Os sinais do tempo

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Um testemunho de maturidade
Um testemunho de maturidade

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Publicada em 25/01/2019 às 06:19:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Qualquer marmanjo 
com mais de 30 
anos nas costas está careca de saber que a tecnologia é parte determinante nas relações de fruição e consumo da música gravada, em qualquer lugar do mundo. É assim desde sempre. Ninguém esperava, contudo, que a revolução promovida pelo Napster, capaz de sepultar uma indústria milionária, fosse desaguar na morte do disco. Hoje, em plena era do streaming, a maioria dos compositores admite para os próprios botões, alguns francamente constrangidos, a possibilidade de apostar todas as fichas nos singles.
Arthur Matos evita pensar no pior, mas se recusa a fechar os olhos ante a dura realidade. A música é uma necessidade humana, não deixará de existir nunca. Mas os discos não são mais deste mundo, tudo indica que eles estão com os dias contados.
Em certa medida, 'Você', o quinto registro com a assinatura de Arthur, pode ser entendido como uma resposta aos sinais do tempo. Concebido como um disco "normal", com direção musical, projeto gráfico e um norte conceitual bem amarrado, tudo como manda o figurino, 'Você' será disponibilizado a conta gotas. As doze faixas reunidas no projeto serão divulgadas individualmente, às últimas sextas feiras de cada mês, até o fim do ano.
Arthur ainda lembra a emoção experimentada ao ouvir o 'Pet sounds' (1966), talvez o maior clássico dos Beach Boys. Por ele, ainda estaríamos todos ouvindo música em um vinil de 12 polegadas, atentos às carícias rascantes da agulha, com fones de ouvidos. Mas as plataformas de streaming mudaram as regras do jogo. A molecada não tem paciência para embarcar na viagem de um disco inteiro, de cabo a rabo. As playlists funcionam do mesmo modo que o McDonald's. A música também foi submetida à lógica do consumo apressado, uma espécie de fast food.
Nesta seara, entretanto, qualquer pendor para o saudosismo dá em nada. As regras do jogo mudaram. Quem não quiser perder o bonde da história vai ter de se adaptar. Arthur mesmo está apostando em um casamento muito proveitoso entre a música e o audiovisual. A divulgação de cada faixa de 'Você' será acompanhada de um videoclipe. 'Sete mares', a primeira a ser jogada na rede, por exemplo, ganhou a leitura de Gabriel Viana.
Ainda é cedo para dizer onde essa história vai dar, mas Arthur parece satisfeito de tentar uma estratégia nova. Ele se diz um compositor menos auto centrado, capaz de olhar para os lados, num exercício criativo de empatia. Se for assim mesmo, 'Você' supera a forma e se afirma em um testemunho de maturidade.

Qualquer marmanjo  com mais de 30  anos nas costas está careca de saber que a tecnologia é parte determinante nas relações de fruição e consumo da música gravada, em qualquer lugar do mundo. É assim desde sempre. Ninguém esperava, contudo, que a revolução promovida pelo Napster, capaz de sepultar uma indústria milionária, fosse desaguar na morte do disco. Hoje, em plena era do streaming, a maioria dos compositores admite para os próprios botões, alguns francamente constrangidos, a possibilidade de apostar todas as fichas nos singles.
Arthur Matos evita pensar no pior, mas se recusa a fechar os olhos ante a dura realidade. A música é uma necessidade humana, não deixará de existir nunca. Mas os discos não são mais deste mundo, tudo indica que eles estão com os dias contados.
Em certa medida, 'Você', o quinto registro com a assinatura de Arthur, pode ser entendido como uma resposta aos sinais do tempo. Concebido como um disco "normal", com direção musical, projeto gráfico e um norte conceitual bem amarrado, tudo como manda o figurino, 'Você' será disponibilizado a conta gotas. As doze faixas reunidas no projeto serão divulgadas individualmente, às últimas sextas feiras de cada mês, até o fim do ano.
Arthur ainda lembra a emoção experimentada ao ouvir o 'Pet sounds' (1966), talvez o maior clássico dos Beach Boys. Por ele, ainda estaríamos todos ouvindo música em um vinil de 12 polegadas, atentos às carícias rascantes da agulha, com fones de ouvidos. Mas as plataformas de streaming mudaram as regras do jogo. A molecada não tem paciência para embarcar na viagem de um disco inteiro, de cabo a rabo. As playlists funcionam do mesmo modo que o McDonald's. A música também foi submetida à lógica do consumo apressado, uma espécie de fast food.
Nesta seara, entretanto, qualquer pendor para o saudosismo dá em nada. As regras do jogo mudaram. Quem não quiser perder o bonde da história vai ter de se adaptar. Arthur mesmo está apostando em um casamento muito proveitoso entre a música e o audiovisual. A divulgação de cada faixa de 'Você' será acompanhada de um videoclipe. 'Sete mares', a primeira a ser jogada na rede, por exemplo, ganhou a leitura de Gabriel Viana.
Ainda é cedo para dizer onde essa história vai dar, mas Arthur parece satisfeito de tentar uma estratégia nova. Ele se diz um compositor menos auto centrado, capaz de olhar para os lados, num exercício criativo de empatia. Se for assim mesmo, 'Você' supera a forma e se afirma em um testemunho de maturidade.