No rumo certo

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Na alegria e na tristeza, com todos os altos e baixos
Na alegria e na tristeza, com todos os altos e baixos

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Publicada em 12/02/2019 às 06:20:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Lucas Campelo fez 
muito bem ao pegar 
o rastro de Dominguinhos. Caminho natural para qualquer sanfoneiro que se preze, a sua música é escoadouro de uma verdade muito antiga, a alegria e a tristeza próprias da vida, jamais pagou tributo à invenção do nordeste.
Há sanfoneiros de mãos cheias, capazes de levantar poeira em qualquer arraial de terra batida. E tem de ser assim mesmo, a animação dos outros é a razão primeira do ofício. Mas Dominguinhos foi, antes de tudo, um compositor extraordinário. Pescoço duro, alheio a cabresto, ele tocou muito forró, naturalmente. E de tudo o quanto viveu, as guerras declaradas no fundo do peito, a parte mais proveitosa foi comunicada em forma de música, sem nenhuma rédea.
Ninguém levou a sanfona tão longe, como fez Dominguinhos. No seu matolão, cabia tudo, com folga. Xote, maracatu e baião. E polca. E valsa. De uma versatilidade rara, o instrumentista impressionou os maiores entre os seus pares. Hamilton de Holanda não encontrou outro rival em matéria de destreza. Yamandu aprendeu com ele a valorizar a duração de cada nota. 
Quem não viu Dominguinhos no palco, debulhando canções enquanto o fole da sanfona ofegava, não sabe o que perdeu. Nos discos, ficou registrado apenas uma sombra do gênio, há ali somente uma ideia aproximada da verdadeira grandeza, pronta e acabada. Cara a cara, entretanto, a criatura humana, de olhar doce e sorriso largo, em paz com o mundo inteiro, se revelava por completo. Ante a majestade de sua presença, não seria exagero atribuir à música uma experiência quase religiosa.
Fé e festa, euforia e mansidão. Por tudo isso, a página aposta que Lucas Campelo pegou o rumo certo, seguindo os passos de Dominguinhos. Um e outro abraçam a sanfona na alegria e na tristeza, sob qualquer pretexto. E aceitam a vida como ela é, com todos os altos e baixos.

Lucas Campelo fez  muito bem ao pegar  o rastro de Dominguinhos. Caminho natural para qualquer sanfoneiro que se preze, a sua música é escoadouro de uma verdade muito antiga, a alegria e a tristeza próprias da vida, jamais pagou tributo à invenção do nordeste.
Há sanfoneiros de mãos cheias, capazes de levantar poeira em qualquer arraial de terra batida. E tem de ser assim mesmo, a animação dos outros é a razão primeira do ofício. Mas Dominguinhos foi, antes de tudo, um compositor extraordinário. Pescoço duro, alheio a cabresto, ele tocou muito forró, naturalmente. E de tudo o quanto viveu, as guerras declaradas no fundo do peito, a parte mais proveitosa foi comunicada em forma de música, sem nenhuma rédea.
Ninguém levou a sanfona tão longe, como fez Dominguinhos. No seu matolão, cabia tudo, com folga. Xote, maracatu e baião. E polca. E valsa. De uma versatilidade rara, o instrumentista impressionou os maiores entre os seus pares. Hamilton de Holanda não encontrou outro rival em matéria de destreza. Yamandu aprendeu com ele a valorizar a duração de cada nota. 
Quem não viu Dominguinhos no palco, debulhando canções enquanto o fole da sanfona ofegava, não sabe o que perdeu. Nos discos, ficou registrado apenas uma sombra do gênio, há ali somente uma ideia aproximada da verdadeira grandeza, pronta e acabada. Cara a cara, entretanto, a criatura humana, de olhar doce e sorriso largo, em paz com o mundo inteiro, se revelava por completo. Ante a majestade de sua presença, não seria exagero atribuir à música uma experiência quase religiosa.
Fé e festa, euforia e mansidão. Por tudo isso, a página aposta que Lucas Campelo pegou o rumo certo, seguindo os passos de Dominguinhos. Um e outro abraçam a sanfona na alegria e na tristeza, sob qualquer pretexto. E aceitam a vida como ela é, com todos os altos e baixos.