Trinta anos esta noite

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Paulo Francis, mais urgente do que nunca
Paulo Francis, mais urgente do que nunca

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Publicada em 02/02/2019 às 15:42:00

 

Lá se vão 30 dias de Go-
verno Bolsonaro. Há- 
quem diga que transcorreram lentamente, arrastados, com o peso de pelo menos 30 anos súbitos, em uma noite. O clima odiento de polarização ideológica, militarismo e paranóia anticomunista prova, por A mais B: o brasileiro morre e não aprende. Assim, ler Paulo Francis é mais urgente do que nunca.
O mundo não melhorou na ausência de Francis. Muito ao contrário. Ao longo dos últimos vinte e dois anos, desde quando o rabugento de nariz empinado passou dessa pra melhor, todas as incertezas foram aplainadas. Os justos e os bons não admitem sequer a convivência com o dissenso. Ninguém conversa com ninguém. 'Block' e 'Unfollow', gestos infantis e extremos, o "corte aqui" das crianças mal educadas, virou remédio pra tudo na era das sociedades hiper conectadas.
Verdade seja dita: Nunca foi fácil cultivar um pensamento original. O próprio Francis comeu o pão que o diabo amassou, perseguido por bancar a própria opinião, durante toda a sua trajetória de jornalista profissional. Sectário da alta cultura, um elitista nos próprios termos e limites, jamais deu o braço a torcer em troca do aplauso.
Paulo Francis não é deste tempo, quando a intelligentsia tupiniquim se aperta, aos cotovelos, num cortejo de améns e aleluias, sobre os joelhos gastos. Não sobrou nenhum puto para contar a história de nossos dias pendurado na corda bamba. O jornalismo nosso de cada dia (assim mesmo, em letras minúsculas, as mais tímidas) virou um meio de vida exclusivo dos cordatos.
Dorme em paz o jornalista Paulo Francis, desde o dia 04 de fevereiro, há vinte e dois anos, depois de ouvir e se emocionar até às lágrimas com todas as óperas de valor então compostas e gravadas.

Lá se vão 30 dias de Go- verno Bolsonaro. Há-  quem diga que transcorreram lentamente, arrastados, com o peso de pelo menos 30 anos súbitos, em uma noite. O clima odiento de polarização ideológica, militarismo e paranóia anticomunista prova, por A mais B: o brasileiro morre e não aprende. Assim, ler Paulo Francis é mais urgente do que nunca.
O mundo não melhorou na ausência de Francis. Muito ao contrário. Ao longo dos últimos vinte e dois anos, desde quando o rabugento de nariz empinado passou dessa pra melhor, todas as incertezas foram aplainadas. Os justos e os bons não admitem sequer a convivência com o dissenso. Ninguém conversa com ninguém. 'Block' e 'Unfollow', gestos infantis e extremos, o "corte aqui" das crianças mal educadas, virou remédio pra tudo na era das sociedades hiper conectadas.
Verdade seja dita: Nunca foi fácil cultivar um pensamento original. O próprio Francis comeu o pão que o diabo amassou, perseguido por bancar a própria opinião, durante toda a sua trajetória de jornalista profissional. Sectário da alta cultura, um elitista nos próprios termos e limites, jamais deu o braço a torcer em troca do aplauso.
Paulo Francis não é deste tempo, quando a intelligentsia tupiniquim se aperta, aos cotovelos, num cortejo de améns e aleluias, sobre os joelhos gastos. Não sobrou nenhum puto para contar a história de nossos dias pendurado na corda bamba. O jornalismo nosso de cada dia (assim mesmo, em letras minúsculas, as mais tímidas) virou um meio de vida exclusivo dos cordatos.
Dorme em paz o jornalista Paulo Francis, desde o dia 04 de fevereiro, há vinte e dois anos, depois de ouvir e se emocionar até às lágrimas com todas as óperas de valor então compostas e gravadas.