Sem casa própria

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Publicada em 08/01/2019 às 06:19:00

 

A classe média está na mira do go-
verno Bolsonaro. Ou então não 
haveria razão para o presidente da Caixa Econômica Federal, um banco estatal, anunciar que os trabalhadores com algum poder aquisitivo terão de coçar o bolso e arcar com juros de mercado para realizar o sonho da casa própria. A partir de agora, 'Minha casa, minha vida' só para o populacho.
Não é preciso explicar porque a aquisição de um imóvel está entre os principais sonhos de consumo do brasileiro. Tal ambição, sabida e certa, é tão comum que há até um dito popular aludindo ao desejo, segundo o qual "quem casa quer casa". As dificuldades criadas para a concessão de crédito, com as consequências previsíveis na geração de empregos, contudo, jogaram areia nos planos da maioria.
A anunciada política de financiamento habitacional do governo Bolsonaro tem o potencial de contrariar tanto os empresários da construção civil, um setor conhecido pela capacidade de absorver muita mão de obra, como parcela expressiva da classe trabalhadora. Ademais, em um país marcado por um déficit habitacional estimado em quase 8 milhões de unidades, em cálculo da Fundação Getúlio Vargas, qualquer obstáculo criado à distribuição de crédito imobiliário redunda em um custo social completamente dispensável.
Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias demonstra que a maior parte do déficit atinge famílias que ganham até três salários mínimos por mês, mas a demanda por moradias também alcança consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso. Estes podem manter as barbas de molho.

A classe média está na mira do go- verno Bolsonaro. Ou então não  haveria razão para o presidente da Caixa Econômica Federal, um banco estatal, anunciar que os trabalhadores com algum poder aquisitivo terão de coçar o bolso e arcar com juros de mercado para realizar o sonho da casa própria. A partir de agora, 'Minha casa, minha vida' só para o populacho.
Não é preciso explicar porque a aquisição de um imóvel está entre os principais sonhos de consumo do brasileiro. Tal ambição, sabida e certa, é tão comum que há até um dito popular aludindo ao desejo, segundo o qual "quem casa quer casa". As dificuldades criadas para a concessão de crédito, com as consequências previsíveis na geração de empregos, contudo, jogaram areia nos planos da maioria.
A anunciada política de financiamento habitacional do governo Bolsonaro tem o potencial de contrariar tanto os empresários da construção civil, um setor conhecido pela capacidade de absorver muita mão de obra, como parcela expressiva da classe trabalhadora. Ademais, em um país marcado por um déficit habitacional estimado em quase 8 milhões de unidades, em cálculo da Fundação Getúlio Vargas, qualquer obstáculo criado à distribuição de crédito imobiliário redunda em um custo social completamente dispensável.
Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias demonstra que a maior parte do déficit atinge famílias que ganham até três salários mínimos por mês, mas a demanda por moradias também alcança consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso. Estes podem manter as barbas de molho.