Apesar da crise

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A Cumbuca de Amaral não deixa ninguém mentir
A Cumbuca de Amaral não deixa ninguém mentir

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Publicada em 23/01/2019 às 07:01:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ano passado, quando 
tudo levava a crer na 
extinção das grandes livrarias, leitores espalhados pelos quatro cantos do País se penitenciaram, cheios de culpa. Estariam gastando pouco e lendo menos ainda. Hélio Schwartsman chegou a ponto de cuspir no próprio Kindle. Em sua cabeça, os 548 volumes devorados no leitor digital ao longo de uma década poderiam tirar a Saraiva do vermelho.
Ledo engano. Para as megastores disfarçadas em sebos gentrificados, o livro não passa de mais um artigo na prateleira, talvez o menos rentável. Fosse diferente, o cataclismo anunciado em primeira página realmente teria acabado com o negócio, demolindo o santuário de ácaros e poeira erigido sob a aparência orgulhosa das bibliotecas domésticas. Um jogo de espelhos, arquitetado com o fim de preservar interesses da ordem de centenas de milhões.
Felizmente, não faltaram vozes lúcidas para acusar a pantomina. Élio Gaspari negou a crise com todas as letras. Embora admitisse os números apresentados pelas maiores redes de livrarias do país (além da Saraiva, já citada, as dificuldades se pronunciavam também nos balanços da livraria Cultura), com dívidas acumuladas de até R$ 400 milhões, o jornalista fez questão de lembrar o óbvio: Nunca houve crise no mercado editorial. Ano passado, o setor cresceu 5,7%. No mesmo período, o faturamento aumento 9,3%. Assim, se as gigantes meteram os pés pelas mãos, foi em razão do olho grande. 
Miriam Leitão foi além das planilhas apresentadas junto ao pedido de recuperação judicial das livrarias. Para ela, a discussão não podia ficar restrita à esfera econômica. Tratava-se, isso sim, de uma questão com implicações nítidas em qualquer estratégia de emancipação social. "Enquanto o setor encontra suas saídas, é bom pensar nos livros e seu valor intangível. Sem eles, fechados em bolhas digitais alimentadas por algorítimos, somos presas frágeis no tempo distópico que vivemos".
Por óbvio, o conselho da jornalista não se esgota no caso Saraiva e Cultura. Dados divulgados pela Edise, por exemplo, demonstram que o Governo de Sergipe está ciente da importância de investir em um parque gráfico moderno, capaz de suprir a demanda gerada pela criação de um mercado editorial com as raízes fincadas no chão Serigy (ver nesta página). A revista Cumbuca de Amaral Cavalcante está aí há cinco anos, não deixa ninguém mentir. Os dias bons, quando tudo dá certo, começam e terminam sempre com uma caneca de café fumegante e as páginas de um livro.

Ano passado, quando  tudo levava a crer na  extinção das grandes livrarias, leitores espalhados pelos quatro cantos do País se penitenciaram, cheios de culpa. Estariam gastando pouco e lendo menos ainda. Hélio Schwartsman chegou a ponto de cuspir no próprio Kindle. Em sua cabeça, os 548 volumes devorados no leitor digital ao longo de uma década poderiam tirar a Saraiva do vermelho.
Ledo engano. Para as megastores disfarçadas em sebos gentrificados, o livro não passa de mais um artigo na prateleira, talvez o menos rentável. Fosse diferente, o cataclismo anunciado em primeira página realmente teria acabado com o negócio, demolindo o santuário de ácaros e poeira erigido sob a aparência orgulhosa das bibliotecas domésticas. Um jogo de espelhos, arquitetado com o fim de preservar interesses da ordem de centenas de milhões.
Felizmente, não faltaram vozes lúcidas para acusar a pantomina. Élio Gaspari negou a crise com todas as letras. Embora admitisse os números apresentados pelas maiores redes de livrarias do país (além da Saraiva, já citada, as dificuldades se pronunciavam também nos balanços da livraria Cultura), com dívidas acumuladas de até R$ 400 milhões, o jornalista fez questão de lembrar o óbvio: Nunca houve crise no mercado editorial. Ano passado, o setor cresceu 5,7%. No mesmo período, o faturamento aumento 9,3%. Assim, se as gigantes meteram os pés pelas mãos, foi em razão do olho grande. 
Miriam Leitão foi além das planilhas apresentadas junto ao pedido de recuperação judicial das livrarias. Para ela, a discussão não podia ficar restrita à esfera econômica. Tratava-se, isso sim, de uma questão com implicações nítidas em qualquer estratégia de emancipação social. "Enquanto o setor encontra suas saídas, é bom pensar nos livros e seu valor intangível. Sem eles, fechados em bolhas digitais alimentadas por algorítimos, somos presas frágeis no tempo distópico que vivemos".
Por óbvio, o conselho da jornalista não se esgota no caso Saraiva e Cultura. Dados divulgados pela Edise, por exemplo, demonstram que o Governo de Sergipe está ciente da importância de investir em um parque gráfico moderno, capaz de suprir a demanda gerada pela criação de um mercado editorial com as raízes fincadas no chão Serigy (ver nesta página). A revista Cumbuca de Amaral Cavalcante está aí há cinco anos, não deixa ninguém mentir. Os dias bons, quando tudo dá certo, começam e terminam sempre com uma caneca de café fumegante e as páginas de um livro.