Nau sem rumo

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Publicada em 15/01/2019 às 06:18:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
"A maior aventura de todos os tempos", assim foi definida a excursão planejada pela Conferência Internacional da Terra Plana (FEIC, na sigla em inglês), com o objetivo declarado de navegar até a borda presumida do planeta. A nau sem rumo parte somente em 2020. Desde já, no entanto, o cruzeiro afronta a experiência dos primeiros navegantes, todas as cartas náuticas e até as estrelas. Um delírio amparado na confusão entre os domínios da fé e da ciência.
Para alguns, o Big Bang e a Teoria da Evolução das Espécies são tão plausíveis quanto qualquer passagem da bíblia. Submetido ao crivo de crenças diversas, a maioria de natureza religiosa, o conhecimento acumulado ao longo da História é rebaixado ao status de mera suposição. Assim, se tudo não passa de hipótese, Deus é mais.
Teorias da conspiração sempre existiram, para todos os gostos, nos quatro cantos do mundo. A corrida especial, um produto de propaganda da Guerra Fria, por exemplo, ainda hoje alimenta toda sorte de desconfianças. Mas uma coisa é duvidar da presença do homem na lua, com transmissão ao vivo por rede de televisão. Outra, muito diferente, é atribuir às ditas palavras sagradas, entre outras convicções pouco ortodoxas, o poder de encerrar qualquer assunto com um autoritário ponto final.
Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o professor Carlos Orsi lembra que a forma da Terra é uma das certezas mais bem assentadas da humanidade. Filósofos e matemáticos a demonstraram, a partir de todas as evidências, séculos antes do suposto nascimento de Cristo. Pitágoras já falava numa Terra redonda, assim como Aristóteles. Eratóstenes chegou a calcular a circunferência do planeta, usando sombras ao meio-dia. 
Nicolau Copérnico, o primeiro a observar que o homem de carne e osso, a mais imperfeita das criações divinas, não habita o centro do universo, mas vive apeado num modesto cavalo obediente, apenas mais um pangaré no carrossel cósmico governado pelo sol, certamente não estranharia as mistificações deste século XXI. O mundo gira e gira sobre o próprio eixo, em torno de um astro em chamas, mas muita gente ainda se recusa a deixar o buraco do próprio umbigo e vive sob rédeas curtas, com a cabeça enterrada no mesmo lugar.

"A maior aventura de todos os tempos", assim foi definida a excursão planejada pela Conferência Internacional da Terra Plana (FEIC, na sigla em inglês), com o objetivo declarado de navegar até a borda presumida do planeta. A nau sem rumo parte somente em 2020. Desde já, no entanto, o cruzeiro afronta a experiência dos primeiros navegantes, todas as cartas náuticas e até as estrelas. Um delírio amparado na confusão entre os domínios da fé e da ciência.
Para alguns, o Big Bang e a Teoria da Evolução das Espécies são tão plausíveis quanto qualquer passagem da bíblia. Submetido ao crivo de crenças diversas, a maioria de natureza religiosa, o conhecimento acumulado ao longo da História é rebaixado ao status de mera suposição. Assim, se tudo não passa de hipótese, Deus é mais.
Teorias da conspiração sempre existiram, para todos os gostos, nos quatro cantos do mundo. A corrida especial, um produto de propaganda da Guerra Fria, por exemplo, ainda hoje alimenta toda sorte de desconfianças. Mas uma coisa é duvidar da presença do homem na lua, com transmissão ao vivo por rede de televisão. Outra, muito diferente, é atribuir às ditas palavras sagradas, entre outras convicções pouco ortodoxas, o poder de encerrar qualquer assunto com um autoritário ponto final.
Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o professor Carlos Orsi lembra que a forma da Terra é uma das certezas mais bem assentadas da humanidade. Filósofos e matemáticos a demonstraram, a partir de todas as evidências, séculos antes do suposto nascimento de Cristo. Pitágoras já falava numa Terra redonda, assim como Aristóteles. Eratóstenes chegou a calcular a circunferência do planeta, usando sombras ao meio-dia. 
Nicolau Copérnico, o primeiro a observar que o homem de carne e osso, a mais imperfeita das criações divinas, não habita o centro do universo, mas vive apeado num modesto cavalo obediente, apenas mais um pangaré no carrossel cósmico governado pelo sol, certamente não estranharia as mistificações deste século XXI. O mundo gira e gira sobre o próprio eixo, em torno de um astro em chamas, mas muita gente ainda se recusa a deixar o buraco do próprio umbigo e vive sob rédeas curtas, com a cabeça enterrada no mesmo lugar.