O silêncio da senhora Castleman

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À sombra
À sombra

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Publicada em 22/01/2019 às 07:20:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Walter Benjamin já 
nos advertiu a 
todos sobre a tolice de acreditar cegamente nos discursos declamados com afetação heróica pelo Anjo da História. E as razões para tanta desconfiança estão escancaradas no longa metragem 'The wife'. Todos os livros poupados pelas guerras, costumes, fogueiras e revoluções ainda são insuficientes para fazer um resumo mais abrangente da ópera. A experiência de mundo preservada em documentos de cultura carece de páginas e páginas, tão completa como um pássaro sem asas.
No filme do sueco Björn Runge (um ilustre desconhecido, sem grandes feitos e bilheterias no currículo), Glenn Close interpreta Joan Castleman, a esposa de um escritor bem sucedido, em vias de ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura. Joan está acostumada a viver à sombra do companheiro. Mas quando a expectativa de consagração finalmente se cumpre, o ressentimento sufocado durante a vida inteira finalmente aflora.
Também pudera, Joan já tivera um futuro promissor como escritora, mas abdicou de suas próprias ambições em função do sucesso do marido. O prestígio conquistado por um seria a recompensa do outro. Ademais, faltava-lhe a coragem, a desenvoltura e a tenacidade exigida para se firmar nas rodas literárias. A bem da verdade, em certos meios, além dos limites estreitos do lar, a mulher era francamente hostilizada, uma indesejada. 
De todo modo, longe de ecoar o ressentimento justificado contra o qual a sua própria protagonista luta, 'The wife' nunca cede ao revanchismo. Trata-se, antes, de realizar uma advertência, lembrar que o silêncio de alguns nos deixa a todos mais pobres e que não se deve julgar um livro pela assinatura impressa na capa.
Neste particular, o filme estrelado por Glenn Close, agraciada com um Globo de Ouro, é exemplar da sensibilidade emergente, aqui e agora. Não é a história contada sobre nossas avós. Mas a mão que balança o berço, Joan Castleman bem o sabe, também pode pintar o diabo. 

Walter Benjamin já  nos advertiu a  todos sobre a tolice de acreditar cegamente nos discursos declamados com afetação heróica pelo Anjo da História. E as razões para tanta desconfiança estão escancaradas no longa metragem 'The wife'. Todos os livros poupados pelas guerras, costumes, fogueiras e revoluções ainda são insuficientes para fazer um resumo mais abrangente da ópera. A experiência de mundo preservada em documentos de cultura carece de páginas e páginas, tão completa como um pássaro sem asas.
No filme do sueco Björn Runge (um ilustre desconhecido, sem grandes feitos e bilheterias no currículo), Glenn Close interpreta Joan Castleman, a esposa de um escritor bem sucedido, em vias de ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura. Joan está acostumada a viver à sombra do companheiro. Mas quando a expectativa de consagração finalmente se cumpre, o ressentimento sufocado durante a vida inteira finalmente aflora.
Também pudera, Joan já tivera um futuro promissor como escritora, mas abdicou de suas próprias ambições em função do sucesso do marido. O prestígio conquistado por um seria a recompensa do outro. Ademais, faltava-lhe a coragem, a desenvoltura e a tenacidade exigida para se firmar nas rodas literárias. A bem da verdade, em certos meios, além dos limites estreitos do lar, a mulher era francamente hostilizada, uma indesejada. 
De todo modo, longe de ecoar o ressentimento justificado contra o qual a sua própria protagonista luta, 'The wife' nunca cede ao revanchismo. Trata-se, antes, de realizar uma advertência, lembrar que o silêncio de alguns nos deixa a todos mais pobres e que não se deve julgar um livro pela assinatura impressa na capa.
Neste particular, o filme estrelado por Glenn Close, agraciada com um Globo de Ouro, é exemplar da sensibilidade emergente, aqui e agora. Não é a história contada sobre nossas avós. Mas a mão que balança o berço, Joan Castleman bem o sabe, também pode pintar o diabo.