O último desaforo do presidente

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Filme sobre a violência da \"Cura Gay\" não será exibido no Brasil
Filme sobre a violência da \"Cura Gay\" não será exibido no Brasil

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Publicada em 05/02/2019 às 05:03:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Jair Bolsonaro não mo-
veu nem um dedo 
para impedir a exibição do longa metragem 'Boy erased' no Brasil. Em bate boca no Twitter, ele mesmo afirmou ter mais o que fazer. Mas um desaforo de 140 caracteres não tem o poder de apagar toda uma trajetória política, como num passe de mágica. Se a acusação da militância LGBT peca por fantasiosa, tudo no caso leva a crer, tamanha desconfiança também não carece de precedentes e fundamentos. A repugnância declarada em relação aos homossexuais depõe contra as mãos limpas exibidas nas redes sociais pelo presidente.
O filme estrelado por Nicole Kidman, Russell Crowe e Lucas Hedges dramatiza a violência promovida por grupos religiosos conservadores, defensores da famigerada "Cura Gay". Supostas razões comerciais levaram a empresa responsável pela sua distribuição a cancelar o lançamento no circuito exibidor brasileiro, inicialmente previsto para ocorrer em fevereiro. Foi o que bastou para soar o alarme.
O ator norte-americano Kevin McHale, famoso por sua participação na série Glee, usou o Twitter para criticar a decisão e acusar o governo Bolsonaro de censura, dando visibilidade mundial aos temores das populações marginalizadas da brava gente. O autor do livro no qual o filme é baseado engrossou o coro, antes de apagar o post. Foi um tiro no escuro. Censura, com todas as letras, não houve. Mas os dois acertaram em cheio, bem no alvo. 
Neste particular, Bolsonaro tem ficha corrida e culpa no cartório, sim senhor. Uma Medida Provisória publicada logo no primeiro dia de seu governo, por exemplo, excluiu a população LGBT dos grupos vulneráveis à violência. Antes, havia no Ministério dos Direitos Humanos a Diretoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Agora, para todos os efeitos, viado e sapatão não é nem gente.
Em âmbito público, além dos círculos de afeto e familiares, um homem só se faz conhecer pelo conjunto dos próprios feitos, toda assinatura se confunde com a própria obra. Assim, de pouco adiantou a profilaxia retórica realizada pelo candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, quando foi obrigado a suavizar o discurso odiento, com o fim de conquistar o voto dos incautos. Com a caneta na mão, a máscara caiu. Já não adianta protestar as melhores intenções do mundo. Cada medida publicada no Diário Oficial demonstra sem nenhuma sombra de dúvida como pensa o presidente. Hoje, qualquer pessoa minimamente bem informada pode dizer quem Bolsonaro é.

Jair Bolsonaro não mo- veu nem um dedo  para impedir a exibição do longa metragem 'Boy erased' no Brasil. Em bate boca no Twitter, ele mesmo afirmou ter mais o que fazer. Mas um desaforo de 140 caracteres não tem o poder de apagar toda uma trajetória política, como num passe de mágica. Se a acusação da militância LGBT peca por fantasiosa, tudo no caso leva a crer, tamanha desconfiança também não carece de precedentes e fundamentos. A repugnância declarada em relação aos homossexuais depõe contra as mãos limpas exibidas nas redes sociais pelo presidente.
O filme estrelado por Nicole Kidman, Russell Crowe e Lucas Hedges dramatiza a violência promovida por grupos religiosos conservadores, defensores da famigerada "Cura Gay". Supostas razões comerciais levaram a empresa responsável pela sua distribuição a cancelar o lançamento no circuito exibidor brasileiro, inicialmente previsto para ocorrer em fevereiro. Foi o que bastou para soar o alarme.
O ator norte-americano Kevin McHale, famoso por sua participação na série Glee, usou o Twitter para criticar a decisão e acusar o governo Bolsonaro de censura, dando visibilidade mundial aos temores das populações marginalizadas da brava gente. O autor do livro no qual o filme é baseado engrossou o coro, antes de apagar o post. Foi um tiro no escuro. Censura, com todas as letras, não houve. Mas os dois acertaram em cheio, bem no alvo. 
Neste particular, Bolsonaro tem ficha corrida e culpa no cartório, sim senhor. Uma Medida Provisória publicada logo no primeiro dia de seu governo, por exemplo, excluiu a população LGBT dos grupos vulneráveis à violência. Antes, havia no Ministério dos Direitos Humanos a Diretoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Agora, para todos os efeitos, viado e sapatão não é nem gente.
Em âmbito público, além dos círculos de afeto e familiares, um homem só se faz conhecer pelo conjunto dos próprios feitos, toda assinatura se confunde com a própria obra. Assim, de pouco adiantou a profilaxia retórica realizada pelo candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, quando foi obrigado a suavizar o discurso odiento, com o fim de conquistar o voto dos incautos. Com a caneta na mão, a máscara caiu. Já não adianta protestar as melhores intenções do mundo. Cada medida publicada no Diário Oficial demonstra sem nenhuma sombra de dúvida como pensa o presidente. Hoje, qualquer pessoa minimamente bem informada pode dizer quem Bolsonaro é.