A coletividade e as novas formas de fazer política

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 15/02/2019 às 06:00:00

 

voz já se ampliaram e a hierarquia social 
está cada vez mais reduzida. Com a massificação da internet, especificadamente as redes sociais, as pessoas passaram a ter o mesmo poder de proliferação de informação. 
Além de entretenimento, a internet oferece inúmeras outras oportunidades de desenvolvimento para a cidadania e engajamento. 
Como reflexo, contrariando o que dispõe o senso comum, os jovens, público massivo dessa rede, passaram a se inserir na política, modificando a sua forma de fazer, interferindo significamente no modo tradicional, deixando em alerta a atual classe política, que ainda não está preparada para esse fator e, por consequência, pode ser engolida.
Varias novidades e boas iniciativas têm tido uma resposta positiva da sociedade em alguns lugares do país em relação a essas formas diferentes de ocupação do ambiente político na esfera institucional e social. 
O momento político exige novas formas de fazer política com a necessidade de, cada vez mais, ouvir as vozes das ruas e construir um novo modelo de atuação inclusiva com as pessoas e para elas. Além disso, surge a necessidade de potencializar as diversas demandas: da arte ao lazer, da saúde à educação, da segurança à mobilidade, do esporte ao forró. É fundamental trabalhar por uma cultura de direitos que nos permita superar o atual modo de atuação, consumo e descarte, construindo o  fortalecimento de uma nova geração e as suas narrativas. 
Esses novos movimentos geracionais estão na luta por uma cidade de direitos, na qual a promoção da cidadania seja o princípio de todas as políticas públicas e as pessoas possam decidir sobre os assuntos que impactam em suas vidas, como Saúde, Moradia, Educação, Transporte e Segurança. Construir novos caminhos para políticas de direitos, mais humanizada, em que a vida esteja acima de tudo e de todos.
É a hora de defendermos o fortalecimento da democracia em todos os espaços públicos, através da consolidação e ampliação de mecanismos de acesso à informação, de consulta popular e de controle social nos processos de tomada de decisão. Mais do que uma reforma institucional, almejamos a transformação do poder e da forma de exercê-lo.
Dentro desses novos caminhos na construção política, podemos destacar a atuação dos Mandatos Coletivos que inovam o fazer da política no Brasil, com surgimento nas eleições de 2016, com mais destaque nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo e no Distrito Federal. Marcados pela composição de chapas com duas ou mais pessoas que disputam juntas uma vaga, o aparecimento desses mandatos movimentou o cenário político-eleitoral em diferentes regiões do país. Apesar de não terem previsão legal, essas experiências somaram pelo menos 12 chapas em diferentes estados no último pleito eleitoral. 
Esse tipo de construção é um fenômeno recente e a formação de mandatos coletivos ainda é algo pouco pesquisado em todo país. Apesar disso e da rigidez da legislação eleitoral, que não absorve oficialmente a prática, há expectativas de que propostas dessa natureza se multipliquem nas próximas eleições.
Os mandatos coletivos são uma tentativa de ampliar a representatividade para partes da população, mas eles só terão efetividade se realizados de forma transparente para que o eleitor possa se identificar com todos os seus representantes. É construir espaços abertos para discutir coletivamente os problemas e buscar ideias para melhorar o bairro, a cidade e o estado. 
Uma construção aberta para todos que desejam se organizar em torno das ideias. É criar uma estratégia de mobilização popular para superar o atual modelo conservador da política e superar a falta de transparência pública, a desigualdade política, o patrimonialismo e a força econômica. 
Na proposta de mandatos coletivos, o grupo responsável pode se organizar internamente. Em geral, o trabalho tem a seguinte dinâmica: o titular responde oficialmente pelas ações e decisões do mandato, mas estas são tomadas sempre de forma conjunta. As pessoas envolvidas com o mandato coletivo estarão ali nos cargos de 'codeputados', 'covereadores', mais próximas da base, da população, possibilitando uma nova forma de relação política. É uma novidade que, articulada com os interesses coletivos, tende a ajudar o país a superar a atual crise de representatividade no parlamento. É uma forma de superar o tradicional distanciamento da maioria da classe política em relação ao seu eleitorado, que, muitas vezes, só tem contato com o parlamentar a cada quatro anos, em época de eleição. O atual espaço do parlamento é, praticamente, impermeável à vontade popular. Na política, a tomada de decisão coletiva é uma forma de incluir o povo no centro das decisões. E é assim que deveria ser. Deve-se deixar claro que está se falando em transferir o poder, que fica embutido no parlamento de mármore, para o asfalto das comunidades.
O momento exige mais pessoas para opinar e participar do processo de decisões, contemplando partes de sociedade que historicamente estão distanciadas do poder. 
Essa construção, através dos mandatos coletivos, também busca questionar o atual sistema político para torná-lo mais inclusivo e mais democrático, deixando as vaidades de lado e, de fato, abraçar experiências de caráter mais coletivo em detrimento de disputas mais individualizadas dentro do sistema político. 
É uma iniciativa muito interessante, ao passo que o poder delegado pela população precisa ser compartilhado ao invés de centraliza-lo no representante eleito, que supostamente tem um poder hierárquico sobre o mandato. Os processos decisórios são compartilhados e as pessoas que têm funções diversificadas no mandato participam ativamente. 
A ideia de mandato coletivo já é pauta também na Câmara dos Deputados, onde tramita atualmente a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 379/17. De autoria da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), a medida propõe a inclusão da prática dos mandatos coletivos na legislação eleitoral para o Poder Legislativo. O objetivo é abranger os cargos de vereador, senador e deputado, nas diferentes esferas. 
Para quem está acostumado com as velhas fórmulas na política, as próximas gerações devem apresentar surpresas, tanto construção cotidiana da política, perspassando pela estruturação das campanhas, quanto na forma de avaliação dos candidatos (as) pelos eleitores.
* Jefferson Lima, Historiador, Presidente do PT de Aracaju e membro da Direção Nacional do PT

* Jefferson Lima

A sociedade está mudando, os canais de  voz já se ampliaram e a hierarquia social  está cada vez mais reduzida. Com a massificação da internet, especificadamente as redes sociais, as pessoas passaram a ter o mesmo poder de proliferação de informação. 
Além de entretenimento, a internet oferece inúmeras outras oportunidades de desenvolvimento para a cidadania e engajamento. 
Como reflexo, contrariando o que dispõe o senso comum, os jovens, público massivo dessa rede, passaram a se inserir na política, modificando a sua forma de fazer, interferindo significamente no modo tradicional, deixando em alerta a atual classe política, que ainda não está preparada para esse fator e, por consequência, pode ser engolida.
Varias novidades e boas iniciativas têm tido uma resposta positiva da sociedade em alguns lugares do país em relação a essas formas diferentes de ocupação do ambiente político na esfera institucional e social. 
O momento político exige novas formas de fazer política com a necessidade de, cada vez mais, ouvir as vozes das ruas e construir um novo modelo de atuação inclusiva com as pessoas e para elas. Além disso, surge a necessidade de potencializar as diversas demandas: da arte ao lazer, da saúde à educação, da segurança à mobilidade, do esporte ao forró. É fundamental trabalhar por uma cultura de direitos que nos permita superar o atual modo de atuação, consumo e descarte, construindo o  fortalecimento de uma nova geração e as suas narrativas. 
Esses novos movimentos geracionais estão na luta por uma cidade de direitos, na qual a promoção da cidadania seja o princípio de todas as políticas públicas e as pessoas possam decidir sobre os assuntos que impactam em suas vidas, como Saúde, Moradia, Educação, Transporte e Segurança. Construir novos caminhos para políticas de direitos, mais humanizada, em que a vida esteja acima de tudo e de todos.
É a hora de defendermos o fortalecimento da democracia em todos os espaços públicos, através da consolidação e ampliação de mecanismos de acesso à informação, de consulta popular e de controle social nos processos de tomada de decisão. Mais do que uma reforma institucional, almejamos a transformação do poder e da forma de exercê-lo.
Dentro desses novos caminhos na construção política, podemos destacar a atuação dos Mandatos Coletivos que inovam o fazer da política no Brasil, com surgimento nas eleições de 2016, com mais destaque nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo e no Distrito Federal. Marcados pela composição de chapas com duas ou mais pessoas que disputam juntas uma vaga, o aparecimento desses mandatos movimentou o cenário político-eleitoral em diferentes regiões do país. Apesar de não terem previsão legal, essas experiências somaram pelo menos 12 chapas em diferentes estados no último pleito eleitoral. 
Esse tipo de construção é um fenômeno recente e a formação de mandatos coletivos ainda é algo pouco pesquisado em todo país. Apesar disso e da rigidez da legislação eleitoral, que não absorve oficialmente a prática, há expectativas de que propostas dessa natureza se multipliquem nas próximas eleições.
Os mandatos coletivos são uma tentativa de ampliar a representatividade para partes da população, mas eles só terão efetividade se realizados de forma transparente para que o eleitor possa se identificar com todos os seus representantes. É construir espaços abertos para discutir coletivamente os problemas e buscar ideias para melhorar o bairro, a cidade e o estado. 
Uma construção aberta para todos que desejam se organizar em torno das ideias. É criar uma estratégia de mobilização popular para superar o atual modelo conservador da política e superar a falta de transparência pública, a desigualdade política, o patrimonialismo e a força econômica. 
Na proposta de mandatos coletivos, o grupo responsável pode se organizar internamente. Em geral, o trabalho tem a seguinte dinâmica: o titular responde oficialmente pelas ações e decisões do mandato, mas estas são tomadas sempre de forma conjunta. As pessoas envolvidas com o mandato coletivo estarão ali nos cargos de 'codeputados', 'covereadores', mais próximas da base, da população, possibilitando uma nova forma de relação política. É uma novidade que, articulada com os interesses coletivos, tende a ajudar o país a superar a atual crise de representatividade no parlamento. É uma forma de superar o tradicional distanciamento da maioria da classe política em relação ao seu eleitorado, que, muitas vezes, só tem contato com o parlamentar a cada quatro anos, em época de eleição. O atual espaço do parlamento é, praticamente, impermeável à vontade popular. Na política, a tomada de decisão coletiva é uma forma de incluir o povo no centro das decisões. E é assim que deveria ser. Deve-se deixar claro que está se falando em transferir o poder, que fica embutido no parlamento de mármore, para o asfalto das comunidades.
O momento exige mais pessoas para opinar e participar do processo de decisões, contemplando partes de sociedade que historicamente estão distanciadas do poder. 
Essa construção, através dos mandatos coletivos, também busca questionar o atual sistema político para torná-lo mais inclusivo e mais democrático, deixando as vaidades de lado e, de fato, abraçar experiências de caráter mais coletivo em detrimento de disputas mais individualizadas dentro do sistema político. 
É uma iniciativa muito interessante, ao passo que o poder delegado pela população precisa ser compartilhado ao invés de centraliza-lo no representante eleito, que supostamente tem um poder hierárquico sobre o mandato. Os processos decisórios são compartilhados e as pessoas que têm funções diversificadas no mandato participam ativamente. 
A ideia de mandato coletivo já é pauta também na Câmara dos Deputados, onde tramita atualmente a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 379/17. De autoria da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), a medida propõe a inclusão da prática dos mandatos coletivos na legislação eleitoral para o Poder Legislativo. O objetivo é abranger os cargos de vereador, senador e deputado, nas diferentes esferas. 
Para quem está acostumado com as velhas fórmulas na política, as próximas gerações devem apresentar surpresas, tanto construção cotidiana da política, perspassando pela estruturação das campanhas, quanto na forma de avaliação dos candidatos (as) pelos eleitores.

* Jefferson Lima, Historiador, Presidente do PT de Aracaju e membro da Direção Nacional do PT