Cem anos de Santo Souza

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Publicada em 14/01/2019 às 13:25:00

 

Há quase dois anos, 
em março de 2017, 
o falecimento do escritor gaúcho João Gilberto Noll, com uma penca de Prêmio Jabuti na estante, serviu de pretexto para o colega Fabrício Carpinejar acusar as humilhações do ofício. Ninguém comentava mais o seu trabalho. Carpinejar argumentou, então, que o silêncio é uma espécie de assassinato.
O busílis me veio à lembrança no encalço de um dado bibliográfico: Em 2019, comemora-se o centenário do poeta Santo Souza. Homenagens certamente serão cometidas, para todos os gostos. Resta saber se alguém estará disposto a percorrer suas tantas páginas, no recolhimento das madrugadas.
Discreto a ponto de morrer em silêncio, em pleno sono, o poeta Santo Souza projetava com a sua simples presença recatada uma sombra muito superior à elevada estatura. Merece, portanto, mais do que as mesuras e os rapapés de certas solenidades. Merece, antes, a quietude da leitura atenciosa, as cismas contritas, a reflexão íntima e consequente, contrária em tudo às homenagens tardias.
A pergunta que não quer calar: Quantos, entre os grandes da aldeia Serigy, sobrevivem no escuro, emudecidos, sem o papoco de uma controvérsia? Quantos passaram esquecidos, desprezados pela memória curta da opinião pública? Quantas holofotes acesos em celebrações vazias, por obra de grana e conluios diversos, em prejuízo dos valores de afirmação e identidade defendidos em páginas amareladas, para alegria e apetite das traças? 
Luiz Antonio Barreto lutou a vida inteira contra moinhos de vento, como prova o triste fim do Encontro Cultural de Laranjeiras; Santo Souza virou um retrato na parede, patrono de uma Academia de Letras Encarquilhadas; Araripe Coutinho virou o peladão do Palácio Olímpio Campos; Antonio Carlos Viana, acolhido pela crítica do sul maravilha, é a exceção que confirma a regra. De Chico Dantas e Maria Lúcia Dal Farra, ninguém diz uma vírgula. É cultivada, em Sergipe, a cultura do obituário.

Há quase dois anos,  em março de 2017,  o falecimento do escritor gaúcho João Gilberto Noll, com uma penca de Prêmio Jabuti na estante, serviu de pretexto para o colega Fabrício Carpinejar acusar as humilhações do ofício. Ninguém comentava mais o seu trabalho. Carpinejar argumentou, então, que o silêncio é uma espécie de assassinato.
O busílis me veio à lembrança no encalço de um dado bibliográfico: Em 2019, comemora-se o centenário do poeta Santo Souza. Homenagens certamente serão cometidas, para todos os gostos. Resta saber se alguém estará disposto a percorrer suas tantas páginas, no recolhimento das madrugadas.
Discreto a ponto de morrer em silêncio, em pleno sono, o poeta Santo Souza projetava com a sua simples presença recatada uma sombra muito superior à elevada estatura. Merece, portanto, mais do que as mesuras e os rapapés de certas solenidades. Merece, antes, a quietude da leitura atenciosa, as cismas contritas, a reflexão íntima e consequente, contrária em tudo às homenagens tardias.
A pergunta que não quer calar: Quantos, entre os grandes da aldeia Serigy, sobrevivem no escuro, emudecidos, sem o papoco de uma controvérsia? Quantos passaram esquecidos, desprezados pela memória curta da opinião pública? Quantas holofotes acesos em celebrações vazias, por obra de grana e conluios diversos, em prejuízo dos valores de afirmação e identidade defendidos em páginas amareladas, para alegria e apetite das traças? 
Luiz Antonio Barreto lutou a vida inteira contra moinhos de vento, como prova o triste fim do Encontro Cultural de Laranjeiras; Santo Souza virou um retrato na parede, patrono de uma Academia de Letras Encarquilhadas; Araripe Coutinho virou o peladão do Palácio Olímpio Campos; Antonio Carlos Viana, acolhido pela crítica do sul maravilha, é a exceção que confirma a regra. De Chico Dantas e Maria Lúcia Dal Farra, ninguém diz uma vírgula. É cultivada, em Sergipe, a cultura do obituário.