Uma estranha no ninho

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Muito trabalho pela frente
Muito trabalho pela frente

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Publicada em 05/01/2019 às 06:21:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ninguém entendeu a 
escolha do gover-
nador Belivaldo Chagas para a Fundação de Cultura e Arte Aperipê. Uma estranha no ninho, a ex-deputada Conceição Vieira terá de lidar com uma desconfiança perfeitamente natural, descer do salto e dançar muita ciranda antes de ser reconhecida pela classe artística Serigy.
A bem da verdade, a petista ganhou um belo abacaxi para descascar. As emissoras de rádio e televisão sob a sua alçada passaram por um processo de acentuado esvaziamento, após um breve período de valorização, quando serviram de plataforma para a afirmação da sensibilidade nativa. Ao fim do governo Marcelo Déda, entretanto, o ambiente era outro. A programação sofreu diversas baixas, perdeu qualquer parâmetro de qualidade, a ponto de abarcar até mesmo o proselitismo religioso. Hoje, com as exceções de praxe - Tanit Bezerra, Ricardo Gama, Pascoal Maynard e outros profissionais de mão cheia me perdoem -, os programas com a marca da Aperipê não interessam a ninguém.
No que diz respeito ao exercício artístico propriamente dito, a situação é muito parecida. O aparelho cultural do estado fechou as portas para os tambores da aldeia, foi feito em pedaços. Mesmo as reformas recentes, como a do Centro de Criatividade, o Cacique Chá e a Rua do Turista, jamais estiveram a serviço de quem mete a mão na massa e pinta o sete em nossas praias. Dependesse do Governo de Sergipe, o artista sergipano seria sempre um mendigo imundo, ocupado com filosofias em segredo, sem um caixote de feira de onde pudesse colher aplausos.
Neste particular, contudo, o problema é de fácil solução. Basta tomar o caminho inverso e criar uma agenda semanal de apresentações, como a Funcaju fez no Centro Cultural de Aracaju, desde o início da gestão Edvaldo Nogueira. A reforma do sucateado teatro Lourival Baptista, por exemplo, exige sim investimento de alguma monta. Mas para espantar a poeira assentada na plateia, basta convidar os diversos grupos de teatro em atividade na terrinha para ocupar o palco. Simples assim.
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante... O futuro a Deus pertence, uma incógnita. Sem nenhuma experiência na área, Conceição Vieira tem muito trabalho pela frente. A seu favor, o fracasso de seus antecessores e a ausência de qualquer expectativa em relação ao seu desempenho. Uma colher de chá das mais rasas.

Ninguém entendeu a  escolha do gover- nador Belivaldo Chagas para a Fundação de Cultura e Arte Aperipê. Uma estranha no ninho, a ex-deputada Conceição Vieira terá de lidar com uma desconfiança perfeitamente natural, descer do salto e dançar muita ciranda antes de ser reconhecida pela classe artística Serigy.
A bem da verdade, a petista ganhou um belo abacaxi para descascar. As emissoras de rádio e televisão sob a sua alçada passaram por um processo de acentuado esvaziamento, após um breve período de valorização, quando serviram de plataforma para a afirmação da sensibilidade nativa. Ao fim do governo Marcelo Déda, entretanto, o ambiente era outro. A programação sofreu diversas baixas, perdeu qualquer parâmetro de qualidade, a ponto de abarcar até mesmo o proselitismo religioso. Hoje, com as exceções de praxe - Tanit Bezerra, Ricardo Gama, Pascoal Maynard e outros profissionais de mão cheia me perdoem -, os programas com a marca da Aperipê não interessam a ninguém.
No que diz respeito ao exercício artístico propriamente dito, a situação é muito parecida. O aparelho cultural do estado fechou as portas para os tambores da aldeia, foi feito em pedaços. Mesmo as reformas recentes, como a do Centro de Criatividade, o Cacique Chá e a Rua do Turista, jamais estiveram a serviço de quem mete a mão na massa e pinta o sete em nossas praias. Dependesse do Governo de Sergipe, o artista sergipano seria sempre um mendigo imundo, ocupado com filosofias em segredo, sem um caixote de feira de onde pudesse colher aplausos.
Neste particular, contudo, o problema é de fácil solução. Basta tomar o caminho inverso e criar uma agenda semanal de apresentações, como a Funcaju fez no Centro Cultural de Aracaju, desde o início da gestão Edvaldo Nogueira. A reforma do sucateado teatro Lourival Baptista, por exemplo, exige sim investimento de alguma monta. Mas para espantar a poeira assentada na plateia, basta convidar os diversos grupos de teatro em atividade na terrinha para ocupar o palco. Simples assim.
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante... O futuro a Deus pertence, uma incógnita. Sem nenhuma experiência na área, Conceição Vieira tem muito trabalho pela frente. A seu favor, o fracasso de seus antecessores e a ausência de qualquer expectativa em relação ao seu desempenho. Uma colher de chá das mais rasas.