício, ou seja, algo em torno de 180 juízes ou desembargadores. Se todos forem reembolsados pelo valor máximo, pouco mais de R$ 4 mil, isso representaria um custo estimado de R$ 787 mil por mês. Na ponta do lápis, considerando o volume de despesas bancadas pelas burras do estado, não é lá grande coisa. Mas, diga-se de uma vez: não deixa de ser imoral.

Ainda que seja apresentado sob  a máscara falsa de um esforço  moralizador, o pagamento de auxílio-moradia para juízes e membros do Ministério Público é ainda um escárnio com a imensa maioria dos trabalhadores brasileiros, obrigados a suar de sol a sol para sustentar uma família inteira com um salário mínimo. Não bastasse o reajuste escandaloso sancionado há pouco pelo presidente Michel Temer, os privilegiados da toga advogam mais uma vez em causa própria. Às favas, a República e o populacho.
Ontem, resolução do Conselho Nacional de Justiça regulamentou o benefício. Ao invés da verdadeira farra bancada pelo tesouro público, a partir de janeiro a concessão do benefício atenderá a parâmetros mínimos, tais como uma imprescindível restrição aos magistrados e procuradores que forem designados para trabalhar em locais distintos de sua atuação original por demanda do Poder Judiciário. De todo modo, em face do arrocho imposto ao conjunto do funcionalismo, em face da crise orçamentária, é ainda um ultraje.
Convém lembrar que o mais recente reajuste do judiciário produz um impacto calculado em cerca de R$ 4 bilhões nos cofres do estado, considerando a repercussão imediata em estados e municípios. Só na União, o custo adicional com a folha do funcionalismo pode ser de R$ 1,4 bilhão, incluindo os três poderes.
Segundo estimativa do CNJ, cerca de 1% dos 18.168 magistrados na ativa em todo o país terão direito a receber o benefício, ou seja, algo em torno de 180 juízes ou desembargadores. Se todos forem reembolsados pelo valor máximo, pouco mais de R$ 4 mil, isso representaria um custo estimado de R$ 787 mil por mês. Na ponta do lápis, considerando o volume de despesas bancadas pelas burras do estado, não é lá grande coisa. Mas, diga-se de uma vez: não deixa de ser imoral.