A importância do trabalhador para o crescimento econômico do país

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Publicada em 08/02/2019 às 06:00:00

 

* Ronildo Almeida
Se o assunto for crise e crescimento econô-
mico nos regimes neoliberais, não espere 
outra solução: investimento, benefício e estímulo ao setor patronal, e sacrifício dos trabalhadores. 
No Brasil, atualmente esse conceito ultrapassa uma política econômica de governo e chega a total subserviência da Presidência ao empresariado - e, por extensão, às grandes corporações internacionais que comandam a economia global.
O próprio presidente Jair Bolsonaro já disse que "é muito difícil ser patrão no Brasil". Ouvimos, ainda, sobre a urgência de implantar uma política econômica que deixe o mercado menos tenso, mais esperançoso.
Aprovaram uma reforma trabalhista que retirou direitos históricos dos trabalhadores e abriu caminho para mais exploração, deixando o patronato cada vez mais livre nessa desigual relação de trabalho. Agora, retomam a reforma da Previdência, que impossibilitará a aposentadoria da parcela mais pobre da população.
É o livre mercado, a informalidade, o privado sobre o público, o lucro acima da vida, o negociado sobre o legislado. Um ciclo histórico que volta com forças ainda mais desiguais numa equação já desigual.
Pois bem, e o trabalhador, onde fica nesse contexto? Qual o nosso papel? É como se não fôssemos parte ativa, e fundamental, na geração de riqueza e renda. Fecham os olhos - e querem nos tapar a boca -, minimizam e desprezam a importância dos trabalhadores para o desenvolvimento e o crescimento da economia. Querem que sejamos invisíveis.
"Esquecem" que uma empresa se sustenta e tem lucratividade tendo por base dois pilares: capital e trabalho. O setor patronal entra com o capital, sim, e nós entramos com um fator determinante dessa equação: a mão de obra, a força de trabalho. É isso que consolida a lucratividade das empresas.
Lembrando ainda que os resultados do mercado de trabalho influenciam diretamente no Produto Interno Bruto - PIB. Quanto mais serviços prestados e remunerados, mais alto é o PIB, o que representa mais renda, mais consumo e também geração de novos empregos. Ou seja: mão de obra e manutenção dos postos de trabalho são fundamentais para o crescimento do país.
Portanto, é uma lógica que nos parece simples: quanto maior o número de pessoas trabalhando e recebendo remuneração, maior é a quantidade de itens a serem consumidos nas mais diversas áreas, diminuindo-se os índices de inadimplência e tornando o ciclo produtivo.
Uma parcela significativa dos economistas e estudiosos defende, inclusive, que, diante de uma crise financeira, a demissão de trabalhadores deve ser o último recurso a ser executado pelo empregador.  
Infelizmente, não é o que vivenciamos no Brasil atualmente. O que temos presenciado é que em qualquer movimento negativo na economia o sacrificado é o trabalhador, com a perda do emprego e a retirada de direitos. Hoje, são 12,2 milhões de desempregados, e mais alguns milhares de pessoas sem esperança de conquistar um emprego formal. 
E qual o projeto do Governo Federal para resolver a falta de trabalho no país? Até agora, nada efetivo. Não há políticas públicas de geração de emprego e renda para que as pessoas conquistem boas oportunidades no mercado de trabalho e possam mantê-las.
Até agora, só vimos sacrifícios dos trabalhadores e declarações que explicitam que esse governo representa apenas um lado: o dos patrões. Conquistas históricas são retiradas a todo instante, e o setor patronal tenta ampliar seu poder de ganho, por meio da exploração, nessa lógica perversa do capital.  
Não nos exijam, portanto, mais sacrifícios - não pode haver sacrifícios de um lado apenas.  Nós, do movimento sindical, temos buscado o caminho da negociação e, claro, resultados para os trabalhadores, impondo-nos à altura do que é exigido no momento atual.
É necessário que o patrão e o governo entendam a importância e dos trabalhadores para o desenvolvimento do Brasil. Nós somos agentes da economia, sim, e imprescindíveis para influenciar positivamente nos resultados do país.  Somos a força do trabalho, e o trabalho faz a roda girar. Simples assim.
* Ronildo Almeida, presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços de Sergipe - Fecomse - e da União Geral dos Trabalhadores em Sergipe - UGT/SE.

* Ronildo Almeida

Se o assunto for crise e crescimento econô- mico nos regimes neoliberais, não espere  outra solução: investimento, benefício e estímulo ao setor patronal, e sacrifício dos trabalhadores. 
No Brasil, atualmente esse conceito ultrapassa uma política econômica de governo e chega a total subserviência da Presidência ao empresariado - e, por extensão, às grandes corporações internacionais que comandam a economia global.
O próprio presidente Jair Bolsonaro já disse que "é muito difícil ser patrão no Brasil". Ouvimos, ainda, sobre a urgência de implantar uma política econômica que deixe o mercado menos tenso, mais esperançoso.
Aprovaram uma reforma trabalhista que retirou direitos históricos dos trabalhadores e abriu caminho para mais exploração, deixando o patronato cada vez mais livre nessa desigual relação de trabalho. Agora, retomam a reforma da Previdência, que impossibilitará a aposentadoria da parcela mais pobre da população.
É o livre mercado, a informalidade, o privado sobre o público, o lucro acima da vida, o negociado sobre o legislado. Um ciclo histórico que volta com forças ainda mais desiguais numa equação já desigual.
Pois bem, e o trabalhador, onde fica nesse contexto? Qual o nosso papel? É como se não fôssemos parte ativa, e fundamental, na geração de riqueza e renda. Fecham os olhos - e querem nos tapar a boca -, minimizam e desprezam a importância dos trabalhadores para o desenvolvimento e o crescimento da economia. Querem que sejamos invisíveis.
"Esquecem" que uma empresa se sustenta e tem lucratividade tendo por base dois pilares: capital e trabalho. O setor patronal entra com o capital, sim, e nós entramos com um fator determinante dessa equação: a mão de obra, a força de trabalho. É isso que consolida a lucratividade das empresas.
Lembrando ainda que os resultados do mercado de trabalho influenciam diretamente no Produto Interno Bruto - PIB. Quanto mais serviços prestados e remunerados, mais alto é o PIB, o que representa mais renda, mais consumo e também geração de novos empregos. Ou seja: mão de obra e manutenção dos postos de trabalho são fundamentais para o crescimento do país.
Portanto, é uma lógica que nos parece simples: quanto maior o número de pessoas trabalhando e recebendo remuneração, maior é a quantidade de itens a serem consumidos nas mais diversas áreas, diminuindo-se os índices de inadimplência e tornando o ciclo produtivo.
Uma parcela significativa dos economistas e estudiosos defende, inclusive, que, diante de uma crise financeira, a demissão de trabalhadores deve ser o último recurso a ser executado pelo empregador.  
Infelizmente, não é o que vivenciamos no Brasil atualmente. O que temos presenciado é que em qualquer movimento negativo na economia o sacrificado é o trabalhador, com a perda do emprego e a retirada de direitos. Hoje, são 12,2 milhões de desempregados, e mais alguns milhares de pessoas sem esperança de conquistar um emprego formal. 
E qual o projeto do Governo Federal para resolver a falta de trabalho no país? Até agora, nada efetivo. Não há políticas públicas de geração de emprego e renda para que as pessoas conquistem boas oportunidades no mercado de trabalho e possam mantê-las.
Até agora, só vimos sacrifícios dos trabalhadores e declarações que explicitam que esse governo representa apenas um lado: o dos patrões. Conquistas históricas são retiradas a todo instante, e o setor patronal tenta ampliar seu poder de ganho, por meio da exploração, nessa lógica perversa do capital.  
Não nos exijam, portanto, mais sacrifícios - não pode haver sacrifícios de um lado apenas.  Nós, do movimento sindical, temos buscado o caminho da negociação e, claro, resultados para os trabalhadores, impondo-nos à altura do que é exigido no momento atual.
É necessário que o patrão e o governo entendam a importância e dos trabalhadores para o desenvolvimento do Brasil. Nós somos agentes da economia, sim, e imprescindíveis para influenciar positivamente nos resultados do país.  Somos a força do trabalho, e o trabalho faz a roda girar. Simples assim.

* Ronildo Almeida, presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços de Sergipe - Fecomse - e da União Geral dos Trabalhadores em Sergipe - UGT/SE.