Os privilégios da farda

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Publicada em 08/02/2019 às 06:02:00

 

Está difícil de acreditar nos protes-
tos de moderação do ministro 
Paulo Guedes, entusiasta da desregulamentação do mercado de trabalho. Munido com a manjada promessa de gerar novos empregos, a mesma desculpa esfarrapada do governo Michel Temer, ele jura de pés juntos que a modernização da legislação trabalhista não avançará sobre direitos conquistados.
O pano de fundo sob as declarações do ministro é a reforma de previdência, a prioridade absoluta do governo Bolsonaro. Guedes ressaltou que caberá ao presidente Jair Bolsonaro decidir alguns pontos da proposta, como idade mínima, tempo de transição e se a mudança do regime de repartição para capitalização será encaminhada agora ou numa etapa posterior. Por certo, ele garante, o fim dos privilégios e das desigualdades.
Paulo Guedes não detalhou que privilégios seriam esses. Espera-se, no entanto, que a reforma da previdência seja a mais abrangente e envolva também os servidores militares. Hoje, quem segue carreira militar no Brasil conta com um sistema de aposentadoria especial, com regras mais brandas e mais benefícios, em comparação com os demais funcionários públicos e até com o setor privado.
O exíguo tempo de contribuição mais a ausência de limite dos vencimentos materializam uma discrepância flagrante entre os militares que passam à reserva e os pobres mortais. Em um relatório de 2017, o Tribunal de Contas da União afirma que mais da metade dos membros das Forças Armadas no Brasil se aposentam muito jovens, com até 50 anos de idade.
Para acabar com privilégios, o governo Bolsonaro terá de cortar na própria carne. A resistência declarada do pessoal do coturno, com grande representação no governo, entretanto, obriga o Planalto a pisar em ovos. Resta saber se o presidente da República, um capitão reformado, terá a disposição de peitar os ministros generais.

Está difícil de acreditar nos protes- tos de moderação do ministro  Paulo Guedes, entusiasta da desregulamentação do mercado de trabalho. Munido com a manjada promessa de gerar novos empregos, a mesma desculpa esfarrapada do governo Michel Temer, ele jura de pés juntos que a modernização da legislação trabalhista não avançará sobre direitos conquistados.
O pano de fundo sob as declarações do ministro é a reforma de previdência, a prioridade absoluta do governo Bolsonaro. Guedes ressaltou que caberá ao presidente Jair Bolsonaro decidir alguns pontos da proposta, como idade mínima, tempo de transição e se a mudança do regime de repartição para capitalização será encaminhada agora ou numa etapa posterior. Por certo, ele garante, o fim dos privilégios e das desigualdades.
Paulo Guedes não detalhou que privilégios seriam esses. Espera-se, no entanto, que a reforma da previdência seja a mais abrangente e envolva também os servidores militares. Hoje, quem segue carreira militar no Brasil conta com um sistema de aposentadoria especial, com regras mais brandas e mais benefícios, em comparação com os demais funcionários públicos e até com o setor privado.
O exíguo tempo de contribuição mais a ausência de limite dos vencimentos materializam uma discrepância flagrante entre os militares que passam à reserva e os pobres mortais. Em um relatório de 2017, o Tribunal de Contas da União afirma que mais da metade dos membros das Forças Armadas no Brasil se aposentam muito jovens, com até 50 anos de idade.
Para acabar com privilégios, o governo Bolsonaro terá de cortar na própria carne. A resistência declarada do pessoal do coturno, com grande representação no governo, entretanto, obriga o Planalto a pisar em ovos. Resta saber se o presidente da República, um capitão reformado, terá a disposição de peitar os ministros generais.