Os militares e Bolsonaro

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Publicada em 03/01/2019 às 05:39:00

 

O golpe militar de 1964 é uma das 
maiores feridas abertas na his-
tória do Brasil, uma democracia ainda muito jovem, marcada por toda sorte de rupturas, com diversos presidentes apeados do poder antes mesmo da conclusão do mandato. O militarismo emergente no primeiro escalão da República não deixa de ser, portanto, um dado curioso.
Ontem, ao empossar o general Fernando Azevedo no Ministério da Defesa, o presidente Jair Bolsonaro falou em hierarquia, ordem e progresso, em um arroubo patriótico já manjado. Chama atenção, no entanto, a forte presença militar no seu governo. Ao invés da tendência mais recente, de manter uma distância saudável do poder político, os generais tomaram conta do Planalto.
Sete generais estão entre os auxiliares diretos do presidente Bolsonaro. Eles ocupam cargos que vão da secretaria de Esportes ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Isso, para não mencionar a vice-presidência da República, pela qual responde o general Hamilton Mourão. Capitão reformado do exército, o presidente não perde a oportunidade de bater continência, parece ter saudades da caserna.
 Convém observar que a aproximação do poder político com os círculos militares não é um fenômeno exclusivo do Brasil. As Forças Armadas, cujo recolhimento profissional foi decisivo para o processo de democratização, voltam a ter presença determinante na América Latina, por razões diversas. Não é sempre que a aproximação desçamba em autoritarismo, como ocorreu na Venezuela. Mas o combate ao tráfico de drogas na fronteira com a Bolívia, assumido pelo exército argentino, e a trajetória política do presidente Bolsonaro demonstram que o muro erguido entre Segurança e Defesa nos países do sul não é dos mais sólidos. No Brasil, ele oscila.

O golpe militar de 1964 é uma das  maiores feridas abertas na his- tória do Brasil, uma democracia ainda muito jovem, marcada por toda sorte de rupturas, com diversos presidentes apeados do poder antes mesmo da conclusão do mandato. O militarismo emergente no primeiro escalão da República não deixa de ser, portanto, um dado curioso.
Ontem, ao empossar o general Fernando Azevedo no Ministério da Defesa, o presidente Jair Bolsonaro falou em hierarquia, ordem e progresso, em um arroubo patriótico já manjado. Chama atenção, no entanto, a forte presença militar no seu governo. Ao invés da tendência mais recente, de manter uma distância saudável do poder político, os generais tomaram conta do Planalto.
Sete generais estão entre os auxiliares diretos do presidente Bolsonaro. Eles ocupam cargos que vão da secretaria de Esportes ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Isso, para não mencionar a vice-presidência da República, pela qual responde o general Hamilton Mourão. Capitão reformado do exército, o presidente não perde a oportunidade de bater continência, parece ter saudades da caserna.
 Convém observar que a aproximação do poder político com os círculos militares não é um fenômeno exclusivo do Brasil. As Forças Armadas, cujo recolhimento profissional foi decisivo para o processo de democratização, voltam a ter presença determinante na América Latina, por razões diversas. Não é sempre que a aproximação desçamba em autoritarismo, como ocorreu na Venezuela. Mas o combate ao tráfico de drogas na fronteira com a Bolívia, assumido pelo exército argentino, e a trajetória política do presidente Bolsonaro demonstram que o muro erguido entre Segurança e Defesa nos países do sul não é dos mais sólidos. No Brasil, ele oscila.