Em carne viva

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O teatro virado em farra
O teatro virado em farra

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Publicada em 08/01/2019 às 06:33:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Quem passa pela 
Rua Ângela Maria, 
bairro Inácio Barbosa, não tem nenhum motivo para notar o prédio modesto, guardado por um muro baixo e desbotado, entre residências de feição impassível, com portas e janelas sempre abertas para a praça. Nas noites de sábado, contudo, quando as paredes da casa 10 vibram com a energia de meio mundo de gente, qualquer desavisado é capaz de reconhecer a sede do grupo Caixa Cênica - um espaço onde o teatro é virado em farra.
Difícil acompanhar todos os "atos" de 'Respire', definido pelo grupo não como uma montagem, mas como um híbrido de festa e manifesto. Cerveja e música alta, mais a ausência de qualquer marcação tradicional, impedem a platéia de perceber quando o "espetáculo" realmente começa. De início, ninguém sabe ao certo se os atores/anfitriões respondem por si mesmos ou se encarnam um personagem. Não existe palco, a ação transborda simultaneamente por todos os cômodos da casa.
Diane Veloso, Jonathan Rodrigues e Audevan Caiçara, os três que dão a cara a tapa, certamente estão cientes de se colocar em uma posição vulnerável. Embora eles não tenham inventado a pólvora, esta não seria a primeira vez quando a tentativa de encarar o ofício de uma maneira menos conservadora resulta em incompreensão e até maledicência. Mas, segundo Diane, a pesquisa do Caixa Cênica exige disposição para o confronto. Para eles, nenhuma concessão é possível. Os caminhos sinuosos percorridos pelo grupo há 17 anos prescindem de destino certo.
"Sabemos que nada disso é novo, não temos essa pretensão. Mas a gente sempre parte de uma perspectiva de invenção. Invenção no sentido de não trabalharmos com idéias pré concebidas. Vamos experimentando, respirando, deixando o ar entrar".
Assim, livre de todas as amarras, o texto original de Marcelino Freire serve de pretexto para uma espécie de transe coletivo, uma ode ao corpo com direção de Sidnei Cruz, uma celebração em carne viva, o júbilo do teatro.
Respire - O Manifesta:
Todos os sábados, até 26 de janeiro, a partir das 20 horas.

Quem passa pela  Rua Ângela Maria,  bairro Inácio Barbosa, não tem nenhum motivo para notar o prédio modesto, guardado por um muro baixo e desbotado, entre residências de feição impassível, com portas e janelas sempre abertas para a praça. Nas noites de sábado, contudo, quando as paredes da casa 10 vibram com a energia de meio mundo de gente, qualquer desavisado é capaz de reconhecer a sede do grupo Caixa Cênica - um espaço onde o teatro é virado em farra.Difícil acompanhar todos os "atos" de 'Respire', definido pelo grupo não como uma montagem, mas como um híbrido de festa e manifesto. Cerveja e música alta, mais a ausência de qualquer marcação tradicional, impedem a platéia de perceber quando o "espetáculo" realmente começa. De início, ninguém sabe ao certo se os atores/anfitriões respondem por si mesmos ou se encarnam um personagem. Não existe palco, a ação transborda simultaneamente por todos os cômodos da casa.
Diane Veloso, Jonathan Rodrigues e Audevan Caiçara, os três que dão a cara a tapa, certamente estão cientes de se colocar em uma posição vulnerável. Embora eles não tenham inventado a pólvora, esta não seria a primeira vez quando a tentativa de encarar o ofício de uma maneira menos conservadora resulta em incompreensão e até maledicência. Mas, segundo Diane, a pesquisa do Caixa Cênica exige disposição para o confronto. Para eles, nenhuma concessão é possível. Os caminhos sinuosos percorridos pelo grupo há 17 anos prescindem de destino certo.
"Sabemos que nada disso é novo, não temos essa pretensão. Mas a gente sempre parte de uma perspectiva de invenção. Invenção no sentido de não trabalharmos com idéias pré concebidas. Vamos experimentando, respirando, deixando o ar entrar".
Assim, livre de todas as amarras, o texto original de Marcelino Freire serve de pretexto para uma espécie de transe coletivo, uma ode ao corpo com direção de Sidnei Cruz, uma celebração em carne viva, o júbilo do teatro.

Respire - O Manifesta:Todos os sábados, até 26 de janeiro, a partir das 20 horas.