Lei de Talião

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Publicada em 16/01/2019 às 06:03:00

 

O decreto assinado pelo presiden-
te Jair Bolsonaro, flexibilizando 
as condições para a posse de arma de fogo, sob o pretexto de combater a criminalidade, torna oficial a vigência da Lei de Talião no Brasil. Olho por olho, dente por dente. Desde ontem, vale o salve-se quem puder.
O próprio presidente explicou as intenções por trás do decreto, em sua conta no Twitter: "Por muito tempo, coube ao Estado determinar quem tinha ou não direito de defender a si mesmo, à sua família e à sua propriedade. Hoje, respeitando a vontade popular manifestada no referendo de 2005, devolvemos aos cidadãos brasileiros a liberdade de decidir".
A bem da verdade, o problema do Brasil não é excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo. É justo o contrário. Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a exploração criminalidade. 
Enquanto o presidente faz pose de durão, um rigor de caras e bocas e palavras inflamadas, os crimes violentos se multiplicam de norte a sul do País, indiferente ao privilégio histórico das grandes capitais. Hoje, mesmo em cidades de pequeno e médio porte, tradicionalmente pacatas, a exemplo dos municípios do interior sergipano, a violência faz vítimas fatais todos os dias.
A fé cega e declarada no poder da bala depõe contra a inteligência do presidente. Eleito com a promessa de dar um basta na violência, ele precisa cotejar as suas teorias e convicções individuais com os dados da realidade. Em nenhum lugar do mundo, o acesso facilitado às armas de fogo produziu estatísticas desejáveis. Não há urgência, portanto, em armar as pessoas. Mas sim em fazer valer a norma e assumir a responsabilidade sobre a segurança dos cidadãos de bem.

O decreto assinado pelo presiden- te Jair Bolsonaro, flexibilizando  as condições para a posse de arma de fogo, sob o pretexto de combater a criminalidade, torna oficial a vigência da Lei de Talião no Brasil. Olho por olho, dente por dente. Desde ontem, vale o salve-se quem puder.O próprio presidente explicou as intenções por trás do decreto, em sua conta no Twitter: "Por muito tempo, coube ao Estado determinar quem tinha ou não direito de defender a si mesmo, à sua família e à sua propriedade. Hoje, respeitando a vontade popular manifestada no referendo de 2005, devolvemos aos cidadãos brasileiros a liberdade de decidir".
A bem da verdade, o problema do Brasil não é excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo. É justo o contrário. Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a exploração criminalidade. 
Enquanto o presidente faz pose de durão, um rigor de caras e bocas e palavras inflamadas, os crimes violentos se multiplicam de norte a sul do País, indiferente ao privilégio histórico das grandes capitais. Hoje, mesmo em cidades de pequeno e médio porte, tradicionalmente pacatas, a exemplo dos municípios do interior sergipano, a violência faz vítimas fatais todos os dias.
A fé cega e declarada no poder da bala depõe contra a inteligência do presidente. Eleito com a promessa de dar um basta na violência, ele precisa cotejar as suas teorias e convicções individuais com os dados da realidade. Em nenhum lugar do mundo, o acesso facilitado às armas de fogo produziu estatísticas desejáveis. Não há urgência, portanto, em armar as pessoas. Mas sim em fazer valer a norma e assumir a responsabilidade sobre a segurança dos cidadãos de bem.