FRIO EM DAVOS

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Publicada em 26/01/2019 às 06:06:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
No mês de janeiro, sob a neve e frio europeu acontece o "Foro Econômico Mundial", tradução do World Economic Forum - o "Foro de Davos". Realizado em Davos, cidade suíça, com cerca de onze mil habitantes. Similar população do município sergipano de Gararu, menor que Tomar de Geru, de minha origem materna. Um quarto da população de estrangeiros. Embora, em território suíço, o alemão, é a língua oficial. 
Um lugar de superlativos. O maior resort nos Alpes para férias, esportes e conferências nas montanhas. A cidade mais alta dos Alpes e um resort de longa tradição. Alberga a maior pista natural de gelo da Europa e a maior cervejaria europeia. Nesse ano, mais de três mil participantes de cento e dez países, incluindo sessenta e cinco chefes de Estado e de Governo, pagaram uma vultosíssima inscrição, com sentidas e destacadas ausências. 
Os interesses do encontro do capitalismo mundial, não estão nas potencialidades turísticas dos endinheirados, mas na economia global. O prestigiado jornal argentino El Pais publicou: "Davos esvaziada recebe Bolsonaro como astro da nova política". Donald Trump não foi o único ausente, priorizou a permanência na América, numa quebra de braço, para construir mais um muro, entre pobres e ricos. O francês, Emmanuel Macron, ausente, tenta descolar do elitismo do encontro, na crise dos "coletes amarelos". A britânica, Theresa May, permaneceu na Inglaterra, "num balança, mas não cai", em face do Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia. Ausências relevantes dos Presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e do México, Andrés Manuel López Obrador; fizeram desta edição a com menor presença de líderes políticos nos últimos anos. 
No passado recente no mesmo Foro, foram aclamados outros presidentes brasileiros. O social democrata, sociólogo e respeitado acadêmico, conhecido pela "Teoria da Dependência", atualizada na protecionista economia globalizada. Uma exceção nas democracias ocidentais capitalistas, o presidente eleito pela soberania popular, retirante nordestino, operário de fábricas, advindo de classe social subalterna, com o passado de líder sindicalista. Nesse ano, o "avesso do avesso, do avesso" dos anteriores, o coronel reformado do exército, assumidamente de direita, conservador nos valores, crítico dos direitos humanos e do chamado "viés ideológico" da economia brasileira, a maior e mais populosa economia da América Latina. Como disse o Prêmio Nobel de Economia Robert Shiller, presente no evento: "O Brasil é um grande país. Merece alguém melhor. Ele me dá medo". Aqui também tem medo. O Ministro do STF Joaquim Barbosa na eleição presidencial, declarou: "pela primeira vez, votei com medo".
A "Globalização 4.0", chamada de "Quarta Revolução Industrial", tema do "Foro de Davos", sinaliza uma nova era econômica. "Com o comércio mundial e o crescimento econômico sob ameaça, urge renovar a arquitetura da cooperação internacional", clamou o presidente do Fórum, o norueguês Borge Brende. A pauta econômica colocou em segundo plano a mudança climática, as ameaças da tecnologia para a segurança, a saúde mental como ameaça à sociedade, a geoestratégia, e uma nova negociação sobre a natureza. A "novidade tropical" dessa edição, o Presidente brasileiro, proferiu um discurso genérico e curto, carente de substantivo conteúdo prospectivo das causas planetárias, oportunidade perdida de firmar a mensagem de liderança e de estadista. Trocou os almoços das negociações multilaterais, pelo popular bandejão, longe do globalismo de Davos. Diz a sabedoria chinesa: "a flecha atirada, a palavra dada e a oportunidade não voltam mais".
Não constou na agenda dos milionários do mundo, as mazelas dos países pobres, situados nos trópicos e abaixo da linha do equador. Uma impossibilidade, a negação da inexistência de ideologia nas relações sociais - nunca prenhe de neutralidade. Em 2018, vinte e seis pessoas mais ricas do mundo concentravam a riqueza correspondente a 2,8 bilhões de pessoas. Os 10% mais ricos, pagaram proporcionalmente os mesmos impostos que os 10% mais pobres. A desigualdade enfraquece a democracia e carrega raiva e indignação. O milionário e investidor americano Warren Buffett, um dos mais ricos do mundo, concordando com a máxima marxista: "existe sim a luta de classes, e nós vencemos". 
* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

* Manoel Moacir Costa Macêdo

No mês de janeiro, sob a neve e frio europeu acontece o "Foro Econômico Mundial", tradução do World Economic Forum - o "Foro de Davos". Realizado em Davos, cidade suíça, com cerca de onze mil habitantes. Similar população do município sergipano de Gararu, menor que Tomar de Geru, de minha origem materna. Um quarto da população de estrangeiros. Embora, em território suíço, o alemão, é a língua oficial. 
Um lugar de superlativos. O maior resort nos Alpes para férias, esportes e conferências nas montanhas. A cidade mais alta dos Alpes e um resort de longa tradição. Alberga a maior pista natural de gelo da Europa e a maior cervejaria europeia. Nesse ano, mais de três mil participantes de cento e dez países, incluindo sessenta e cinco chefes de Estado e de Governo, pagaram uma vultosíssima inscrição, com sentidas e destacadas ausências. 
Os interesses do encontro do capitalismo mundial, não estão nas potencialidades turísticas dos endinheirados, mas na economia global. O prestigiado jornal argentino El Pais publicou: "Davos esvaziada recebe Bolsonaro como astro da nova política". Donald Trump não foi o único ausente, priorizou a permanência na América, numa quebra de braço, para construir mais um muro, entre pobres e ricos. O francês, Emmanuel Macron, ausente, tenta descolar do elitismo do encontro, na crise dos "coletes amarelos". A britânica, Theresa May, permaneceu na Inglaterra, "num balança, mas não cai", em face do Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia. Ausências relevantes dos Presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e do México, Andrés Manuel López Obrador; fizeram desta edição a com menor presença de líderes políticos nos últimos anos. 
No passado recente no mesmo Foro, foram aclamados outros presidentes brasileiros. O social democrata, sociólogo e respeitado acadêmico, conhecido pela "Teoria da Dependência", atualizada na protecionista economia globalizada. Uma exceção nas democracias ocidentais capitalistas, o presidente eleito pela soberania popular, retirante nordestino, operário de fábricas, advindo de classe social subalterna, com o passado de líder sindicalista. Nesse ano, o "avesso do avesso, do avesso" dos anteriores, o coronel reformado do exército, assumidamente de direita, conservador nos valores, crítico dos direitos humanos e do chamado "viés ideológico" da economia brasileira, a maior e mais populosa economia da América Latina. Como disse o Prêmio Nobel de Economia Robert Shiller, presente no evento: "O Brasil é um grande país. Merece alguém melhor. Ele me dá medo". Aqui também tem medo. O Ministro do STF Joaquim Barbosa na eleição presidencial, declarou: "pela primeira vez, votei com medo".
A "Globalização 4.0", chamada de "Quarta Revolução Industrial", tema do "Foro de Davos", sinaliza uma nova era econômica. "Com o comércio mundial e o crescimento econômico sob ameaça, urge renovar a arquitetura da cooperação internacional", clamou o presidente do Fórum, o norueguês Borge Brende. A pauta econômica colocou em segundo plano a mudança climática, as ameaças da tecnologia para a segurança, a saúde mental como ameaça à sociedade, a geoestratégia, e uma nova negociação sobre a natureza. A "novidade tropical" dessa edição, o Presidente brasileiro, proferiu um discurso genérico e curto, carente de substantivo conteúdo prospectivo das causas planetárias, oportunidade perdida de firmar a mensagem de liderança e de estadista. Trocou os almoços das negociações multilaterais, pelo popular bandejão, longe do globalismo de Davos. Diz a sabedoria chinesa: "a flecha atirada, a palavra dada e a oportunidade não voltam mais".
Não constou na agenda dos milionários do mundo, as mazelas dos países pobres, situados nos trópicos e abaixo da linha do equador. Uma impossibilidade, a negação da inexistência de ideologia nas relações sociais - nunca prenhe de neutralidade. Em 2018, vinte e seis pessoas mais ricas do mundo concentravam a riqueza correspondente a 2,8 bilhões de pessoas. Os 10% mais ricos, pagaram proporcionalmente os mesmos impostos que os 10% mais pobres. A desigualdade enfraquece a democracia e carrega raiva e indignação. O milionário e investidor americano Warren Buffett, um dos mais ricos do mundo, concordando com a máxima marxista: "existe sim a luta de classes, e nós vencemos". 

* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra