A coalizão democrática em defesa da Constituição é uma responsabilidade histórica

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Publicada em 29/12/2018 às 06:00:00

 

* Daniel Samam 
A vitória de Bolsonaro não pode ter uma visão reducionista de uma continuidade do processo golpista que destituiu Dilma da presidência da república a partir do impeachment sem crime de responsabilidade. Por exemplo, o centro-conservador - representado pelo MDB e pelo PP - e a centro-direita liberal e republicana, representada pelo PSDB e pelo DEM, foram derrotados nas eleições pela aliança formada a partir de um novo projeto de poder que tem como tripé a extrema-direita, setores do capital financeiro e setores da burocracia estatal (frações do Poder Judiciário, do Ministério Público e Polícia Federal), no qual já me refiro há alguns meses como aliança antinacional.
Portanto, diante do cenário dantesco, as forças políticas democráticas e republicanas, da direita a esquerda, precisam dialogar em torno de uma coalizão cujo objetivo seja o de se reorganizar, resistir e conter quaisquer investidas autoritárias do novo governo. Ao mesmo tempo, empenhar esforços no intuito de repactuar as regras da hoje mitigada e tutelada democracia brasileira. Construir uma coalizão democrática não é mais uma opção, mas uma responsabilidade histórica.
No entanto, as condições para tal desafio estão na compreensão de que as forças políticas defenderão seus respectivos programas, mas se somarão no compromisso junto à defesa dos direitos individuais e coletivos inscritos na Constituição de 1988, como exemplo, a presunção de inocência e a garantia de ampla defesa contra setores do Poder Judiciário que abusam de suas prerrogativas, instaurando verdadeiros tribunais de exceção, como acontece na operação Lava Jato. É nesse contexto que a liberdade do presidente Lula assume uma centralidade na luta por garantias fundamentais.
Um dos grandes aprendizados que devemos levar desse duro processo é que a economia não funciona sem a política e, para conter qualquer avanço de forças reacionárias é preciso ter estabilidade econômica. Quando se promove a ascensão de setores populares, estes precisam ter garantias de estabilidade, perspectiva de futuro e de que não haja retrocessos, pois estão na posição mais vulnerável da pirâmide. Logo, uma das tarefas de repactuação democrática consiste em fazer o país voltar a ter perspectiva de desenvolvimento econômico e social.
Temos de nos preparar, pois virá uma nova leva de manifestações populares em resposta à agenda econômica ultraliberal e antipovo do futuro governo. É uma agenda tão dura que só se aplica com ampla maioria no parlamento e com muita repressão nas ruas. Com isso, a tendência é que se abram frestas para o reascenso do movimento de massas e do pensamento progressista novamente no Brasil.
A centralidade da nossa tática está na defesa intransigente da Constituição de 1988 e, em hipótese alguma, negligenciarmos a questão democrática. Nós, democratas temos de defender nossos valores mesmo se durante algum tempo estejamos em minoria ou pressionados pela opinião pública influenciada pela pauta moralista da extrema-direita. Se abandonarmos nossos valores, estaremos perdidos. Será preciso paciência, pois este é um processo que leva tempo. Mas os invernos não duram para sempre. Logo chega a primavera.
* Daniel Samam é Músico, Educador e Editor do Blog de Canhota

* Daniel Samam 

A vitória de Bolsonaro não pode ter uma visão reducionista de uma continuidade do processo golpista que destituiu Dilma da presidência da república a partir do impeachment sem crime de responsabilidade. Por exemplo, o centro-conservador - representado pelo MDB e pelo PP - e a centro-direita liberal e republicana, representada pelo PSDB e pelo DEM, foram derrotados nas eleições pela aliança formada a partir de um novo projeto de poder que tem como tripé a extrema-direita, setores do capital financeiro e setores da burocracia estatal (frações do Poder Judiciário, do Ministério Público e Polícia Federal), no qual já me refiro há alguns meses como aliança antinacional.
Portanto, diante do cenário dantesco, as forças políticas democráticas e republicanas, da direita a esquerda, precisam dialogar em torno de uma coalizão cujo objetivo seja o de se reorganizar, resistir e conter quaisquer investidas autoritárias do novo governo. Ao mesmo tempo, empenhar esforços no intuito de repactuar as regras da hoje mitigada e tutelada democracia brasileira. Construir uma coalizão democrática não é mais uma opção, mas uma responsabilidade histórica.
No entanto, as condições para tal desafio estão na compreensão de que as forças políticas defenderão seus respectivos programas, mas se somarão no compromisso junto à defesa dos direitos individuais e coletivos inscritos na Constituição de 1988, como exemplo, a presunção de inocência e a garantia de ampla defesa contra setores do Poder Judiciário que abusam de suas prerrogativas, instaurando verdadeiros tribunais de exceção, como acontece na operação Lava Jato. É nesse contexto que a liberdade do presidente Lula assume uma centralidade na luta por garantias fundamentais.
Um dos grandes aprendizados que devemos levar desse duro processo é que a economia não funciona sem a política e, para conter qualquer avanço de forças reacionárias é preciso ter estabilidade econômica. Quando se promove a ascensão de setores populares, estes precisam ter garantias de estabilidade, perspectiva de futuro e de que não haja retrocessos, pois estão na posição mais vulnerável da pirâmide. Logo, uma das tarefas de repactuação democrática consiste em fazer o país voltar a ter perspectiva de desenvolvimento econômico e social.
Temos de nos preparar, pois virá uma nova leva de manifestações populares em resposta à agenda econômica ultraliberal e antipovo do futuro governo. É uma agenda tão dura que só se aplica com ampla maioria no parlamento e com muita repressão nas ruas. Com isso, a tendência é que se abram frestas para o reascenso do movimento de massas e do pensamento progressista novamente no Brasil.
A centralidade da nossa tática está na defesa intransigente da Constituição de 1988 e, em hipótese alguma, negligenciarmos a questão democrática. Nós, democratas temos de defender nossos valores mesmo se durante algum tempo estejamos em minoria ou pressionados pela opinião pública influenciada pela pauta moralista da extrema-direita. Se abandonarmos nossos valores, estaremos perdidos. Será preciso paciência, pois este é um processo que leva tempo. Mas os invernos não duram para sempre. Logo chega a primavera.

* Daniel Samam é Músico, Educador e Editor do Blog de Canhota