O 'Baião amargo' de Alex Sant'Anna

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Muito murro em ponta de faca
Muito murro em ponta de faca

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Publicada em 04/01/2019 às 06:19:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Não à toa, os artistas 
são tomados por 
antenas da raça. Estes com quem eu converso, no entanto, estão perdidos como toda a gente. Exilados nos extremos de uma apática retórica revolucionária, cantores, compositores, artistas visuais, gente de cinema e de teatro, foram todos atropelados pelo curso dos acontecimentos. Ninguém diz nada com nada. 
Ninguém, vírgula. Alex Sant'Anna foi buscar no desengano a força para seguir compondo, firme e forte. 'Baião amargo', o seu terceiro disco, tem tudo para ecoar um gesto de resistência, sem precisar apelar para os gritos de ordem e as palavras mais gastas.
Gravar um disco, como quer fazer Alex, consiste quase sempre em dar um tiro no escuro, mover céus e terra na direção de uma miragem. A maior parte das escolhas fundamentais para o sucesso da empreitada são realizadas entre as quatro paredes do estúdio. Só então, a hora da verdade, a música ganha uma cara. 
A alma de uma música, no entanto, não deve nada ao volume das guitarras. Se a canção não tem pulso desde o nascimento, a produção assume a ingrata tarefa de animar um cadáver. Também por isso, em certo sentido, todo impulso criativo reflete, de algum modo, o espírito do tempo presente - mesmo quando o faz por linhas tortas. Assim, se o trabalho de Alex nunca foi estandarte de uma alegria rasgada, a sua melancolia jamais importou tanto. Agora, além do compositor, sangram também as circunstâncias. O Brasil pandeiro da canção popular mais parece uma terra arrasada.
Por enquanto, o 'Baião amargo' de Alex é só uma ideia. Mas a intenção das composições reunidas no projeto deste terceiro disco evoca, desde já, um desencanto capaz de significar a experiência das frustrações individuais e arder na pele de qualquer um. Os atalhos sinistros da política interditaram a maior parte dos caminhos abertos pela Cultura. Nem por isso, entretanto, Alex abaixa a cabeça. Muito ao contrário. O seu trabalho é tirar leite de pedra. Ninguém se faz artista sem esmurrar a ponta das facas.  Não está fácil pra ninguém, o compositor parece querer dizer. Especialmente, para quem vive na batalha.
A campanha de financiamento coletivo de 'Baião amargo' deve ser lançada no início de fevereiro. Esta página conferiu as composições do repertório em primeira mão e garante: ninguém perde por esperar.

Não à toa, os artistas  são tomados por  antenas da raça. Estes com quem eu converso, no entanto, estão perdidos como toda a gente. Exilados nos extremos de uma apática retórica revolucionária, cantores, compositores, artistas visuais, gente de cinema e de teatro, foram todos atropelados pelo curso dos acontecimentos. Ninguém diz nada com nada. 
Ninguém, vírgula. Alex Sant'Anna foi buscar no desengano a força para seguir compondo, firme e forte. 'Baião amargo', o seu terceiro disco, tem tudo para ecoar um gesto de resistência, sem precisar apelar para os gritos de ordem e as palavras mais gastas.
Gravar um disco, como quer fazer Alex, consiste quase sempre em dar um tiro no escuro, mover céus e terra na direção de uma miragem. A maior parte das escolhas fundamentais para o sucesso da empreitada são realizadas entre as quatro paredes do estúdio. Só então, a hora da verdade, a música ganha uma cara. 
A alma de uma música, no entanto, não deve nada ao volume das guitarras. Se a canção não tem pulso desde o nascimento, a produção assume a ingrata tarefa de animar um cadáver. Também por isso, em certo sentido, todo impulso criativo reflete, de algum modo, o espírito do tempo presente - mesmo quando o faz por linhas tortas. Assim, se o trabalho de Alex nunca foi estandarte de uma alegria rasgada, a sua melancolia jamais importou tanto. Agora, além do compositor, sangram também as circunstâncias. O Brasil pandeiro da canção popular mais parece uma terra arrasada.
Por enquanto, o 'Baião amargo' de Alex é só uma ideia. Mas a intenção das composições reunidas no projeto deste terceiro disco evoca, desde já, um desencanto capaz de significar a experiência das frustrações individuais e arder na pele de qualquer um. Os atalhos sinistros da política interditaram a maior parte dos caminhos abertos pela Cultura. Nem por isso, entretanto, Alex abaixa a cabeça. Muito ao contrário. O seu trabalho é tirar leite de pedra. Ninguém se faz artista sem esmurrar a ponta das facas.  Não está fácil pra ninguém, o compositor parece querer dizer. Especialmente, para quem vive na batalha.
A campanha de financiamento coletivo de 'Baião amargo' deve ser lançada no início de fevereiro. Esta página conferiu as composições do repertório em primeira mão e garante: ninguém perde por esperar.