Preso usou vergalhão para matar Wesley, indicam perícias

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As imagens do circuito mostram a briga e o detento com a arma branca na mão
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As imagens do circuito mostram a briga e o detento com a arma branca na mão
As imagens do circuito mostram a briga e o detento com a arma branca na mão

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Publicada em 08/02/2019 às 06:30:00

 

Gabriel Damásio
As secretarias de Segu-
rança Pública (SSP) e 
de Justiça (Sejuc) apresentaram ontem as primeiras conclusões da investigação sobre a morte do detento Wesley Santos Silva, que foi assassinado em 30 de janeiro, dentro do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). Ela constatou que a morte dele não foi provocada por disparos de arma de fogo, mas sim por dois golpes de um vergalhão que era usado como arma por um dos detentos que perseguiram o colega no pátio do Pavilhão 3. A constatação vem de uma apuração conjunta feita por equipes do Instituto Médico Legal (IML), do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 
O crime gerou repercussão por causa da suspeita de que Wesley teria sido morto com um tiro de arma de fogo nas costas. Esta hipótese foi citada, inclusive, pelo irmão do detento, o vereador Anderson de Tuca (PTB), que se baseou em informações passadas pelo próprio IML. Entretanto, a partir da apuração do caso feita pelo DHPP, e com autorização da Sejuc, a polícia analisou as imagens provenientes das câmeras de segurança do Copemcan e chegou à conclusão que o detento foi vítima de perfurações de um vergalhão, ferro utilizado em construções para sustentar bases de concreto. 
"Os detentos estavam reunidos, de repente começa uma correria e a vítima é perseguida pelo pátio. Em determinado momento, o rapaz é atingido no abdômen e imediatamente nas costas. Ferido, ele corre em direção à cobertura onde os guardas do sistema estão, põe a mão na barriga e em seguida caí", explica a delegada Thereza Simony, diretora do DHPP, descrevendo as imagens registradas pelas câmeras de segurança e analisadas pelos investigadores.  
O diretor do IML, José Aparecido Cardoso, esclareceu a indefinição inicial por parte da perícia da causa da morte do detento. "O vergalhão causa um ferimento arredondado, como disseram que poderia ser arma de fogo, vimos o tipo do ferimento. Ele tinha sinais de entrada e saída, no dorso seria a entrada e no abdômen seria a saída. Mas, se fosse arma de fogo, obrigatoriamente teria que ter lesões nos pulmões, diafragma ou talvez no coração, o que não se apresentava, além de sangue em abundância. O que se percebeu, após as imagens e perícia precisa, é que instrumento causador foi um pedaço de vergalhão", explicou o médico. 
De acordo com a Sejuc, os detentos passam por, praticamente, duas revistas semanais realizadas pelo Copemcan, como medida de segurança, mas o vergalhão utilizado no crime foi retirado da própria estrutura do complexo. "O que nós observamos é que se trata de um vergalhão extraído da estrutura da unidade prisional, da parte de alvenaria do presídio, eles retiraram uma parte do ferro e fizeram dele um instrumento perfuro contundente", explica o secretário da Justiça e da Cidadania, Cristiano Barreto. 
Ele ainda ressalta que a utilização das imagens foi decisiva para elucidação do crime, pois caso não houvesse, seria improvável a confirmação do objeto utilizado. "Com as imagens, não só esses fatos, mas em qualquer outro fato que vier a acontecer nas unidades prisionais, nós iremos apresentar as imagens e demonstrar, porque o nosso lema e obrigação na Secretaria é transparência, e assim vamos agir", assegurou. 
Segundo a delegada Thereza Simony, os familiares, ao terem conhecimento das imagens, se convenceram que realmente a causa da morte não estava relacionada à arma de fogo. Já a motivação do crime ainda vai ser apurada durante a instrução do inquérito policial do DHPP. Cinco detentos foram identificados como participantes diretos do crime e podem ser indiciados pelo crime de homicídio doloso. Segundo a SSP, eles são: Edson dos Santos Nascimento, Elisson Araújo da silva, Genisson de Melo Santos Filho, José Aderval Lira de Menezes e Wallas Henrique de Jesus Franco Santos. Todos deverão ser ouvidos nos próximos dias dentro do inquérito do DHPP. 
Outra morte - A morte do detento Wesley Silva, que respondia a processo por embriaguez ao volante e porte ilegal de arma, foi seguida por um segundo assassinato ocorrido cerca de 24 horas depois, no mesmo Pavilhão 3: o preso Marcos José Lima Queiroz, acusado por homicídio, foi encontrado morto em uma cela, com sinais de agressão física. As primeiras informações apontam que ele também teria se envolvido em uma briga. 
De acordo com o secretário Cristiano Barreto, o caso ainda permanece sendo investigado em sigilo, não se descartando a possibilidade de que as duas mortes tenham relação entre si. O assassinado de Queiroz fez a Sejuc ordenar a transferência de todos os 39 presos da Ala B do Pavilhão 3, que acabaram mandados ao Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul de Aracaju), considerado de segurança máxima. 

Gabriel Damásio

As secretarias de Segu- rança Pública (SSP) e  de Justiça (Sejuc) apresentaram ontem as primeiras conclusões da investigação sobre a morte do detento Wesley Santos Silva, que foi assassinado em 30 de janeiro, dentro do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). Ela constatou que a morte dele não foi provocada por disparos de arma de fogo, mas sim por dois golpes de um vergalhão que era usado como arma por um dos detentos que perseguiram o colega no pátio do Pavilhão 3. A constatação vem de uma apuração conjunta feita por equipes do Instituto Médico Legal (IML), do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 
O crime gerou repercussão por causa da suspeita de que Wesley teria sido morto com um tiro de arma de fogo nas costas. Esta hipótese foi citada, inclusive, pelo irmão do detento, o vereador Anderson de Tuca (PTB), que se baseou em informações passadas pelo próprio IML. Entretanto, a partir da apuração do caso feita pelo DHPP, e com autorização da Sejuc, a polícia analisou as imagens provenientes das câmeras de segurança do Copemcan e chegou à conclusão que o detento foi vítima de perfurações de um vergalhão, ferro utilizado em construções para sustentar bases de concreto. 
"Os detentos estavam reunidos, de repente começa uma correria e a vítima é perseguida pelo pátio. Em determinado momento, o rapaz é atingido no abdômen e imediatamente nas costas. Ferido, ele corre em direção à cobertura onde os guardas do sistema estão, põe a mão na barriga e em seguida caí", explica a delegada Thereza Simony, diretora do DHPP, descrevendo as imagens registradas pelas câmeras de segurança e analisadas pelos investigadores.  
O diretor do IML, José Aparecido Cardoso, esclareceu a indefinição inicial por parte da perícia da causa da morte do detento. "O vergalhão causa um ferimento arredondado, como disseram que poderia ser arma de fogo, vimos o tipo do ferimento. Ele tinha sinais de entrada e saída, no dorso seria a entrada e no abdômen seria a saída. Mas, se fosse arma de fogo, obrigatoriamente teria que ter lesões nos pulmões, diafragma ou talvez no coração, o que não se apresentava, além de sangue em abundância. O que se percebeu, após as imagens e perícia precisa, é que instrumento causador foi um pedaço de vergalhão", explicou o médico. 
De acordo com a Sejuc, os detentos passam por, praticamente, duas revistas semanais realizadas pelo Copemcan, como medida de segurança, mas o vergalhão utilizado no crime foi retirado da própria estrutura do complexo. "O que nós observamos é que se trata de um vergalhão extraído da estrutura da unidade prisional, da parte de alvenaria do presídio, eles retiraram uma parte do ferro e fizeram dele um instrumento perfuro contundente", explica o secretário da Justiça e da Cidadania, Cristiano Barreto. 
Ele ainda ressalta que a utilização das imagens foi decisiva para elucidação do crime, pois caso não houvesse, seria improvável a confirmação do objeto utilizado. "Com as imagens, não só esses fatos, mas em qualquer outro fato que vier a acontecer nas unidades prisionais, nós iremos apresentar as imagens e demonstrar, porque o nosso lema e obrigação na Secretaria é transparência, e assim vamos agir", assegurou. 
Segundo a delegada Thereza Simony, os familiares, ao terem conhecimento das imagens, se convenceram que realmente a causa da morte não estava relacionada à arma de fogo. Já a motivação do crime ainda vai ser apurada durante a instrução do inquérito policial do DHPP. Cinco detentos foram identificados como participantes diretos do crime e podem ser indiciados pelo crime de homicídio doloso. Segundo a SSP, eles são: Edson dos Santos Nascimento, Elisson Araújo da silva, Genisson de Melo Santos Filho, José Aderval Lira de Menezes e Wallas Henrique de Jesus Franco Santos. Todos deverão ser ouvidos nos próximos dias dentro do inquérito do DHPP. 

Outra morte -
A morte do detento Wesley Silva, que respondia a processo por embriaguez ao volante e porte ilegal de arma, foi seguida por um segundo assassinato ocorrido cerca de 24 horas depois, no mesmo Pavilhão 3: o preso Marcos José Lima Queiroz, acusado por homicídio, foi encontrado morto em uma cela, com sinais de agressão física. As primeiras informações apontam que ele também teria se envolvido em uma briga. 
De acordo com o secretário Cristiano Barreto, o caso ainda permanece sendo investigado em sigilo, não se descartando a possibilidade de que as duas mortes tenham relação entre si. O assassinado de Queiroz fez a Sejuc ordenar a transferência de todos os 39 presos da Ala B do Pavilhão 3, que acabaram mandados ao Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul de Aracaju), considerado de segurança máxima.