O retorno do Automazo

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Grafismo hardcore
Grafismo hardcore

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 13/02/2019 às 06:36:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Jamson Madureira é 
vivo, os amigos garan-
tem. Relatos colhidos pelas bandas do conjunto Marcos Freire, em Socorro, dão conta dos murros em ponta de faca. 
O homem certo, no lugar e na hora errada. O grafismo hardcore do Automazo, HQ criada e distribuída pelo próprio artista, em carne e osso, é um corpo estranho no panorama das artes visuais em Sergipe. Reverbera aqui e ali, como nos esforços mais felizes de Anderson Camilo, discípulo assumido. Os desígnios declarados em esforço tão radical, entretanto, impedem qualquer possibilidade de contemporização.
Violência, caos e devaneio imantados em pinceladas selvagens e traços irregulares - a caligrafia inconfundível de uma criatura alforriada. Tamanha liberdade obrigou Madureira a uma espécie de exílio não declarado. O choque provocado nas raras oportunidades de exposição no interior do cubo branco, um espaço de seleção por excelência, foi sucedido por silêncio constrangido. Ninguém articulou reação ao estupor. Um desconforto flagrante.
Os dados lançados lá atrás, meados dos anos 90, ainda não pagaram a aposta. Sob o brilho de outras estrelas, Madureira estaria vivendo hoje às custas dos primeiros arroubos criativos. Jamais na capital Serigy. Sem a bênção de uma autoridade com culhões de separar o joio do trigo, dispêndio figurativo e poética visual, Madureira é uma espécie de Basquiat sem a mão amiga e interesseira de Andy Warhol. Uma questão de (má) sorte.
É sabido que santo de casa não faz milagre, mas o produtor audiovisual Marcelo Roque, outro maluco, resolveu renovar a aposta no talento de Madureira, mesmo assim. Fruto de sua insistência, uma nova edição da série Automazo, a novela gráfica concebida pelo gênio do Marcos Freire, já está correndo de mão em mão. Trata-se de uma edição bem cuidada, porém limitadíssima, com apenas duzentas cópias. A Freedom de Sílvio Campos, outro militante das causas ingratas, na Rua Santa Luzia, Centro de Aracaju, dispõe de alguns exemplares. 

Jamson Madureira é  vivo, os amigos garan- tem. Relatos colhidos pelas bandas do conjunto Marcos Freire, em Socorro, dão conta dos murros em ponta de faca. 
O homem certo, no lugar e na hora errada. O grafismo hardcore do Automazo, HQ criada e distribuída pelo próprio artista, em carne e osso, é um corpo estranho no panorama das artes visuais em Sergipe. Reverbera aqui e ali, como nos esforços mais felizes de Anderson Camilo, discípulo assumido. Os desígnios declarados em esforço tão radical, entretanto, impedem qualquer possibilidade de contemporização.
Violência, caos e devaneio imantados em pinceladas selvagens e traços irregulares - a caligrafia inconfundível de uma criatura alforriada. Tamanha liberdade obrigou Madureira a uma espécie de exílio não declarado. O choque provocado nas raras oportunidades de exposição no interior do cubo branco, um espaço de seleção por excelência, foi sucedido por silêncio constrangido. Ninguém articulou reação ao estupor. Um desconforto flagrante.
Os dados lançados lá atrás, meados dos anos 90, ainda não pagaram a aposta. Sob o brilho de outras estrelas, Madureira estaria vivendo hoje às custas dos primeiros arroubos criativos. Jamais na capital Serigy. Sem a bênção de uma autoridade com culhões de separar o joio do trigo, dispêndio figurativo e poética visual, Madureira é uma espécie de Basquiat sem a mão amiga e interesseira de Andy Warhol. Uma questão de (má) sorte.
É sabido que santo de casa não faz milagre, mas o produtor audiovisual Marcelo Roque, outro maluco, resolveu renovar a aposta no talento de Madureira, mesmo assim. Fruto de sua insistência, uma nova edição da série Automazo, a novela gráfica concebida pelo gênio do Marcos Freire, já está correndo de mão em mão. Trata-se de uma edição bem cuidada, porém limitadíssima, com apenas duzentas cópias. A Freedom de Sílvio Campos, outro militante das causas ingratas, na Rua Santa Luzia, Centro de Aracaju, dispõe de alguns exemplares.