A FLORESTA AMAZÔNICA E O CORONEL JOEL DA JUREMA

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Publicada em 23/12/2018 às 00:28:00

O próximo ministro do meio ambiente seria o executor do pensamento do presidente Bolsonaro em relação à Amazônia. Quer o presidente  quebrar o que ele considera intransigência  da politica de preservação ambiental em relação aquelas regiões consideradas  sensíveis ao avanço da civilização, e dar maior liberdade ao agronegócio para que avance sobre a floresta, ressalvando que isso seria feito sem desobedecer à legislação pertinente.  O mesmo aconteceria em relação ao cerrado.
O problema é que  as transgressões ocorrem e a legislação existente se transforma em letra morta em vastas regiões do Pará, do  Mato Grosso, do Acre, de Rondônia, até mesmo no Amazonas, onde grandes extensões já estão desertificadas. A flexibilização  das normas hoje existentes, com certeza irá acelerar a devastação, e quem não acredita  no aquecimento global, ( há quem o enxergue até como uma conspiração ¨comunista ¨para  sabotar o desenvolvimento brasileiro ) mesmo para esses renitentes  céticos , a questão fica pacificada quando se transforma  na necessidade de convivência harmoniosa do homem com a natureza.
Pois então tratemos dessa convivência. Em resumo ela seria a possibilidade do desenvolvimento paralelo à manutenção de uma parcela do ambiente natural.  E qual seria essa parcela? Eis a questão.
 Tanto para os céticos não ambientalistas como para os ativistas ecológicos, teria de ser encontrado um meio termo  , o que não é tarefa fácil. Dai porque a questão precisa escapar  de um conflito que toma as características malsãs  da catástrofe  dessa guerrilha político-ideológica, em que desgraçadamente nos metemos.
 Quando o presidente eleito anunciou que iria extinguir a pasta do meio ambiente, juntaram-se várias tendências condenando a ideia, e o Ministério foi preservado. Mas de nada adiantara sobreviver o Ministério  se o seu futuro ocupante demonstra hostilidade ao ativismo ambiental,  que existe em todas as sociedades democráticas do mundo civilizado.
Sobre a preservação da floresta amazônica, mesmo que duvidem  da constatação,  pacífica, entre as instituições cientificas, de que a hileia deve ser mantida porque
  é fundamental para o clima, e responsável pelo ¨rio aéreo ¨que seria o deslocamento da chuva em direção ao sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, além da sua influencia no clima mundial, o assunto nos diz respeito, tanto quando a norte-americanos ou europeus, e isso não significa que ao preservarmos a floresta estaríamos cedendo a pressões e interesses estrangeiros.
A fronteira agrícola pode expandir-se na Amazônia ,  bastando que sejam ocupadas, racionalmente, as terras devastadas pelos pecuaristas, que agiram de forma predatória, e tudo começou com maior intensidade quando, nos anos setenta, os tecnocratas que dominavam as decisões, entenderam de levar o progresso ao oeste, concedendo créditos  fáceis e fartos, para quem quisesse ocupar terras das quais o Estado abria mão. Esse foi um dos motivos da euforia registrada na Bolsa, e que acabou melancolicamente.
 Chico Mendes e tantos outros  extrativistas que enfrentaram os madeireiros grileiros e violentos,  se transformaram em mártires, porque demonstrarem que os pobres amazônidas,  podem sobreviver como extrativistas, e preservando a floresta. Por que não aprendermos com a Suécia, a Noruega, a Finlândia, que preservam florestas, as exploram lucrativamente,  não criam desertos, e têm  ¨cidades - ilhas¨ de alta tecnologia, que são verdes e cercadas de verde?
Um ecologista brasileiro, o professor Jose Lutzenberger, falecido em 2002, e que foi muito criticado por ter sido Ministro do Meio Ambiente no governo Collor, entre tantos  livros de sua autoria, um  deles, o pocket- book  Manual de Ecologia, - Do jardim ao Poder, dá exemplos de como pode  haver desenvolvimento sem que sejam devastadas as florestas, especificamente na Amazônia.
 Levando em conta que um pé de mogno adulto custa em torno de mil dólares, isso naquela época, década dos 70,  e que leva  50 anos para que a madeira seja extraída, então,
 com um plantio de 100 árvores   o produtor anteciparia o retorno, vendendo, aos 5 anos para uma instituições financeira,  10 % das árvores . Receberia mil dólares, e repetiriam  ele, ou seus descendentes   a cada 5 anos, a mesma coisa, e ganhando mais,
Isso, segundo Lutzenberger,  se praticado em escala,  tanto asseguraria a manutenção da floresta como a possibilidade de fabulosos lucros.
Essa capacidade real de produzir muita madeira sem destruir a floresta, faz lembrar   uma das estórias fantásticas  do vasto  repertório  de devaneios  oníricos do coronel Joel da Jurema.   Ele era um cidadão responsável, abastado, cumpridor rigoroso das suas obrigações, coronel da Guarda Nacional,  senhor  do Engenho Jurema, que  deveria ter umas  500 tarefas de  cana,  mais um tanto de pastos, e algumas manchas de Mata Atlântica. Essas terras pertencem hoje  ao advogado Antônio João Messias,  hoje tão atualizado  em práticas agropecuárias como na ciência jurídica,  e se esmera em plantar  ipês, jaqueiras  jenipapo e craibeiras ,  que o jornalista blogueiro  Josailto Lima  íntimo do vernáculo, e reverente ao baianês, prefere grafar como caraibeira.
 Na Jurema, segundo o coronel, havia uma grande extensão  de matas exuberantes, e que cresciam  rapidamente. Ele produzia madeira  sem parar nunca. Cortava e plantava.   Começava a derrubar as árvores imensas, chegava até o final da floresta ,  isso, no decorrer de um ano .  Reiniciava  do mesmo lugar,  quando as árvores nesse curto espaço de tempo já haviam   atingido  um  porte gigante. Isso, em consequência da excelência das suas terras,  adubadas com fertilizantes  vindos da Alemanha,  enviados em submarinos  e zepelins, pelo seu amigo  do peito Adolf Hitler, de cujas mãos ele recebera a maior honraria do Reich alemão, a Medalha da Cruz de Ferro de primeira classe.   
 Quando o Brasil declarou guerra à Alemanha em agosto de 42, Joel da Jurema desapareceu por alguns meses temendo ser preso.