18 barragens são monitoradas contra risco de acidentes em Sergipe

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A principal destas barragens é a Jaime Umbelino de Souza, situada no Rio Poxim, em São Cristóvão
A principal destas barragens é a Jaime Umbelino de Souza, situada no Rio Poxim, em São Cristóvão

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Publicada em 02/02/2019 às 16:03:00

 

Gabriel Damásio
As 18 barragens de 
grande porte existen
tes em Sergipe vão ganhar um reforço em suas ações de fiscalização e reparos. A preocupação é evitar a repetição dos desastres que causaram mortes e destruições nas cidades mineiras de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em janeiro deste ano. A Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), ligada à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Urbano e Sustentável (Sedurbs), está acompanhando as ações que já começaram a ser executadas pelas empresas e companhias mantenedoras destas barragens, consideradas de grande porte e que apresentam altos potenciais de dano em caso de rompimento. 
"A lei federal que criou a Política Nacional de Segurança de Barragens estabelece alguns padrões de classificação. Ela trabalha em cima das barragens que têm um maciço ou paredão de no mínimo 15 metros de altura e acumulem um mínimo 3 milhões de metros cúbicos de água. Nesses parâmetros, temos 18 barragens que se inserem nesta qualificação. Destas 13 são consideradas de grande porte. A gente tem tido uma atenção especial pra aquelas que são utilizadas para o abastecimento humano de água", explicou o superintendente da SRH, Ailton Rocha, acrescentando que quase todas elas foram construídas pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) e pela Cohidro (Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe). 
A principal destas barragens é a Jaime Umbelino de Souza, situada no Rio Poxim, em São Cristóvão, que foi construída pela Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe) em 2010 para complementar o abastecimento de água na Grande Aracaju. Com 15 metros de altura, 1.125 metros de extensão e 5,2 quilômetros cúbicos de extensão, ela foi citada em um recente relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) como uma das que possuem "comprometimentos estruturais" e "alto risco de dano potencial", por ficar próximo a alguns povoados de São Cristóvão. 
Imagens que circularam nas redes sociais na última semana mostraram a ocorrência de fissuras e vazamentos em alguns pontos da barragem, o que provocou uma vistoria realizada no local por técnicos da Deso e da Adema (Administração Estadual do Meio Ambiente). As equipes não identificaram nenhum problema estrutural. De acordo com a Deso, a barragem foi construída em cima de uma formação calcária, que possui algumas fissuras que permitem a passagem de água pelo subsolo. Porém, tais fissuras foram tratadas com preenchimento de nata de cimento durante a construção da barragem. A Deso disse ainda que é realizado um monitoramento constante e a manutenção do local também é realizada.
Ailton Rocha explica que existem dois tipos de classificação de risco previstas na lei federal que regula a gestão das barragens, sendo um referente à estrutura física e outro ligada aos danos potenciais. "Normalmente, a classificação de risco se dá quanto à infraestrutura do empreendimento. No caso da Jaime Umbelino, ela foi classificada como de baixo risco estrutural, por se tratar de uma barragem nova, que se conhece o projeto, ela vem sendo monitorada, é uma obra licenciada e outorgada. Todos os parâmetros que norteiam o empreendimento são de conhecimento e vem sendo acompanhada. No caso dos danos potenciais, ela recebeu essa classificação de alto risco, pois leva-se em consideração que, em havendo rompimento, ela pode atingir um grande aglomerado de pessoas e causar elevados danos ambientais, sociais e econômicos", disse ele. 
Entre as outras barragens que são consideradas de "alto risco de danos potenciais", devido à proximidade de povoações urbanas, estão a Dionísio Machado (Lagarto), a João Alves Filho (Campo do Brito), a Jacarecica 1 (Itabaiana), a Jacarecica 2 (Malhador) e a Jabiberi (Tobias Barreto), que está atualmente no volume morto. Pela legislação, todas estas barragens estão obrigadas a manter um plano emergencial de ação para evacuar a população e minimizar os danos em caso de rompimento, o que deve ser elaborado pelas companhias responsáveis e apresentado às autoridades municipais e estaduais. 
Apesar da exigência, o responsável pela SRH tranquiliza a população sergipana e assegura que não há risco de acidentes ou tragédias semelhantes às ocorridas em Minas. "O fato de uma barragem estar em risco alto de danos potenciais não significa dizer que as barragens que estão prestes a se romper. As barragens se mantêm em boas estruturas e vêm sendo monoitoradas, sem causar nenhum problema. A classificação serve apenas como um alerta, de que estas estruturas precisam de uma atenção especial. É como uma pessoa diabética, que precisa sempre tomar os remédios e cuidar da saúde", compara Ailton, defendendo ainda que os procedimentos de reparos, vistoria e segurança das estruturas seja aplicado constantemente, dentro do que chamou de "princípio da redundância". 

Gabriel Damásio

As 18 barragens de  grande porte existen tes em Sergipe vão ganhar um reforço em suas ações de fiscalização e reparos. A preocupação é evitar a repetição dos desastres que causaram mortes e destruições nas cidades mineiras de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em janeiro deste ano. A Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), ligada à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Urbano e Sustentável (Sedurbs), está acompanhando as ações que já começaram a ser executadas pelas empresas e companhias mantenedoras destas barragens, consideradas de grande porte e que apresentam altos potenciais de dano em caso de rompimento. 
"A lei federal que criou a Política Nacional de Segurança de Barragens estabelece alguns padrões de classificação. Ela trabalha em cima das barragens que têm um maciço ou paredão de no mínimo 15 metros de altura e acumulem um mínimo 3 milhões de metros cúbicos de água. Nesses parâmetros, temos 18 barragens que se inserem nesta qualificação. Destas 13 são consideradas de grande porte. A gente tem tido uma atenção especial pra aquelas que são utilizadas para o abastecimento humano de água", explicou o superintendente da SRH, Ailton Rocha, acrescentando que quase todas elas foram construídas pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) e pela Cohidro (Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe). 
A principal destas barragens é a Jaime Umbelino de Souza, situada no Rio Poxim, em São Cristóvão, que foi construída pela Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe) em 2010 para complementar o abastecimento de água na Grande Aracaju. Com 15 metros de altura, 1.125 metros de extensão e 5,2 quilômetros cúbicos de extensão, ela foi citada em um recente relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) como uma das que possuem "comprometimentos estruturais" e "alto risco de dano potencial", por ficar próximo a alguns povoados de São Cristóvão. 
Imagens que circularam nas redes sociais na última semana mostraram a ocorrência de fissuras e vazamentos em alguns pontos da barragem, o que provocou uma vistoria realizada no local por técnicos da Deso e da Adema (Administração Estadual do Meio Ambiente). As equipes não identificaram nenhum problema estrutural. De acordo com a Deso, a barragem foi construída em cima de uma formação calcária, que possui algumas fissuras que permitem a passagem de água pelo subsolo. Porém, tais fissuras foram tratadas com preenchimento de nata de cimento durante a construção da barragem. A Deso disse ainda que é realizado um monitoramento constante e a manutenção do local também é realizada.
Ailton Rocha explica que existem dois tipos de classificação de risco previstas na lei federal que regula a gestão das barragens, sendo um referente à estrutura física e outro ligada aos danos potenciais. "Normalmente, a classificação de risco se dá quanto à infraestrutura do empreendimento. No caso da Jaime Umbelino, ela foi classificada como de baixo risco estrutural, por se tratar de uma barragem nova, que se conhece o projeto, ela vem sendo monitorada, é uma obra licenciada e outorgada. Todos os parâmetros que norteiam o empreendimento são de conhecimento e vem sendo acompanhada. No caso dos danos potenciais, ela recebeu essa classificação de alto risco, pois leva-se em consideração que, em havendo rompimento, ela pode atingir um grande aglomerado de pessoas e causar elevados danos ambientais, sociais e econômicos", disse ele. 
Entre as outras barragens que são consideradas de "alto risco de danos potenciais", devido à proximidade de povoações urbanas, estão a Dionísio Machado (Lagarto), a João Alves Filho (Campo do Brito), a Jacarecica 1 (Itabaiana), a Jacarecica 2 (Malhador) e a Jabiberi (Tobias Barreto), que está atualmente no volume morto. Pela legislação, todas estas barragens estão obrigadas a manter um plano emergencial de ação para evacuar a população e minimizar os danos em caso de rompimento, o que deve ser elaborado pelas companhias responsáveis e apresentado às autoridades municipais e estaduais. 
Apesar da exigência, o responsável pela SRH tranquiliza a população sergipana e assegura que não há risco de acidentes ou tragédias semelhantes às ocorridas em Minas. "O fato de uma barragem estar em risco alto de danos potenciais não significa dizer que as barragens que estão prestes a se romper. As barragens se mantêm em boas estruturas e vêm sendo monoitoradas, sem causar nenhum problema. A classificação serve apenas como um alerta, de que estas estruturas precisam de uma atenção especial. É como uma pessoa diabética, que precisa sempre tomar os remédios e cuidar da saúde", compara Ailton, defendendo ainda que os procedimentos de reparos, vistoria e segurança das estruturas seja aplicado constantemente, dentro do que chamou de "princípio da redundância".