O Paraíso de Borges

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Uma biblioteca para toda a eternidade.
Uma biblioteca para toda a eternidade.

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Publicada em 08/02/2019 às 06:16:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Devoto da palavra 
escrita, Borges 
gostava de imaginar o Paraíso na forma de uma biblioteca imensa. E não há leitor no mundo capaz de conceber modo mais proveitoso de passar a eternidade. Vira e mexe, quando me dou ao luxo de um café na Saraiva, no entanto, acabo voltando pra casa com um livro embaixo do braço. Tenho a vaidade da posse. Na época das vacas magras, no meu tempo de vinhos baratos, os sebos foram o único consolo possível no horizonte tacanho dos meus bolsos magros.
A leitura não me basta. As bibliotecas dos outros e os livros emprestados, triste remédio, jamais mataram a minha fome, insaciável. Eu recorria aos sebos como um seminarista de pouca fé, precisava respirar a poeira e esgarçar as capas velhas, cheias de mofo, para animar a maravilha fulgaz de cada página virada. Precisava, antes de tudo, ter o livro sempre à mão, como um troféu, como quem ralasse os joelhos ante um santo de barro. Eu media o meu valor em número de prateleiras e lombadas empilhadas.
Pensando nos leitores de alta estirpe, mas sem tostão furado, como eu mesmo já fui um dia, um coletivo de sebos itinerantes vem promovendo diversos encontros nos espaços públicos da cidade. O bonde das traças, como a turma se identifica, volta a se reunir esta semana, oferecendo de um tudo: livros usados, discos, revistas, HQs, cordéis, o escambau. A turma prova que se as redes de grandes livrarias ensaiam uma valsa à beira do abismo, como protestaram ao fim do ano passado, os livros e os leitores passam muito bem, obrigado.
Borges foi mais do que um homem, foi um gigante, um escritor sem tamanho, capaz de vislumbrar o longe e a miragem. Eu, pobre de mim, sou uma criatura mesquinha, urdido na falta. E, como na canção de Caetano Veloso, amo os livros de um amor táctil, como um objeto, material, o mesmo sentimento faminto de todo viciado pelos maços de cigarros.
V Encontro Cultural de Sebos:
09 de fevereiro, a partir das 09 horas, no Parque da Sementeira.

Devoto da palavra  escrita, Borges  gostava de imaginar o Paraíso na forma de uma biblioteca imensa. E não há leitor no mundo capaz de conceber modo mais proveitoso de passar a eternidade. Vira e mexe, quando me dou ao luxo de um café na Saraiva, no entanto, acabo voltando pra casa com um livro embaixo do braço. Tenho a vaidade da posse. Na época das vacas magras, no meu tempo de vinhos baratos, os sebos foram o único consolo possível no horizonte tacanho dos meus bolsos magros.
A leitura não me basta. As bibliotecas dos outros e os livros emprestados, triste remédio, jamais mataram a minha fome, insaciável. Eu recorria aos sebos como um seminarista de pouca fé, precisava respirar a poeira e esgarçar as capas velhas, cheias de mofo, para animar a maravilha fulgaz de cada página virada. Precisava, antes de tudo, ter o livro sempre à mão, como um troféu, como quem ralasse os joelhos ante um santo de barro. Eu media o meu valor em número de prateleiras e lombadas empilhadas.
Pensando nos leitores de alta estirpe, mas sem tostão furado, como eu mesmo já fui um dia, um coletivo de sebos itinerantes vem promovendo diversos encontros nos espaços públicos da cidade. O bonde das traças, como a turma se identifica, volta a se reunir esta semana, oferecendo de um tudo: livros usados, discos, revistas, HQs, cordéis, o escambau. A turma prova que se as redes de grandes livrarias ensaiam uma valsa à beira do abismo, como protestaram ao fim do ano passado, os livros e os leitores passam muito bem, obrigado.
Borges foi mais do que um homem, foi um gigante, um escritor sem tamanho, capaz de vislumbrar o longe e a miragem. Eu, pobre de mim, sou uma criatura mesquinha, urdido na falta. E, como na canção de Caetano Veloso, amo os livros de um amor táctil, como um objeto, material, o mesmo sentimento faminto de todo viciado pelos maços de cigarros.
V Encontro Cultural de Sebos:
09 de fevereiro, a partir das 09 horas, no Parque da Sementeira.