O GOVERNO DE BOLSONARO

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Publicada em 05/01/2019 às 06:01:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
O governo do Presidente Jair Bolsonaro, um capitão reformado do exército brasileiro, apologista dos costumes tradicionais, do positivismo e da moral religiosa, eleito majoritariamente pela população brasileira e empossado com juras aos credos e formalidades constitucionais, está fundamentado nos atores militares, economistas liberais, bancadas congressuais temáticas e Democratas. Esse último, um partido político conservador e à direita. Isso significa uma lógica reconstruída na articulação política e nas relações de poder, no desgastado "presidencialismo de coalizão". A estratégia em curso, no caldo de desilusão, cansaço e imaginação política da sociedade, consome os créditos e esperanças da vitória eleitoral. O discurso operativo, moralista e desvinculado do patrimonial "toma-lá-e-dá-cá" e do santificado "é dando que se recebe", encontra aplausos e acolhimento popular. 
No cenário da aparente renovação da legislatura federal, mais de oitenta por cento dos eleitos, experimentaram alguma disputa eleitoral nos níveis federal, estadual e municipal. Não são "cristãos novos" no jogo político vigente. Também, não foram eliminadas as tradicionais lideranças e os viciados grupos de interesses, atuantes nas circunstâncias "político-partidárias", acordos, pressões, costumes e privilégios inaceitáveis. Os "novos parlamentares", não foram aprovados em concursos, nem passaram por cursos preparatórios para políticos, ao contrário, são vitoriosos de uma eleição com vícios, hábitos, trocas e favores entre votados e votantes. 
O dia seguinte chegou, está em teste a lógica reconstruída numa outra prática política. Expectativa aguardada pela sociedade no novo modo de governar. De pronto, a legalidade regimental legislativa, não normativa as "bancadas temáticas" como negociadores na arena congressual. O partido político, sim, na combalida democracia representativa. Outro desafio, será o convencimento de líderes e dirigentes partidários numa nova "ética política", experimentados em governos "a direita, ao centro, e a esquerda", até então encolhidos, mas negociadores legais das pautas e reformas políticas. As "velhas raposas" serão convertidas a uma nova ação parlamentar, por um purista modo de governar? No dizer sociológico, serão transformadas no "tipo ideal"? Os lobistas da velha ordem serão convertidos pela moral religiosa de amor ao próximo? O modo liberal de gestão da economia está alinhado com as demandas de uma sociedade violenta, deseducada e desigual em renda, raça, gênero e geografia? Outro desafio, alcança as "bancadas temáticas", em incorporar nas suas prioridades, as demandas externas aos interesses corporativos, vez que a sua coesão, ultrapassa os ideários partidários, e mira as demandas específicas do seu universo eleitoral. 
A tradicional política partidária e a gestão pública, não são lastreadas na disciplina, eficiência e cumprimento de metas, tal qual o positivismo militar. Permeia a cumplicidade consentida, o "jeitinho brasileiro", a "segurança estatutária", o "apadrinhamento", os "generosos ganhos" e o "estéril e seletivo corporativismo", incorporados no tempo nos espaços estatais. Por isso, "somos assim". Também, não estão descartados, os dilemas de vencidos ou vencedores entre a "pauta econômica" versus a "pauta moral". A complexidade das relações internacionais, num mundo globalizado, desigual e protecionista, exige acompanhamento profissional e livre de retóricas. Similar atenção para os dilemas religiosos e crenças num Estado laico. O articulista Jorge Coli, escreveu que "as religiões monoteístas fundam paranoias: meu deus é o único e verdadeiro". Como diz o provérbio popular: "em casa de marimbondos não se mexe com vara curta".
Ademais, não deve ser ocultado, a inédita densidade política na família do presidente eleito, com representantes nos níveis legislativos, federal, estadual e municipal de relevantes praças eleitorais.  A retórica precipitada, as suspeições, o fatalismo religioso e os mentidos e desmentidos, sinalizam contradições entre o palanque e a governabilidade, a expectativa e a realidade. Um caso de estudo a ser desvendado pelos cientistas sociais no tempo porvir, onde para o Professor Daniel Vargas, "o direito já não é o texto, os princípios de justiça ou a eficiência, mas apenas a política camuflada". No governar com "Deus acima de todos", serão bem vindas as preces da Santa Tereza de Calcutá: "as mãos que servem, são mais santas que os lábios que rezam". 
* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

* Manoel Moacir Costa Macêdo

O governo do Presidente Jair Bolsonaro, um capitão reformado do exército brasileiro, apologista dos costumes tradicionais, do positivismo e da moral religiosa, eleito majoritariamente pela população brasileira e empossado com juras aos credos e formalidades constitucionais, está fundamentado nos atores militares, economistas liberais, bancadas congressuais temáticas e Democratas. Esse último, um partido político conservador e à direita. Isso significa uma lógica reconstruída na articulação política e nas relações de poder, no desgastado "presidencialismo de coalizão". A estratégia em curso, no caldo de desilusão, cansaço e imaginação política da sociedade, consome os créditos e esperanças da vitória eleitoral. O discurso operativo, moralista e desvinculado do patrimonial "toma-lá-e-dá-cá" e do santificado "é dando que se recebe", encontra aplausos e acolhimento popular. 
No cenário da aparente renovação da legislatura federal, mais de oitenta por cento dos eleitos, experimentaram alguma disputa eleitoral nos níveis federal, estadual e municipal. Não são "cristãos novos" no jogo político vigente. Também, não foram eliminadas as tradicionais lideranças e os viciados grupos de interesses, atuantes nas circunstâncias "político-partidárias", acordos, pressões, costumes e privilégios inaceitáveis. Os "novos parlamentares", não foram aprovados em concursos, nem passaram por cursos preparatórios para políticos, ao contrário, são vitoriosos de uma eleição com vícios, hábitos, trocas e favores entre votados e votantes. 
O dia seguinte chegou, está em teste a lógica reconstruída numa outra prática política. Expectativa aguardada pela sociedade no novo modo de governar. De pronto, a legalidade regimental legislativa, não normativa as "bancadas temáticas" como negociadores na arena congressual. O partido político, sim, na combalida democracia representativa. Outro desafio, será o convencimento de líderes e dirigentes partidários numa nova "ética política", experimentados em governos "a direita, ao centro, e a esquerda", até então encolhidos, mas negociadores legais das pautas e reformas políticas. As "velhas raposas" serão convertidas a uma nova ação parlamentar, por um purista modo de governar? No dizer sociológico, serão transformadas no "tipo ideal"? Os lobistas da velha ordem serão convertidos pela moral religiosa de amor ao próximo? O modo liberal de gestão da economia está alinhado com as demandas de uma sociedade violenta, deseducada e desigual em renda, raça, gênero e geografia? Outro desafio, alcança as "bancadas temáticas", em incorporar nas suas prioridades, as demandas externas aos interesses corporativos, vez que a sua coesão, ultrapassa os ideários partidários, e mira as demandas específicas do seu universo eleitoral. 
A tradicional política partidária e a gestão pública, não são lastreadas na disciplina, eficiência e cumprimento de metas, tal qual o positivismo militar. Permeia a cumplicidade consentida, o "jeitinho brasileiro", a "segurança estatutária", o "apadrinhamento", os "generosos ganhos" e o "estéril e seletivo corporativismo", incorporados no tempo nos espaços estatais. Por isso, "somos assim". Também, não estão descartados, os dilemas de vencidos ou vencedores entre a "pauta econômica" versus a "pauta moral". A complexidade das relações internacionais, num mundo globalizado, desigual e protecionista, exige acompanhamento profissional e livre de retóricas. Similar atenção para os dilemas religiosos e crenças num Estado laico. O articulista Jorge Coli, escreveu que "as religiões monoteístas fundam paranoias: meu deus é o único e verdadeiro". Como diz o provérbio popular: "em casa de marimbondos não se mexe com vara curta".
Ademais, não deve ser ocultado, a inédita densidade política na família do presidente eleito, com representantes nos níveis legislativos, federal, estadual e municipal de relevantes praças eleitorais.  A retórica precipitada, as suspeições, o fatalismo religioso e os mentidos e desmentidos, sinalizam contradições entre o palanque e a governabilidade, a expectativa e a realidade. Um caso de estudo a ser desvendado pelos cientistas sociais no tempo porvir, onde para o Professor Daniel Vargas, "o direito já não é o texto, os princípios de justiça ou a eficiência, mas apenas a política camuflada". No governar com "Deus acima de todos", serão bem vindas as preces da Santa Tereza de Calcutá: "as mãos que servem, são mais santas que os lábios que rezam". 

* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra